CORONAVÍRUS. “Prazo dado de 15 dias se esgotou e nada ou muito pouco foi feito”, reclama o Sindilojas

CORONAVÍRUS. “Prazo dado de 15 dias se esgotou e nada ou muito pouco foi feito”, reclama o Sindilojas

CORONAVÍRUS. “Prazo dado de 15 dias se esgotou e nada ou muito pouco foi feito”, reclama o Sindilojas - maiquel-comércio

“Só queremos as mesmas condições dos coirmãos para enfrentar essa crise em pé. O remédio não pode ser mais mortal do que a doença”

Por MAIQUEL ROSAURO (com foto de Arquivo/Sindilojas), da Equipe do Site

O Sindicato dos Lojistas do Comércio de Santa Maria (Sindilojas) divulgou uma dura nota contra o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) e o governador Eduardo Leite (PSDB) em razão do fechamento do comércio em Santa Maria. O manifesto, assinado pelo presidente da entidade, Ademir José da Costa, critica as restrições impostas ao comércio a fim de impedir a proliferação de covid-19 no município.

No comunicado, o Sindilojas ressalta que 60 mil pessoas vivem do comércio em Santa Maria, com 15 mil empregos diretos. A entidade aponta que tal realidade não é conhecida dos governantes, uma vez as lojas estão proibidas de abrir as portas.

“Em todo o país, decretos estaduais e municipais, como o Decreto Municipal n° 55, de 20 de março, assinado pelo prefeito Jorge Pozzobom, impedem os pequenos lojistas de trabalhar. Diz-se que o temor é pela vida de centenas de milhares de brasileiros que, se infectados, tendem a colapsar o sistema público de saúde. Que o isolamento e a suspensão dos serviços não essenciais era vital para preparar uma infraestrutura de saúde capaz do enfrentamento da epidemia. O prazo dado de quinze dias se esgotou e nada ou muito pouco foi feito. Já o prejuízo econômico e social é incalculável”, diz trecho da nota.

O manifestou também aponta que a arrecadação gerada pelo comércio é essencial para evitar o colapso na saúde pública. Ao final, a entidade solicita o fim das restrições ao trabalho dos lojistas.

“Vamos falar de essencialidade, governador e prefeito? O comércio lojista é essencial para colocar comida na mesa de cerca de 60 mil pessoas, em nossa cidade. É essencial para a arrecadação de impostos que deveriam evitar o colapso da saúde em meio a uma pandemia”.

Coronavírus

Conforme a Prefeitura de Santa Maria, o município REGISTRA nove casos confirmados de covid-19 e 509 suspeitos. Abaixo, confira na íntegra a nota divulgada pelo Sindilojas:

MANIFESTO – Por 60 Mil Pessoas Que Vivem Do Comércio Em Santa Maria

No dia em que o Decreto Municipal n° 55, que suspende o funcionamento dos serviços essenciais deixaria de ter vigência, permitindo a volta das atividades, o Sindilojas Região Centro expressa o sentimento de milhares de empresários santa-marienses através de um manifesto em nome de quem vive do comércio. Leia:

 Os micro e pequenos empreendedores compõem 82% das empresas de Santa Maria. São eles a grande força econômica e empregatícia de nossa cidade. Só o comércio é responsável por mais de 15 mil empregos diretos. Ainda. Mas o coronavírus nos mostra que a grande maioria dos brasileiros desconhece essa realidade. Dentre eles, nossos governantes.

 No caso do comércio, o pequeno lojista é aquele que usa o cheque especial como capital de giro; que compra estoque a prazo com fornecedores; que mata um leão por dia. Para o pequeno lojista, não há “gordura para queimar”. A “gordura”, nesse caso, é o emprego do brasileiro.

 Em todo o país, decretos estaduais e municipais, como o Decreto Municipal n° 55, de 20 de março, assinado pelo prefeito Jorge Pozzobom, impedem os pequenos lojistas de trabalhar. Diz-se que o temor é pela vida de centenas de milhares de brasileiros que, se infectados, tendem a colapsar o sistema público de saúde. Que o isolamento e a suspensão dos serviços não essenciais era vital para preparar uma infraestrutura de saúde capaz do enfrentamento da epidemia. O prazo dado de quinze dias se esgotou e nada ou muito pouco foi feito. Já o prejuízo econômico e social é incalculável.

