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Sua empresa não precisa de um ‘social media’ – por Guilherme Bicca

“A ‘eugência’ segue por aí. Porém, o mercado equivocadamente a chama de...”

Trabalho com comunicação institucional e corporativa desde que me formei em jornalismo, há pouco mais de quinze anos. 

Como jornalista, tinha mais boletos a pagar do que vocabulário. E quando oferecia meus serviços de assessoria de imprensa e geração de conteúdo, era apresentado à necessidade dos empresários por artes gráficas e gerenciamento de sites (e mais tarde redes sociais). 

Resumo da ópera: como jornalista, por muitos anos fui uma “eugência”. Sem muito planejamento… apenas absorvia as demandas dos clientes e executava o que era necessário. 

Cobrava o escanteio e corria para área, na tentativa de cabecear. E não. Eu não me orgulho (muito) disso. 

Mas a prática me obrigou a estudar e também me permitiu liderar equipes multidisciplinares com papéis definidos. Foi aí que eu percebi: cada profissional tem um valor imenso e de retorno imensurável quando é capaz de focar na sua especialidade.

Mas a “eugência” segue por aí. Porém hoje, o mercado equivocadamente a chama de “social media”.

Com frequência empresários me perguntam “Bicca… tem um bom social media pra me indicar?”. 

Mas ao ouvir as demandas da função percebo que muitos gestores fazem confusão na hora de buscar pessoas para tocar sua comunicação. 

Na maioria dos casos, por uma questão de economia, ou até de desconhecimento, acabam por colocar todas as responsabilidades de comunicação e marketing na mão (ou no colo) de um só profissional. 

É nessa hora que visam a contratação de um social media. Um profissional multifacetado, capaz de fazer tudo: criar posts, legendas, textos, roteiros, gravar e editar vídeos, animações, fotografia, tráfego pago, gestão web, etc. 

Mas tal “figura” capaz de fazer isso tudo já tem nome: agência. Quando uma empresa necessita que tudo seja feito, ela precisa contratar uma agência, e não um social media

Chega a ser injusto colocar toda essa responsabilidade nas costas de apenas um profissional, esperando que ele faça tudo. 

Inclusive responder as mensagens que chegam inbox nas redes sociais e que deveriam ser atribuição, olha só… do time de vendas. 

E sabe o que é pior? O profissional, super bem intencionado (e precisando de novos clientes) até tenta, mas não consegue.

Então, que tal separarmos as coisas? Abaixo destaco em tópicos as principais atribuições de um social media

  • – Planejar o conteúdo a ser publicado a médio e longo prazo com base no brieffing do cliente.
  • – Estudar o público de interesse da empresa, tendências do setor e concorrência para embasar esse planejamento.
  • – Organizar o calendário de postagens, tanto editorial quanto promocional (em consonância com campanhas criadas pelo marketing ou agência) 
  • – Analisar as métricas daquilo que já foi postado e encontrar soluções quando o resultado não é satisfatório. 

O social media também pode, claro, verificar se a empresa usa a rede social correta com vistas em seu público, e propor assim a criação de contas em outras redes; além de sugerir pautas e ser responsável pela redação de roteiros e legendas dos posts. 

Mas pelo que um social media não é responsável e as empresas geralmente confundem? 

  • – Design e criação de artes de postagens do zero (ele pode sim manipular artes bases para encaixar novos conteúdos, dentro de uma identidade visual preestabelecida). 
  • – Criar e gerenciar campanhas de tráfego pago. Existem profissionais especializados nisso. Ou a empresa contrata um, ou contrata uma agência que ofereça o serviço. 
  • – Gravação, edição e animação de vídeos. 
  • – Captação de vídeos e imagens. Bom… aqui existe uma certa “licença poética” pois a necessidade de criar conteúdos orgânicos coloca o social media na responsabilidade de captar imagens. Mas em casos de ensaios para campanhas mais elaboradas é preciso contratar um fotógrafo profissional. 
  • – Webdesign, criação, edição de sites, UX design, criação de conteúdo para sites e etc. 
  • – Criação e planejamento de campanhas publicitárias. 
  • – Organização de eventos e captação de patrocínios. 

Ou seja, se sua empresa precisa que um profissional faça tudo que está nas duas listas, ela não precisa de um social media. Ou melhor: não precisa SÓ de um social media

E, como já disse, não dá pra jogar toda essa responsabilidade no colo de apenas um profissional. Sua empresa precisa de uma equipe. Ou de uma agência. 

Muito caro? Falamos disso em um próximo artigo…

(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa MariaGuilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.

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6 Comentários

  1. Resumo da opera. Em São Paulo as pessoas tem que matar um leão por dia e destruir uma plantação de pepinos por mes. Os mais infortunados tem que liquidar um ou dois predadores por ano e talvez um dragão. Sem esquecer de desviar das cobras e da ração costumeira, engolir sapos. Na aldeia, interiorana e atrasada, é tudo mais simples, existem cobras, mas o trabalho maior é desviar das antas.

  2. Ultimo quiproco. Ianques importam anualmente algo como 44 bilhões de dolares. O total anual de importações ianques é algo como 3,4 trilhões de dolares. Há que se ter noção do proprio tamanho e da propria relevancia. Brasil exporta 350 bilhões anualmente. Pouco mais de 1% para eles, mais de 12% para nós. Quem quiser ficar ‘brabinho’ tem o direito, mas são dois trabalhos. Obviamente alguns não tem cerebro, só figado. Alguns nem isto tem muito mais.

  3. ‘Sua empresa precisa de uma equipe. Ou de uma agência.’ Quantas empresas da aldeia tem lucratividade grande o suficiente para contratar uma equipe? Ou uma agencia? Sim, porque este serviço tem que se pagar. Alas, muitas empresas depois do ‘esforço inicial’ já não precisam de muita publicidade. Demanda já chegou no nivel adequado da oferta. Não tem publicidade que de jeito na elasticidade.

  4. Na pratica a teoria é diferente. Um dos grandes nós do mercado de trabalho, academia se ‘descolou’ da sociedade. Em SP, por exemplo, existem mais pessoas e mais recursos. Não é incomum encontrar profissionais que tiveram que ralar o couro no mundo real lecionando. Por aqui gente que saiu da graduação, entrou no mestrado e depois no doutorado e pos-doutorado. Tudo o que sabe saiu de livros texto.

  5. ‘Com frequência empresários me perguntam […]’. Truquezinho antigo. Historia pessoal com personagens ficticios e indeterminados para criar maior interesse na ‘historia’. Mais ‘falo frequentemente com empresarios, sou 3.1415927K’.

  6. ‘[…] desde que me formei em jornalismo, há pouco mais de quinze anos.’ Na UFN, bom lembrar. Não na ESPM de SP. Nesta hora vem algum(a) imbecil e fala no ‘complexo de vira lata’ que veio da derrota na Copa de 50 para o Uruguai. Não se trata disto, apesar dos 7 a 1 de muitos anos depois. Há que se ter dimensão das coisas.

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