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Nos passos do Diácono – por Giuseppe Riesgo

Ele “nos lembra de que é na construção coletiva que a vida ganha sentido”

Estive acompanhando a repercussão do Congresso Internacional “Nos Passos do Peregrino”, realizado em Santa Maria, e não pude deixar de refletir sobre o alcance da vida e da obra do venerável diácono João Luiz Pozzobon. Sua trajetória mostra que a fé, quando vivida de forma comunitária, se transforma em força social, cultural e até econômica.

Vejo no diácono mais do que um homem de devoção pessoal. Ele foi alguém que compreendeu a importância da solidariedade e do compromisso coletivo. Sua fé não ficou restrita à intimidade, mas ganhou expressão concreta em ações que ajudaram a fortalecer comunidades, construir capelas, apoiar famílias e criar vínculos duradouros de pertencimento. É por isso que hoje ele não é apenas lembrado pela Igreja, mas também estudado como referência histórica e cultural.

O congresso na Universidade Franciscana mostrou exatamente isso. Reuniu pesquisadores do Brasil e de diversos países da Europa e da América Latina, que trouxeram olhares técnicos e acadêmicos sobre a vida do diácono. Isso é fundamental. A canonização, como explicou dom Leomar Brustolin, não depende só de testemunhos de fé, mas de consistência histórica, científica e documental. É um processo que exige solidez, e esse encontro internacional deu um passo decisivo nessa direção.

Fiquei particularmente tocado pela fala do monsenhor Melchor Sánchez de Toca Alameda, do Vaticano. Ele disse que já conhecia a vida de Pozzobon pelos documentos, mas foi apenas ao estar em Santa Maria, visitar sua casa (local que também tive a oportunidade de estar), sua comunidade, as escolas e capelas que ele ajudou a erguer, que aquela figura deixou de ser abstrata e se tornou real.

Isso mostra que o legado do diácono não está apenas nos livros, mas está vivo no chão onde ele pisou, nas obras que deixou e na memória da cidade. Acredito que a possível canonização de João Luiz Pozzobon será um marco não apenas religioso, mas também social e cultural para o Rio Grande do Sul. Reconhecer sua vida é reconhecer a força da fé comunitária, a importância da solidariedade e o valor de uma religiosidade que se traduz em compromisso prático com os outros.

Num tempo de tanto individualismo e fragmentação, o exemplo do diácono nos lembra de que é na construção coletiva que a vida ganha sentido. Santa Maria, mais uma vez, mostra ao mundo que é berço de fé, cultura e história. E nós, gaúchos, podemos nos orgulhar de ter em nossa terra um testemunho tão forte de humanidade e esperança.

(*) Giuseppe Riesgo é secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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