Tempo perdido – por Marcelo Arigony
“Algo parecia fora do lugar. Ou talvez no lugar certo: parado. Firme...”

Outro dia, andando pela Avenida Rio Branco, reparei que o velho relógio da esquina estava parado. Os ponteiros travados – como se tivessem parado por cansaço, ou por perceber que ninguém mais olha para eles.
Ali, no coração de Santa Maria, enquanto os carros apressados passavam e as telas acesas ditavam o ritmo de quem cruzava a avenida, algo parecia fora do lugar. Ou talvez no lugar certo: parado. Firme. Impávido. Como um lembrete de que nem tudo precisa mudar.
Vivemos um tempo estranho. As promessas duram menos que um story. As relações são assinadas com senha e encerradas por e-mail. A responsabilidade virou cláusula, não mais compromisso. O olho no olho sumiu. O “pode deixar comigo” ficou raro como nascer de estrela.
A maioria já se rendeu.
Mas há – felizmente – alguns (bem) poucos que ainda resistem.
Resistem na ética silenciosa do cafezinho antes da conversa. No gesto de segurar a porta, mesmo sem saber quem vem. No compromisso assumido com aperto de mão – sem QR code, sem recibo. Presença que não se mede em gigabytes, mas em confiabilidade.
Santa Maria, quando quer, lembra. E honra.
Lembra de quem sempre esteve aqui.
De quem não some depois da reunião.
De quem não precisa de marketing para ser decente.
Não sei se a nostalgia voltou.
Mas naquele instante, ela me tomou com tanta força que percebi: não era fuga – era âncora.
Um instinto de quem cansou do passageiro e quer, de novo, o permanente.
Inclusive olhei de novo para o relógio.
E vi que ele estava andando.
Quem tinha parado era eu.
Quem achou que tudo tinha parado… era eu.
Quem queria o antes – era eu.
E talvez isso nem seja problema.
Porque o que nos salva, às vezes, não é resistir à mudança.
É lembrar de onde viemos. E de quem a gente prometeu nunca deixar para trás.
O relógio da Rio Branco pode até ter parado.
Mas alguns princípios seguem marcando o tempo certo.
E se alguém achou que tudo isso foi só nostalgia, bobagem ou perda de tempo…
Pois então que se saiba: este texto sempre foi sobre isso.
Sobre o que se perde.
E – com sorte – sobre o que ainda dá tempo de salvar.
(*) Marcelo Arigony é Advogado, ex-Delegado da Polícia Civil e atual Diretor da ULBRA Santa Maria. Ele escreve no site às quartas-feiras.





Resumo da opera. Tempo perdido é o de Arigony escrevendo a coluna e dos que a leram. Não muda nada. Continua como cola de cavalo.
Casa de Cultura como está, Centro de Eventos parado, Elefante Branco do Cabidão parado, ruas esburacadas. Estoque de imoveis desocupados aumentando. Calçadas com buracos e côcô de cachorro. Que discrimina nada, as calçadas boas também tem.
Ultimos alcaides seguem a receita. Dois anos de cinto apertado, dois anos de ‘realizações’ para garantir a reeleição. E muita marketagem. Não querem e não sabem assumir riscos. Negocio é copiar o que foi feito em outras cidades. Vangloriam-se do maior numero de doutores percentualmente em relação a população ‘ignara’. Mas serve para nada.
Na Alemanha os supermercados majoritariamente não abrem aos domingos. No maximo funcionam até meia noite. Mas para isto não serve como ‘exemplo’.
Um exercito de reclamões. Se faz frio dois ou tres dias no ano já reclamam. Até dos restaurantes. Comparam com Argentina e Uruguai onde tudo teria calefação. Querem o mesmo, sem aumentar a conta. Que nem a 287, querem a concessionaria faça tudo com dinheiro ‘do bolso’ e depois se vire para receber.
Cidade tem muitos causidicos(as) e muitos(as) ‘intelectuais’ de esquerda para ir adiante. Muito debate vazio. Gente que não tem argumentos que foge para os chavões ou para a legislação.
Chauvinismo santamariense é famoso fora daqui. No entanto para todo e qualquer problema a solução tem que vir de fora.
A cidade esta muito ruim (Infelizmente).