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Brasil, mostra a tua cara – por Daniel Arruda Coronel

Desde 2014, a economia brasileira vive uma crise sem precedentes, a qual é alimentada pela crise política e vice-versa. O resultado disso foi o aumento do desemprego, o aumento do risco-país, da inflação e baixas taxas de crescimento e, como ápice dessa turbulência, deu-se o processo de impeachment da ex-presidente Dilma.

Não obstante a isso, quando a economia começava a dar pequenos sinais de recuperação, a sociedade brasileira assistiu a mais um capítulo nefasto da promiscuidade entre Executivo, Legislativo e setor privado, dando a entender, conforme os diálogos amplamente divulgados pelos meios de comunicação, que o jeitinho, o clientelismo, o populismo e o patrimonialismo estão enraizados da política brasileira, embora pensadores como Manuel Bomfim e Raimundo Faoro já tivessem nos alertado sobre isso.

Neste sentido, o que mais choca a sociedade é que os valores éticos, morais e republicanos estão indo cada vez mais para o fosso negro da história e isto abre um leque para propostas e ações populistas e para um estado de exceção, do qual sabemos muito bem o resultado, ou seja, o garroteamento das liberdades e da livre expressão.

Neste contexto, cada vez mais fica a pergunta: o que fazer? A primeira ação não é aceitar isso como legítimo e digno, mas, sim, defender a apuração completa dos fatos e a responsabilização para quem foi perdulário com o erário público, e a segunda atitude é a sociedade civil organizada, de forma pacífica, defender e buscar dos governantes um projeto de nação de cunho desenvolvimentista, com redução dos juros, com incentivo ao setor de produção, com taxas de câmbio e juros competitivas, com reformas trabalhistas e previdenciárias, sem perdas de direitos, com  investimentos em ciência e tecnologia e, principalmente, uma reforma política ampla, visando modernizar o atual sistema político. Caso isto não seja feito, infelizmente a economia não crescerá e continuaremos a ter os chamados voos de galinha e a conviver diuturnamente com teses e pronunciamentos defendendo o estado de exceção e a privação das liberdades.

Enfim, neste momento, a sociedade civil organizada  precisa deixar de lado suas vaidades e projetos pessoais e lutar para que tenhamos uma pátria livre, digna, sem a perpetuação do patrimonialismo, pois, caso isso não seja feito, infelizmente serão válidas as palavras do jurista  Rui Barbosa: “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

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