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MÍDIA. Pesquisa britânica mostra os jornais e seu futuro, diante de uma “terrível” ameaça: a internet

O fundador e diretor executivo do Facebook , Mark Zucherberg, não esconde seu objetivo: monopolizar a distribuição digital de notícias
O fundador e diretor executivo do Facebook , Mark Zucherberg, não esconde seu objetivo: monopolizar a distribuição digital de notícias

Por ROY GREENSLADE, no portal Observatório da Imprensa (*)

O estudo que mostra que mais de 50%, entre todos os usuários da internet, tratam as redes sociais como sua principal fonte de notícias pode fazer alguns jornalistas piscarem os olhos, mas não irá surpreender muita gente. E a mais popular dessas fontes é o Facebook, naturalmente. A pesquisa, feita pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, revelou que 44% das pessoas o usam como sua principal fonte.

Numa recente palestra que fiz no Conselho Irlandês de Imprensa, identifiquei o Facebook como uma importante ameaça à existência dos jornais – tanto impressos quanto digitais. Levando em conta as revelações feitas pelo Instituto Reuters, o que eu disse naquela ocasião sobre oFacebook ser “o último prego no caixão dos jornais” resiste a ser repetido.

No mês de abril, o Facebook deixou pasmados os analistas do mercado de capitais com um retorno dos lucros do primeiro trimestre da ordem de 5,38 bilhões de dólares [R$ 16,1 bilhões] – 10% acima do que era esperado por qualquer “especialista”.

Mais de três milhões de empresas anunciam atualmente através do Facebook e a maioria delas é de pequenas e médias empresas que costumavam comprar espaço nos jornais. Seu fundador e principal executivo, Mark Zuckerberg, tem sido transparente em relação ao seu objetivo: monopolizar a distribuição digital de notícias. Ele diz que quer que os Instant Articles, doFacebook, sejam a “principal experiência de notícias” das pessoas.

A galinha dos ovos de ouro

Na realidade, isso já vem ocorrendo, como revela a pesquisa do Instituto Reuters. Para milhões de usuários, o Facebook é sua janela para o mundo, o seu “Diário do eu”. Fornece informações pessoais íntimas, por meio das mensagens de amigos, e, ao fazê-lo, destrói em grande parte o valor dos jornais locais. Além disso, também oferece, naturalmente, acesso ao noticiário nacional e internacional através de suas listas de tendências das notícias.

As pessoas passam mais tempo no site do que jamais passaram lendo jornais. Um estudo feito pelo Centro de Pesquisas Pew no ano passado revelou que 30% da população adulta norte-americana considerava o Facebook sua principal fonte de todas as notícias. No geral, o Facebook comanda mais de 80% do mercado das redes sociais.

Como observou Emily Bell [diretora do Centro Tow, da Universidade de Columbia] em sua palestra no Cudlipp Memorial, em 2015, o jornalismo não passa de “um fio fino numa imensa tapeçaria global de conversação e informação”. Fino e, em minha opinião, com a probabilidade de ficar cada vez mais fino.

Por quê? Porque o Facebook é um parasita: ele se alimenta de seu anfitrião, o jornalismo, e pouco a pouco vai chupando seu sangue vital. O Facebook quer que acreditemos que sua relação com a mídia é uma de locador e locatário, uma parceria mutuamente benéfica. Mas a realidade é que o locador, o Facebook, ao atrair audiências dos principais provedores de notícias e seduzindo seus financiadores, os anunciantes, vem gradativamente levando à falência seus locatários jornalísticos.

Numa rápida mudança de analogia, o perigo é que o Facebook possa estar num processo de matar a galinha (os jornais) que põe os ovos de ouro (o conteúdo).

PARA LER A ÍNTEGRA, NO ORIGINAL, CLIQUE AQUI.

(*) Roy Greenslade é professor de jornalismo e mantém um blogue no jornal britânico Guardian. O artigo, traduzido por Jô Amado, foi publicado originalmente no maior portal brasileiro da área de mídia, o OBSERVATÓRIO_DA_IMPRENSA.

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