ÓDIO. “O que leva o ser humano a um estado tal de desprezo pela vida?”, questiona Orlando Fonseca

“Pode ser que com a profusão de morticínios violentos, perpetrados por gente comum – sem ficha policial, sem antecedentes de reações abruptas, radicalismos ou defesa intransigente de ideologias –, dentre ilustres figurões da classe abastada, ou ilustres desconhecidos da classe trabalhadora (assalariados ou desempregados) nós, um pouco mais bestificados a cada notícia, vamos perdendo a virtude de nos surpreender e indignar com mortes estúpidas. Nas últimas semanas, fomos sacudidos com as notícias de um ricaço, do alto de um dos mais vistosos hotéis de Las Vegas, metralhando uma multidão de espetadores inocentes de um show de música country; e de um vigia de escola que, de repente, adentra a sala de uma creche, no norte de Minas Gerais, esparrama combustível sobre crianças e professora e depois ateia fogo em tudo, incluindo ele mesmo. A nós resta apenas a indagação: o que leva o ser humano a um estado tal de desprezo pela vida humana?

Não há dúvida que as redes sociais, e outras mídias – cinema, televisão, games – banalizaram a violência, colocando diante dos olhos, por onde se penetra no imaginário social, toda sorte de vileza entre humanos: intrigas, trapaças, atos cruéis, danças marciais, máquinas mortíferas, capazes de arrancar sangue e tirar a vida de uma pessoa, como se tirasse uma macega com raiz e tudo, como se esmigalhasse uma pedra a atrapalhar o caminho. Quando os humanos viviam em condições de barbárie, morando em cavernas, tendo que lutar dia a dia por sua sobrevivência, não é difícil de imaginar que as coisas fossem mais ou menos assim. Naquele tempo, não havia diálogo, não havia regras morais ou sociais. Difícil é aceitar que, com milênios de civilização, ainda surjam e se avolumem grupos de ódio por razões – como se fosse possível colocar a racionalidade nisso – raciais, questões de gênero ou divergências ideológicas. Seria o ódio – em seu paroxismo – uma doença? Porque nos parece, em suas consequências nefandas, aparentada com a loucura…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Humanidade doente”, de Orlando Fonseca. Orlando é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura, PUC-RS, e Mestre em Literatura Brasileira, UFSM. Exerceu os cargos de Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e de Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados, foi cronista dos Jornais A Razão e Diário de Santa Maria. Tem vários prêmios literários, destaque para o Prêmio Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela Da noite para o dia, WS Editor; também finalista no Prêmio Açorianos, da Prefeitura de Porto Alegre, pelo mesmo livro, em 2002.



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