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O homem dos olhos azuis – por Bianca Zasso

foto texto biancaBonito, olhos azuis, alto, elegante e talentoso. Na tela, ladrão, herói, desbravador, amante e solitário. Peter O’Toole era tudo isso e era todos esses. E o cinema ficou um pouco menos brilhante e encantador esta semana, quando sua morte foi anunciada. Aos 81 anos de idade, com vários filmes e peças no currículo, O’Toole deixou a vida, mas não as telas.

Seu talento está estampado em clássicos como Sob o bosque de leite, de Andrew Sinclair, O leão no inverno, de Anthony Harvey e Lawrence da Arábia, de David Lean, sem dúvida seu trabalho mais lembrado. A notícia do falecimento do ator britânico provocou em mim uma vontade sem tamanho de rever aquele que foi o filme que me apresentou O’Toole e fez com que ele entrasse para a minha lista de intérpretes favoritos.

Como roubar um milhão de dólares é um tipo de comédia em falta no mercado atual. Não faz questão nem do pastelão e muito menos de piadas complexas. O talento do diretor William Wyler, um dos grandes nomes do cinema hollywoodiano e que passeou por diversos gêneros sempre com sucesso, garante a trama uma perfeita sintonia entre bom humor, suspense e romance.

O’Toole interpreta o charmoso Simon, um ladrão de obras de arte que circula pelas altas rodas sempre de terno e gravata. Mesmo sendo um perito na sua “profissão”, sua maior aventura será vivida ao lado de Nicole, interpretada por Audrey Hepburn, filha de um falsificador. O plano é mirabolante: roubar a cópia de uma escultura feita pelo seu pai que está exposta em um museu antes que ela passe por uma perícia de autenticidade.

O’Toole estava no auge de seu sucesso em 1966, quando Como roubar um milhão de dólares foi lançado e confere ao personagem um glamour incrível. Rodado em Paris, a produção apresenta os crimes cometidos pela alta sociedade com irreverência e tendo como cenário uma das cidades mais belas do mundo. Porém, mesmo com a bela paisagem, uma das melhores cenas entre o casal central é vivida dentro de um armário, bem no clima de inocente sedução dos anos 60.

Hepburn, com sua beleza aristocrática, forma uma dupla e tanto com O’Toole e as participações especiais do ótimo Eli Wallach e do galã Charles Boyer fazem de Como roubar um milhão de dólares um dos filmes mais interessantes já feitos sobre roubo. Sem efeitos especiais ou atores fortões, diga-se de passagem. Mas quem precisa de músculos quando se tem um par de olhos azuis cheio de significados? Rouba qualquer coração.

*A Atriz Joan Fontaine, a eterna Rebecca, do filme de Alfred Hitchcock também nos deixou esta semana. E deixou a nós, cinéfilos, ainda mais tristes, apesar de seus personagens serem eternos.

Como roubar um milhão de dólares (How to steal a million)

Ano: 1966

Direção: William Wyler

Disponível em DVD

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