Artigos

Redes sociais e a vida como ela é – por Guilherme Bicca

O que “parece conversa real (e, de preferência, espontâneo) chama atenção”

Pelo título, você deve estar pensando que vou falar sobre como as pessoas vivem uma vida, mas demonstram outra na internet. Como elas pautam suas rotinas pela interação (ou resultados) que pretendem ter em suas redes sociais. 

Bom… poderia ser, mas não será.

Quero falar sobre uma “nova” tendência que vem crescendo entre produtores de conteúdo e, por consequência, entre marcas que buscam atrair e fidelizar (novos) públicos: conteúdos “naturais e verdadeiros”.

Sim… conteúdos que são gente como a gente. Bem agora que a IA chegou com tudo e deixou vídeos e posts perfeitos ao alcance de todos. Irônico, né?

Demais. Mas os especialistas em algoritmo devem ter uma explicação para o fato de que conteúdos “mal acabados”, com pouca produção, que aparentam ser improvisados, estão ganhando mais alcance nos feeds do que aqueles com luz, cenário e design perfeitos.

Eu, por não entender da matemática da coisa, me arrisco a dizer que é por eles soarem verdadeiros. 

E não é difícil de imaginar: com tanta disputa por atenção, nosso cérebro parece ter desenvolvido uma espécie de radar anti-anúncio. Tudo com tom “comercial” tem a tendência de ser ignorado. Já aquilo que parece conversa real (e, de preferência, espontâneo) chama atenção.
Ou seja, se nosso cérebro percebe que aquele post está querendo nos vender alguma coisa, já envia um comando para ignorar aquilo rapidinho.

O que os dados dizem?

Estudos compilados a respeito de comportamento em redes sociais para 2025 indicam que 84% das pessoas confiam mais em marcas que usam conteúdo produzido por consumidores do que em conteúdo da própria marca. E que esse tipo de produção influencia até 77% nas decisões de compra. 

Outro estudo aponta que apenas 13% dos consumidores consideram conteúdo de marca muito impactante, contra 79% que dizem que o conteúdo gerado por usuários é altamente influente.

Claro que tem uma pitada de prova social influenciando esses números, mas isso também quer dizer que conteúdos “saídos da vida real” não só atraem mais atenção como constroem confiança.

Como surfar essa onda (com estratégia)?

Se você é empresário ou gestor de comunicação e quer aproveitar a onda do conteúdo orgânico com planejamento, pode começar por algumas dicas:

  • Use imagens reais do seu negócio: bastidores, time, produtos, ambiente. Tudo isso ajuda a gerar identificação.
  • Grave vídeos naturais: crie roteiros-guia e mande o recado com suas palavras. Não force roteiros de cinema.
  • Mostre pessoas de verdade: funcionários, clientes, parceiros… o público confia mais em rostos conhecidos do que em modelos de banco de imagem.
  • Adote uma estética simples, mas planejada: nada de filtros pesados ou animações mirabolantes. Menos é mais (e mais natural).
  • Fale como se contasse uma história entre colegas: prefira uma linguagem leve, direta, como se estivesse contando uma história no café da firma.
  • Esteja onde seu público está: fale com ele no tom certo, do jeito certo, na frequência certa, sem exageros.

A autenticidade vai vencer?

Não tem como saber se isso é só mais uma tendência vazia, com os dias contados, ou uma revolução. Talvez não seja nem um, nem outro. A internet tem espaço para todo tipo de conteúdo. Mas o certo é que justo quando todo mundo correu atrás da IA para produzir conteúdos perfeitos, quem brilhou foi aquele com cara de “a vida como ela é”. 

O que não é sinônimo de baixa qualidade, de desleixo. E sim de parecer ter sido feito por gente como a gente. O que não significa abandonar a estratégia e o cuidado com a mensagem transmitida. 

Autenticidade não é amadorismo. O público quer um pouco mais de vida real em meio a tanta informação encapsulada. E quanto mais real, melhor.

(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.

Artigos relacionados

ATENÇÃO


1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

6 Comentários

  1. Intel perdeu o bonde da inteligencia artificial. Abandonou planos de construir fabricas na Alemanha e Polonia. Problema de ‘construir fabricas sem garantir uma demanda para absorver a produção’. Empresa que chegou a ter 80% do mercado. Empresa do ‘só os paranoicos sobrevivem’. Financeiramente vai mal. Bateu o recorde de demissões na industria de semicondutores, quase 25 mil.

  2. WPP, braço criativo da Ogilvy. Demitiu 700. 5% do quadro em junho. Inteligencia artificial. Reestruturando. Uma das maiores do mundo.

  3. ‘E que esse tipo de produção influencia até 77% nas decisões de compra.’ Não foi 68,3% e nem 84,7% foi 77% ‘na cabeça’. Não se sabe se o numero foi obtido via questionario ou via links dos ‘influenciadores’.

  4. ‘Estudos compilados a respeito de comportamento […]’. Truquezinho velho. Estudos feitos por não se sabe quem, não se sabe onde e nem de que maneira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo