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Supérfluo – por Antonio Candido Ribeiro

A imbecilidade humana parece não respeitar limites. Em todos os sentidos: físico-geográficos, morais, éticos, legais. Aqui se queimam irmãos, por sádico prazer ou para roubar merrecas, ali se põem fogo em cães, alhures guerras fratricidas e estúpidas – como são todas as guerras – dilaceram famílias, assassinam inocentes, destroem escolas, hospitais, vilipendiam cidades, escorraçam nacionais para remotas plagas.

Não se respeitam regras comezinhas de civilidade e isso nos dá a sensação de que  a civilização – pouco importa qual seja ela – exauriu todas suas possibilidades de se afirmar conceitualmente como concreta regra de convívio harmônico da grande família humana espalhada pela crosta terrestre.

A violência está de tal forma banalizada, de tal maneira introjetada em nosso inconsciente que, ora, parece não mais nos assustar para, logo adiante,  nos transformar em basbaques reféns de nossos próprios medos e inseguranças.

Construímos o caos e nele mergulhamos, com a certeza de que, dele, não há possibilidade de regresso. Nos somamos à violência e, com nossos comportamentos erradios, nos fazemos parte indissociável dela. Ou nos acovardamos, entrincheirados em nossos pequenos castelos assépticos, murados e protegidos por vigias regiamente pagos e atentos aos mínimos sinais de aproximação das hordas de deserdados – que buscam afirmar sua existência pela sua simples presença –, para repeli-las, como se, com isso, pudéssemos apagá-las do mundo real, que existe para além dos muros altos e das cercas eletrificadas.

E daí – perguntarão os senhores –  fazer o quê?

Honestamente? Não sei! Não faço a menor ideia! E, por isso, lamento e me cobro por não ter conseguido construir, como imaginei possível, um mundo mais afável para meus netos recém-chegados. Justo eu, que sonhei pátrias sem fronteiras, construídas de luz e de paz, que sonhei caminhos abertos e desimpedidos, que sonhei um mundo ordenado pela fraternidade, pelo respeito às diferenças, pela pluralidade, pela construção de pontes permanentes entre as duras lições do passado e um futuro afável e sem desigualdades.

É, talvez eu seja mesmo, e definitivamente, apenas um babaca sonhador que se alimenta de utopias e acha que poesia e doçura são capazes de vencer espadas e canhões, que acha que o amor pode se contrapor, vitorioso, a todas as facetas do ódio e da malquerença. Talvez, eu seja sim apenas um supérfluo agente da ternura nesses tempos duros de tanta tecnologia, de tanto conhecimento, mas de tanto desamor e desrespeito à vida.

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