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Bloco do Eu Solzinho – “por” Atílio Alencar

atílioEu não estava lá quando isso aconteceu. Mas foram tantas as vezes que ouvi essa história, que hoje sinto como se estivesse presente desde o começo. Foi no começo de 2014, numa festa de samba, que a pergunta surgiu, no meio de um bate-papo: qual o motivo pra não existir mais carnaval de rua em Santa Maria? Na hora, ninguém soube responder. Mas todos ali estranhavam a ausência desse tipo de festa na “cidade-cultura”, uma festa na rua, com bateria e fanfarras, na qual todos pudessem participar livremente, da maneira que quisessem.

Até que alguém lançou a ideia de organizar um bloco de carnaval. E fazer o carnaval na rua. A ideia pareceu ótima por alguns instantes, até que todos se deram conta da verdade: ninguém fazia a mínima ideia de como começar, de como organizar um bloco… Nem mesmo sabiam tocar um instrumento qualquer que fosse! Mesmo assim, embalada pelo samba e pela cerveja, a ideia pegou força, e o desafio foi abraçado. O bloco iria pra rua. E para isso precisava de um nome. Ou melhor, um nome era sol o que faltava! E as gargalhadas dos trocadilhos fizeram a escolha. Estavam lá o Daniel, a Júlia, o Leandro e o Maurício. Nessa noite, surgiu o Bloco do Eu Solzinho.

A proposta era reunir pessoas interessadas em botar sua alegria pra fora de casa e levá-la aos mais diversos espaços da cidade, como uma brincadeira de criança. Uma fanfarra seria organizada, para conduzir o Bloco, com todos que quisessem participar, tocando qualquer instrumento ou algo parecido. Naquele momento, só havia a certeza de que uma andorinha sol não faz verão. E por isso outras pessoas foram chamadas para organizar e fazer parte do Bloco. O Atílio e o Lisandro se somaram dessa vez, e a ideia começou a pegar um certo impulso, contando também com o incentivo dos amigos e frequentadores do Café Cristal, onde nos reuníamos para planejar a folia.

Devagar o Bloco começou a ser divulgado, com a ajuda de várias parcerias, e a ideia seguia firme, apesar de parecer distante. Nada era certo, se teríamos fanfarra, se as pessoas iriam… Mesmo assim, teimosamente, o Bloco seguia se organizando, com o entusiasmo de alguns amigos que nos apoiavam.

Foi então que um dia a Dona Dulce, tia do Maurício, teve uma ideia pra colaborar, da sua maneira, com o Bloco. Com muita dedicação e carinho, tia Dulce trabalhou por alguns dias nessa ideia. E foi assim que eu, Estandarte do Bloco do Eu Solzinho, nasci, em plena sexta-feira de carnaval, apenas algumas horas antes da folia começar. Ninguém sabia, mas eu estaria lá sempre a partir daquele momento.

E naquele dia fomos todos para o bar do Pompeo, no Parque Itaimbé, conforme combinado e divulgado. A expectativa era grande. Quantas pessoas iriam? A fanfarra se formaria? Não tínhamos certeza sobre nada. Fomos até o Pompeo com um tamborete, uma caixeta e alguns instrumentos improvisados. E esperamos. Algumas pessoas passavam e olhavam com desconfiança. Outras procuravam algo que deveria estar ali, parecendo não saber que isso dependia da presença delas. Levou mais tempo do que esperávamos, mas algumas pessoas se juntaram à nós. Não éramos muitos no primeiro dia, creio que não chegamos a trinta pessoas, dentre elas a Alessandra, a AnaLu, a Camila e o Ivan. Além de alguns imprevistos, também sentimos algumas ausências, é bem verdade. Mas havia alegria de sobra, e quem estava lá fez tudo valer a pena. Rolou até um batuque divertido, apesar de desengonçado. Naquele dia não saímos para as ruas, mas ficou combinado que todos se reuniriam ali, no outro dia, para levarmos o Bloco até o local da festa que havíamos planejado…

E assim foi. No sábado, enfim, fomos para as ruas pela primeira vez, do mesmo jeito: poucas pessoas, mas muita alegria. Lembro bem de ter sido levado por várias pessoas pelas ruas da cidade. E também de passar de mão em mão durante a festa, que foi fantástica. No domingo também foi assim, com mais pessoas se unindo ao Bloco. Eu estava muito feliz de estar conhecendo o Carnaval. De ser levado pelas ruas por todos que estivessem dispostos a fazer isso. De conhecer as quadras das escolas de samba da cidade, especialmente as da Barão do Itararé e da Unidos do Itaimbé. Além de grandes parceiras, essas duas entidades têm sido literalmente escolas para nós. Nos seus barracões, estamos até hoje aprendendo muito sobre o samba e sobre o carnaval que acontece na cidade há muito tempo. Devemos muito a essas pessoas fantásticas, que sempre nos recebem de maneira maravilhosa nos seus templos do carnaval.

Infelizmente a chuva não nos permitiu que saíssemos para a rua na segunda de carnaval. Mas a festa foi muito animada. Encerrávamos o nosso primeiro carnaval com muita alegria e com uma certeza: voltaríamos no próximo ano. Ia levar um ano. Eu não fazia ideia do tanto de tempo que um ano levava pra passar. Mas fiquei lá, descansando e esperando com muita ansiedade pra ir mais uma vez pra rua.

Até que finalmente esse dia chegou, depois de tanta espera. Lá ia eu pra rua, reencontrar os amigos do ano anterior. Todos estavam lá, com a mesma alegria, com a mesma animação. E os amigos se multiplicaram! Nos aproximamos um pouco mais da nossa ideia de fazer carnaval na rua, levando o bloco pela cidade no primeiro dia. A fanfarra se organizou melhor, com a espontaneidade da galera que chegava e se dispunha a tocar, dentre os quais o Bruno, o Balak, o Dennys, o Foka e o Kbecinha, entre tantos outros mais. E também todo o pessoal que puxava as músicas e cantava junto. Até um samba ganhamos nesse ano, composto com muito carinho pelo amigo Xuca!

A folia no Parque Itaimbé tinha, a cada dia, mais pessoas presentes, em especial os vizinhos do parque que saíram de suas casas e vieram se juntar a nós, animados pelo carnaval. Foram dias de muita festa, no parque, nas ruas e nas quadras das escolas. Tanto que a cada dia mais e mais pessoas, de todas as idades, me carregavam. Isso até fez com que eu descansasse cada dia em um lugar diferente, inclusive em uma escola de samba. E isso tudo faz com que eu me sinta cada vez mais parte do carnaval.

Eu não imaginava que ia fazer tantos novos amigos de um ano para o outro. Todos que estiveram ao meu lado trouxeram muito amor e alegria para nossa festa. Uma folia que se faz na rua, que é espaço de todos. Uma festa que é aberta a todos, sem distinção. Essa é a nossa bandeira: um carnaval de rua, de alegria e de todos. Um carnaval sem catracas.

O Bloco do Eu Solzinho está se pondo nesse carnaval, mas só pra poder raiar ainda mais forte no ano que vem. E sabemos que uma andorinha sol não faz verão. Quer se juntar a nós? Chega junto, pra nós basta que tu queiras! Quer tocar na nossa fanfarra ou cantar junto? Traz o gogó, traz teu instrumento, teu apito, tua latinha, tuas palmas, ou o que tiver! Lembra de vir de amarelo, se puder e quiser. Se não vier, não tem problema: o nosso único requisito é a alegria incondicional e a vontade de juntar tua alegria com a de toda essa gente e espalhar tudo isso pela cidade. Até porque quem já se juntou ao Bloco do Eu Solzinho sabe bem: antes SOL do que mal acompanhado.

Então SOLta tudo e vem com a gente no ano que vem! Agora volto ao meu descanso, já com saudade de toda a folia e de todos os amigos que fiz, e mais uma vez ansioso pelos novos amigos que farei no próximo carnaval. Mas acima de tudo, feliz!

Até o próximo carnaval! Ou Antes, quem sabe…

Bloco do Eu Solzinho (Texto coletivo dos seus integrantes)

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