
Por Bruna Homrich / Da Assessoria de Imprensa da Seção Sindical dos Docentes da UFSM
Recentemente, quatro casos da variante delta foram confirmados em Santa Maria. No mundo todo, essa nova cepa de vírus tem gerado sinais de alerta, novas ondas de lotação em hospitais, endurecimento das medidas restritivas de convívio e pesquisas referentes a uma possível terceira dose de reforço das vacinas. Em entrevista à Assessoria de Imprensa da Sedufsm, o médico e professor da UFSM, Marcos Lobato, explicou que as preocupações justificam-se pelo fato de a nova variante ser muito mais transmissível que as anteriores.
“A variante Delta tem uma capacidade de transmissão muito maior que a variante original – em torno de três vezes. É pelo menos 50 por cento mais transmissível que a variante P1, ou Gama. Isso significa que, com a chegada da variante Delta podemos ter um crescimento muito mais rápido de casos e isso acabar causando grandes problemas no acesso aos serviços de saúde. Essa é a maior preocupação”, diz Lobato, ressaltando que, embora não existam evidências científicas que apontem para uma maior letalidade desta cepa, o fato de ela ser mais transmissível leva a que mais pessoas contaminem-se num curto período de tempo e, consequentemente, a que uma nova onda de internações e óbitos ocorra.
E, mesmo que, devido ao avanço da vacinação, Santa Maria não volte a registrar um cenário tão desesperador quanto o observado nos meses de março a maio de 2021, se a variante Delta levar a cidade a uma fração do que foi aquele período, a situação já será grave. “Se tivermos metade do número de casos, a gente terá ainda assim um número muito alto de óbitos e internações”, alerta o médico.
Contudo, ele também salienta: em outras partes do mundo nas quais a variante Delta chegou com mais antecedência, o aumento do número de contagiados não ocorreu na mesma proporção que o aumento do número de internações e óbitos. Nos Estados Unidos, cita o docente, as pessoas que estão internando e morrendo em maior proporção são aquelas que optaram por não se vacinar.
A esperança da vacina
Lobato cita que, tanto no Rio Grande do Sul quanto em Santa Maria, a cobertura vacinal já chega perto de 100% para aquelas pessoas pertencentes aos grupos de maior risco.
“Sem dúvida a vacinação é a coisa mais importante que temos. Para o Brasil, tem sido a grande tábua de salvação. É o que está segurando os óbitos e as internações. Vacina é o que está nos salvando. Vacina é o que vai resolver a pandemia. Não foi e não será nenhum tratamento precoce. Aquilo foi um engodo e só piorou a pandemia. O número de casos só diminuiu depois de termos aumentado a cobertura vacinal”, pondera, associando a redução das internações e óbitos em Santa Maria ao processo de imunização.
Contudo, ainda que a vacina (com as duas doses) seja bastante eficaz contra a delta, o alto potencial de contágio da nova variante leva a que seja necessária uma rápida detecção dos novos casos. E, neste sentido, a recomendação médica tem sido a rápida testagem. Ou seja: ao menor sintoma que possa ser associado à Covid-19, deve-se procurar um local que realize o teste. A delta vem ficando conhecida por apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe, a exemplo de coriza, ardência na garganta e dor de cabeça.
Lobato diferencia o teste-rápido e o PCR. Ambos são importantes, mas é preciso ter alguns cuidados.
“Por mais rápido que possamos fazer, os PCRs demoram até 3 dias para retornarem com a resposta. O teste-rápido nos ajuda a detectar o caso rapidamente, e a tomarmos as medidas de restrição e isolamento dessas pessoas com mais facilidade”, explica, informando que o município deve receber uma boa quantidade de testes, já que, além dos que ele próprio comprou, virão remessas dos governos estadual e federal.
“Daí é possível sim garantirmos uma boa quantidade de testes para fazermos as triagens. O problema é o uso adequado desses testes. A gente não pode fazer teste-rápido em suspeitos que estão assintomáticos, porque ele é muito ruim para detecar o vírus em pessoas sem sintomas. Então, quem está sem sintomas e quer testar porque teve contato com alguém [infectado], tem que fazer o teste de PCR. O teste rápido não pega o vírus com essa sensibilidade toda”, esclarece Lobato.
E, se uma pessoa sintomática realizou o teste-rápido e recebeu um resultado negativo, deve realizar um teste PCR para confirmar o diagnóstico. “O teste-rápido não descarta nenhuma doença. Ele só é válido quando dá positivo. Quando dá negativo, ele tem muito erro”, orienta o médico…”
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