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A geração do medo – por Marionaldo Ferreira

O Brasil tem marcas profundas que não se apagam facilmente. Uma delas é o medo. A geração nascida a partir de 1950 foi moldada por esse sentimento, que não surgiu por acaso, mas foi cuidadosamente cultivado pelo regime de exceção.

Desde cedo, essa geração ouviu dos mais velhos frases que ecoam até hoje: “não fala sobre isso”, “melhor não se envolver”, “fica quieto que é mais seguro”. Essa pedagogia do silêncio foi a arma mais cruel do autoritarismo: calar vozes, sufocar ideias e reduzir a cidadania a um ato de sobrevivência.

O resultado? Uma geração que aprendeu a desconfiar, a se esconder, a acreditar que exercer direitos era perigoso. O maior crime da ditadura não foi apenas a violência direta contra opositores, mas a violência psicológica que transformou o medo em parte da vida cotidiana. O medo de ser cidadão.

E o mais grave é perceber que muitos desses medos ainda permanecem. Ainda vemos pessoas com receio de se manifestar, de questionar governos, de ocupar as ruas. Ainda há quem prefira o silêncio à coragem de exigir mudança. Essa herança do autoritarismo é um veneno que continua limitando a democracia.

Mas não podemos aceitar que o medo siga governando nossas vidas. O Brasil precisa de uma nova geração que transforme o silêncio em palavra e o medo em coragem. Uma geração que compreenda que cidadania não é concessão do Estado, mas conquista do povo.

A democracia só se fortalece quando é vivida todos os dias. O que o regime autoritário tentou apagar, cabe a nós reconstruir: a coragem de ser cidadão.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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3 Comentários

  1. Resumo da opera. Passado remoto não importa mais. Não adianta ‘catar milho’ na historia e ignorar uma parte. A geração nascida a partir de 1950 tem que desocupar a moita, já fez seu ‘serviço’.

  2. Segundo. Para uma ‘democracia’ ser considerada como tal as pessoas devem ter um minimo de controle sobre o que acontece no pais via atuação do Estado. O que é visto? Eleições. Depois a classe politica pega um cheque em branco e faz o que bem lhe convier.

  3. Duas coisas. Primeio. Jornadas de junho de 2013. Tarifas. Depois saude e educação. Falhas da democracia representativa. Deu em absolutamente nada.

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