Madame de Graffigny – por Elen Biguelini

Françoise d’Issembourg du Buisson d’Happoncourt nasceu em 11 de fevereiro de 1695 no ducado da Lorraine, filha de François d’Happoncourt e Marguerite Callot. Seu pai era membro da aristocracia, embora tivesse o mais baixo título da nobilidade francesa, o de escudeiro.
Casou aos 17 anos, em 1712, com François Huguet, que foi camareiro do Duque de Lorraine e herdeiro de Graffigny, nome que foi adotado pelo casal. O marido era violento e foi preso devido ao tratamento que deu a sua esposa, o uso excessivo de bebida e o jogo. O casal teve cinco filhos, mas todos faleceram antes dos 3 anos. Seu marido faleceu em 1725, deixando-a destituída e em dívidas, ainda que dois anos anteriores a seu falecimento, Françoise já havia conseguido uma separação legal.
Ela voltou a morar com seus pais, mas o falecimento da mãe e posterior segundo casamento do pai a deixou destituída novamente. Ela passou então a morar com uma amiga. Isto se tornou algo frequente em sua vida, a estada em casas de amigos.
Em 1727 conheceu um jovem chamado Léopold Desmarest, com quem iniciou um caso que durou até 1743.
Em 1738 se tornou dama de companhia de de Mademoiselle Guisse, Marie-Élisabeth-Sophie de Lorraine, a futura duquesa de Richelieu. Mas antes de acompanhar sua senhora em Paris, foi acolhida no castelo de Cirey, pela Madame Du Chatelet (1706-1749) e Voltaire (1694-1778), seu amante. As cartas escritas pela autora durante sua estada no castelo foram posteriormente publicadas, apresentando o dia-a-dia do casal.
Após a estada no lar da Madame du Chatelet, acompanhou sua senhora em Paris, o que a colocou junto a elite cultural da cidade, o que continuou mesmo após o óbito da amiga, curtos dois anos após sua chegada à Paris.
A estada na capital permitiu sua entrada no mundo das letras, levando a escrita de um grande número de textos que tiveram sucesso com o público. Sua primeira obra “Lettres d’une Péruvienne” teve 14 edições. Ainda assim, isto não significou estabilidade econômica, apenas a tornou conhecida perante a sociedade literária europeia.
No entanto, seu sucesso diminuiu após a publicação de sua segunda peça de teatro. E ao longo do século XIX, sua obra foi sendo esquecida.
Teve um salão em sua casa em Paris na rue d’Enfer. Este foi frequentado pela mais alta elite literária: Diderot (1713-1784), d’Alembert (1717-1783), Fontenelle (1657-1757), Montesquieu (1689-1755), Rousseau (1712-1778) e Voltaire, etc. A filha de seu primo, Anne-Catherine de Ligniville, posteriormente Madame Helvétius (1722-1800), participou destes salões e também se tornou uma sallonière renomada.
Faleceu em 12 de dezembro de 1758, em sua casa em Paris.
Obra:
“Nouvelle espagnole” (1745)
“Recueil des messieurs” (1745)
“Le Fils legitime” (1746)
“La Fièvre d’Azor” (1746)
“Lettres d’une péruvienne”, romance epistolar. (1747). Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k62721455?rk=42918;4.
“Cénie”, teatro. (1751) . Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5772716h?rk=236052;4
“La Fille d’Aristide”, teatro (1758). Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bd6t5368031n?rk=300430;4
“Correspondance” (1738-1758)
“Ziman et Zénise”, comédia (1747). Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k108179h?rk=64378;0
“Vie priveè de Voltaire e de Madame Du Chatelet”, cartas, (1820)
“Ouvres Posthumes de Madam de Graffigny”. (1780). Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k108386b?rk=21459;2
Toda a correspondência da autora, em inglês, via Projeto Voltaire. Acesso via: https://www.voltaire.ox.ac.uk/graffigny-correspondence/. E também via Universidade de Toronto: https://graffigny.artsci.utoronto.ca/.
Referências:
“Françoise de Graffigny”. Imagem via Museum digital. Acesso via: https://global.museum-digital.org/people/136709
“Mme de Graffigny”. Imagem e breve biografia via Gallica, biblioteca Nacional da França. Acesso via https://essentiels.bnf.fr/fr/image/9bcd6caa-16d8-476a-bace-d44a62c9ee8a-mme-graffigny
Hamilton, Jules. “Madame de Graffigny”. 1771 Project. Acesso via https://www.laurynwhite.dhcf.uh.edu/read_like_a_historian/author7.html
Joyce, Robin. “From battered wife to major writer: Madame de Graffigny and her tell-all correspondence”. 2017. Acesso via: https://womenshistorynetwork.org/from-battered-wife-to-major-writer-madame-de-graffigny-and-her-tell-all-correspondance/
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 94
Torres, Marie-Hélène C; Marini, Clarissa. “Françoise de Graffigny”. In. “Antologia de Escritoras Francesas do Século XVIII. Biografias”. Acesso via https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&opi=89978449&url=https://mnemosineantologiasdotcom.files.wordpress.com/2015/09/graffigny-bio.pdf&ved=2ahUKEwiW8IvD8eqOAxWZrJUCHbdlHpoQFnoECBMQAQ&usg=AOvVaw3vhiA0j7DYJz_59pt3JeGs
(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.





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