A coragem das decisões necessárias – por Luís Henrique Kittel
“Líderes responsáveis compreendem que governar não é apenas agradar...”

Neste dia de Natal, poderíamos estar aqui fazendo uma reflexão sobre o nascimento do Menino Jesus, sobre os valores que aprendemos em casa, em família, e sobre o verdadeiro significado desta data. Poderíamos escolher outros caminhos, outras abordagens, mais confortáveis e simbólicas.
Mas a pauta de hoje é liderança. E liderança, muitas vezes, exige tratar justamente dos temas que ninguém gostaria de discutir em datas especiais. Exige colocar em primeiro plano aquilo que a sociedade realmente precisa, e não apenas o que soa melhor ao ouvido.
Em tempos de redes sociais, manchetes rápidas e discursos moldados para agradar, é cada vez mais necessário fazer uma distinção clara: decisão responsável precisa estar sempre em primeiro plano. Governar não é um jogo de conveniências, nem um exercício permanente de aplausos. É, acima de tudo, a capacidade de tomar decisões que precisam ser tomadas, mesmo quando elas não são populares.
Existe uma diferença profunda entre política pública e jogo político. A primeira nasce da realidade, dos números e das urgências concretas da sociedade. O segundo, da tentativa permanente de agradar, de adiar escolhas difíceis e de transformar decisões técnicas em disputas eleitorais.
Um exemplo emblemático é a reforma da previdência. Independentemente de posições ideológicas, os dados sempre foram claros: o sistema, da forma como está estruturado, torna-se cada vez mais insustentável. Envelhecimento da população, aumento da expectativa de vida e desequilíbrio entre quem contribui e quem recebe exigem mudanças. Ainda assim, por tocar em direitos e expectativas legítimas, a discussão sempre foi marcada por resistência, ruído político e discursos fáceis.
Fazer a reforma não é uma decisão confortável. Mas adiar ajustes necessários apenas transfere o problema para as próximas gerações, tornando a conta maior e mais injusta. Nesse caso, não decidir também é uma decisão.
Líderes responsáveis compreendem que governar não é apenas agradar, mas garantir sustentabilidade. Não existe política pública sólida baseada apenas em popularidade momentânea. Existe, sim, a obrigação de olhar para o longo prazo, mesmo quando isso custa apoio imediato.
A tentativa de agradar a todos é inviável. Não existe unanimidade em decisões estruturais. Liderar é assumir riscos, enfrentar o desgaste e sustentar escolhas que são necessárias para que o sistema continue funcionando. No fim, a pergunta que deve orientar o debate público não é “isso rende aplausos?”, mas “isso é necessário?”. Porque quando a política se rende à politicagem e foge das decisões difíceis, quem paga a conta não é o governante, é a sociedade.
(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.





Parabéns prefeito Kittel, a previdência é dos servidores públicos, e foi mal conduzida no passado ( em vários municípios ), mas afeta toda a população do município.
Adequar a previdência via reforma é uma maneira de garantir que todos os servidores públicos tenham assegurado os benefícios ( aposentadoria/pensão ) até o final de suas vidas.
A reforma da Previdência deve ser analisada tecnicamente ( é um cálculo matemático ), e não de forma “politiqueira”, inclusive deveria ser tratada a nível de partidos no estado, porque quem decide são os vereadores, e precisa maioria qualificada. Então os partidos tem que orientar os vereadores, porque o partido que é base do governo em um município é oposição em outro município.
É um assunto muito sério e vai determinar o futuro do município e dos servidores públicos, para dar espaço para politicagem.