No Rio Grande do Sul, com decretos e mais decretos, o governador, em atitudes juridicamente ambíguas, fecha o comércio, abre, fecha novamente com mínima margem de operação, e logo depois volta a restringir, brincando com o anseio de trabalho de uma categoria à beira da falência. E essa categoria se pergunta: “por que só nós?”. “Porque provocam aglomerações e apenas movimentam a economia através da comercialização de produtos não essenciais”, dizem o prefeito e o governador.

 Comercializá-los, nesse momento, é tão “não essencial” quanto produzi-los. No entanto a indústria está liberada para trabalhar. E se movimentar a economia não é importante em meio à pandemia, para que mais serve a construção civil, também liberada para trabalhar? Por que a preocupação de aglomerar pessoas em lojas não é a mesma com os restaurantes e bares, também liberados a trabalhar?

 Ao fim do mês de março, o comércio propôs atuar atendendo a rigorosos parâmetros. Dentre eles, receber um cliente por vez no interior das lojas. O pedido não foi negado. Foi ignorado. Enquanto isso, é permitido que supermercados aglomerem centenas de pessoas, justificando tal ato com um tubo de álcool gel na porta. Comercializando, roupas, calçados, bazar, eletroeletrônicos e eletrodomésticos, mesmos produtos não essenciais que somos impedidos de vender para sobreviver.

Vamos falar de essencialidade, governador e prefeito? O comércio lojista é essencial para colocar comida na mesa de cerca de 60 mil pessoas, em nossa cidade. É essencial para a arrecadação de impostos que deveriam evitar o colapso da saúde em meio a uma pandemia. Não a restrição do trabalho, que pode gerar desemprego, fome, pobreza e criminalidade. Só queremos as mesmas condições dos setores coirmãos para enfrentar essa crise em pé. O remédio, governador e prefeito, não pode ser mais mortal do que a doença.

Atenciosamente,

Ademir José da Costa

Presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Santa Maria



4 comentários

  1. Zureta Komaroff

    Vamos abrir os mercados e o comércio aos domingos então, depois que isso tudo passar, pra minimizar os “prejuízos“, pode ser?

  2. T

    Os empresários dessa cidade só sabem reclamar, pois com 1 milhão de formas de vender on-line ficam totalmente dependentes de vendas boca a boca. E maioria não planeja as vendas. Fiquem em casa.

  3. O Brando

    Debate está impossibilitado. Virou uma polarização entre Bolsonaretes e Mandettetes. Últimos acontecimentos, isto é, o circo aconteceu porque Nhonho declarou em teleconferência com Itau e Valor econômico que Cavalão ‘não tem coragem’ de demitir o ministro da saúde e mudar a politica de isolamento. Grande mídia faturou bastante com especulações, fofocas e chutes. O que mudou no mundo prático? Nada. É só barulho, pouca informação.
    Voltando para a querência, a confusão aconteceu porque existiam clusters da doença em três ou quatro municípios e foi decretada transmissão comunitária em todo o estado.
    O espirito da população é bem fácil de apreender. Obvio que entre os paranoicos e os ‘não tô nem aí’ existem 65536 tons de cinza. A grande maioria não quer mortes. Ou seja, o ‘perigo real e imediato’ é o vírus. A promessa é que no futuro ‘tudo se acerta’. Passada a pandemia (a catástrofe que é anunciada todos os dias e não se concretiza, com os efeitos que se vê) vem o ‘farinha pouca meu pirão primeiro’. Não seremos ‘felizes para sempre’, tem gente que vai ‘dançar’.
    Enquanto isto vamos empurrando com a barriga, ‘semana que vem a gente vê’, ‘o modelo matemático’ diz que não ainda ‘não dá’. Talvez tenhamos que esperar o fim da crise nos EUA e na Espanha. Autoridades já sabem que não tem saída ‘boa’. Se liberam agora e começa a morrer gente levam culpa porque ‘soltaram muito cedo’. Se demorarem e aprofundarem a crise vão ‘levar pau’ porque aprofundaram a crise. Negócio é esperar e ver o que acontece.

  4. Eduardo M. Campos

    Parece ser uma situação entre a cruz e a espada para os gestores públicos. Curioso é que se perguntar pra quem quer liberar o comércio se assinaria uma recusa de vaga na saúde pública assumindo o risco dos seus empregados e das mortes pela sobrecarga do sistema, não aparece nenhum.

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