ARTIGO. Luciano Ribas e mensagens ofensivas que dizem mais sobre quem as usa do que sobre os alvos

ARTIGO. Luciano Ribas e mensagens ofensivas que dizem mais sobre quem as usa do que sobre os alvos

ARTIGO. Luciano Ribas e mensagens ofensivas que dizem mais sobre quem as usa do que sobre os alvos - luciano-ribas-artigoBoca suja

Por LUCIANO DO MONTE RIBAS (*)

Sei que sou uma pessoa um pouco antiquada (do tempo em que uma discussão precisava ser feita com argumentos), mas não consigo entender como alguém pode rebater uma ideia com expressões como “boca suja”, “animal” ou “jumento”. Ou com qualquer outro adjetivo usado exclusivamente para agredir alguém, em qualquer contexto ou assunto. Para mim, quem faz isso diz muito mais sobre si mesmo do que sobre aquele a quem pretende agredir e, exatamente por isso, não pode ser ignorado.

Nessa linha, penso que atitudes como essas simplesmente não deveriam ser tratadas com normalidade. Não são e jamais poderão ser. Pelo contrário, são retratos do grau de falência daquilo que um dia chamamos de democracia, bem como do quanto a violência está entranhada no nosso quotidiano. E, até prova em contrário, a violência é a negação absoluta da civilização.

Sintoma de algo muito profundo e resultado de uma estratégia autoritária articulada globalmente, essa “nova era” onde o tosco, o bruto e o violento se tornaram aceitáveis nas relações interpessoais precisa ser combatida. Uma pessoa ofender a outra por conta de uma opinião divergente – lembrando que discurso de ódio jamais será opinião – não está certo, sob nenhum ponto de vista que esteja acima da bestialidade. Nem mesmo quando o exemplo vem “de cima” e expressões como “só não te estupro porque você não merece” se tornam objeto de risos na boca de gente embrutecida.

Por tudo isso é que decidi pinçar o xingamento dirigido a mim por um “intelectual” da província na última semana e colocá-lo no título. Não para respondê-lo, mas para usá-lo como argumento para um pedido: divirjam de mim, mas o façam com argumentos.

Me provem por A + B que é certo comer veneno, matar a UFSM à míngua, negar aposentadoria aos mais pobres, beneficiar os filhos com cargos públicos, armar os ricos, ser juiz acusador, manter laranjas e funcionários fantasmas, usar a lei para interesses políticos mal disfarçados, destruir a indústria audiovisual, acabar com direitos trabalhistas, banir milhares de médicos que atendiam à população, exterminar índios, devastar a Amazônia, alinhar o Brasil aos interesses e valores do fundamentalismo, vender o patrimônio dos brasileiros a troco de banana, lamber as botas dos EUA, destruir a pesquisa, desacreditar instituições sérias como o INPE e o IBGE, afrontar a liberdade de imprensa, condenar pessoas sem provas, elogiar o obscurantismo e cometer tantas barbaridades capazes de arrastar o Brasil de volta ao século XIX.

Mas o façam sem xingamentos e sem reproduzir chavões rasos como piscina de plástico. É só o que peço.

(*) LUCIANO DO MONTE RIBAS é designer gráfico, graduado em Desenho Industrial / Programação Visual e mestre em Artes Visuais, ambos pela UFSM. É um dos coordenadores do Santa Maria Vídeo e Cinema e já exerceu diversas funções, tanto na iniciativa privada quanto na gestão pública. Para segui-lo nas redes sociais: facebook.com/domonteribas – instagram.com/monteribas

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: A foto, também do autor do artigo, é de pessoas circulando no centro de Montevidéu, capital uruguaia.



1 comentário

  1. O Brando

    Hummm….Fácil. Autor tem a concepção infantil de que a humanidade precisa da aprovação moral do mesmo e corresponder às suas expectativas idealistas. Nada que uns 20 anos de psicanálise não resolvam.

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