Eleições 2020PolíticaSanta Maria

COLUNA. José Mauro Batista, campanha eleitoral e o pensamento estratégico sobre o futuro de Santa Maria

Santa Maria precisa pensar no seu futuro (Parte 2)

Por JOSÉ MAURO BATISTA (*)

No artigo da semana passada ESCREVI sobre a emergência de Santa Maria pensar no seu futuro para além do curto e médio prazos, o que inclui escolhas que faremos agora. Evidentemente que uma campanha para a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, como está ocorrendo agora, não propicia tempo suficiente para que assuntos de envergadura sejam tratados com alguma profundidade.

Nas eleições deste ano, pelo óbvio, os candidatos estarão (ou ao menos deveriam) preocupados com temas mais urgentes e emergentes do tipo “para ontem”. Nesse cenário, a pandemia do coronavírus terá um lugar de destaque na pauta eleitoral em qualquer cidade onde haja eleição.

A agenda política deste ano, portanto, reservará espaço, em grande parte, para questões como deficiências na saúde pública, desemprego e fechamento de empresas, entre outros. Paralelamente a isso, candidatos a prefeito terão que abordar outras questões do dia a dia, como buracos nas ruas, esgotos a céu aberto, vagas em creches e a falta de dinheiro para resolver essas questões mais triviais. Não há como fugir disso. No entanto, é de esperar que os programas de governo apontem pelo menos algo mais consistente em relação ao futuro da cidade, mesmo que em forma de intenção.

Mas voltando à discussão sobre o futuro a longo prazo, creio que Santa Maria deve debater questões que hoje talvez não atinjam a todos, mas que daqui a meio século (talvez antes) irão tornar a vida das próximas gerações melhor ou bem mais difícil. Esse rol inclui trânsito, infraestrutura, habitação e educação, entre outros.

Algumas das obras que melhoraram a cidade nos últimos anos foram planejadas e propostas décadas antes, como é o caso do Viaduto Evandro Behr, que nasceu na prancheta do arquiteto e urbanista Danilo Landó. A chamada ligação Norte-Sul é apenas uma das muitas obras de um conjunto de melhorias urbanas propostas por Landó e outros profissionais que trabalhavam com ele. Hoje ninguém concebe o centro de Santa Maria sem aquele pequeno mas fundamental viaduto pensado como parte de algo muito maior, não viabilizado.

Da mesma forma, se não fosse o médico e educador José Mariano da Rocha Filho conceber e liderar uma campanha pela ampliação do Ensino Superior talvez Santa Maria não tivesse a Universidade Federal. Mariano começou a pensar em uma universidade no coração do Estado lá em 1945, décadas antes da cidade vir a sediar a primeira instituição federal do interior do Brasil. É indiscutível o papel de Mariano como líder desse processo, que, obviamente, uniu outros santa-marienses.

A instalação da UFSM é um exemplo de luta pertinaz, assim como a Universidade Franciscana (UFN), que nasceu de instituições criadas muito tempo antes. Nesse caso, há que se reconhecer, pelo menos nos últimos anos, o empreendedorismo da irmã Iraní Rupolo para transformar uma faculdade em centro universitário e, depois, em universidade. Mas como Mariano, Iraní também teve apoio de outras pessoas que acreditaram na possiblidade de uma universidade privada em Santa Maria.

Mesmo sobre aquelas questões que não estejam na sua esfera de decisão Santa Maria pode exercer alguma influência. Afinal, até para conseguir dinheiro (quando há), é preciso apresentar um projeto convincente.

Parte de Santa Maria já compreendeu isso, tanto que alguns candidatos não só gostaram do meu artigo anterior como também enfatizaram que a cidade precisa, sim, estar preocupada com agendas que vão além de algumas poucas décadas. A cidade já tem alguns estudos sobre desenvolvimento, material que pode e deve ser aproveitado.

(*) José Mauro Batista é jornalista. Até recentemente, editor de Região do Diário de Santa Maria. Antes foi repórter e editor do jornal A Razão. Escreve no site semanalmente, aos domingos.

Observação do editor: a foto (sem autoria determinada) de Santa Maria, é uma reprodução da internet.

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2 Comentários

  1. Ponto não bem esclarecido na história da UFSM (e da UFRGS): nasceram de faculdades isoladas pré-existentes, eram públicas ou privadas?
    Aldeia. Comercio de rua vai sofrer. Cinemas da cidade idem, alguns lançamentos já estão indo diretamente para streaming. Setor cultural no mesmo estado, alás a Cesma, um dos esteios culturais da urb, como está?

  2. Ponto não bem esclarecido na história da UFSM (e da UFRGS): nasceram de faculdades isoladas pré-existentes, eram públicas ou privadas?
    Aldeia. Comercio de rua vai sofrer. Cinemas da cidade idem, alguns lançamentos já estão indo diretamente para streaming. Setor cultural no mesmo estado, alás a Cesma, um dos esteios culturais da urb, como está?

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