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Por que todo influenciador queria ser o Silveira – por Guilherme Bicca

Em sua estreia no site, o tema (não) é (só) o Pró-Reitor de “Assuntos Caninos”

Sei que quando se trata de internet, redes sociais e afins, falar do Silveira, hoje, está atrasado. O mundo já deu lá cinco, seis ou sete voltas sobre o próprio eixo e o assunto já não domina a timeline de todos. 

Mas como minha proposta neste espaço é falar de comunicação sob seus mais variados aspectos, quando o cavalo passou encilhado, eu não pude deixar de agarrá-lo pela cola. Afinal, mesmo tardiamente, é o assunto perfeito para minha estréia como colunista deste que é o maior portal de notícias dessas bandas.

Antes de tudo, vamos à afirmação do título: todo influenciador queria ser o Silveira, não pelos motivos óbvios que se atribui aos cães, como inexistência de boletos, responsabilidades e crises existenciais. E, na maioria dos casos, a garantia de teto, cama quentinha e alimentação balanceada, ainda que Silveira, abandonado quando filhote, não tenha nada disso. 

A verdade é que todo influencer queria ser o Silveira pelo fato dele ser um influenciador que não precisa fazer força para “influenciar”. 

Silveira não replica roteiros encapsulados por gurus de internet que passam à diante receitas de bolo para atrair seguidores nas redes sociais. 

Silveira não vende cursos ou mentorias e não criou uma loja na Shoppe ou na Amazon para vender produtos da China que ele nem conhece. 

Silveira não pesquisou nichos e também não transformou seus treinos na academia em conteúdo periódico chamado “Projeto ________”.

Silveira apenas existe. Até mesmo nas redes sociais. Arrasta boa parte dos seus 130 mil seguidores toda vez que dorme com as quatro patas para cima ou “corre” com a língua de fora em direção à câmera. Ele é um influencer sendo ele mesmo, sem fórmulas. E esse é o mais raro tipo que existe.

Mas existe um motivo ainda maior para todo influenciador invejar Silveira. 

Porque todos que se expõem de alguma forma possuem haters. Isso é quase uma regra da internet. Mais do que isso, é do que as empresas que desenvolvem plataformas de redes sociais e seus algoritmos se alimentam. 

Em um oceano de inutilidades; cursos ministrados por gente que nunca fez mas quer ensinar; jovens que inventaram a fobia à CLT e já “trabalham” desde pequenos para serem “criadores de conteúdo”; fatos históricos e atuais sendo distorcidos à luz azul das telas; existe um fator fundamental para sua disseminação: o tão desejado e perseguido engajamento. 

E nada engaja mais do que o ódio. O ser humano é assim por natureza: a mobilização é sempre mais fluida quando contra algo do que a favor. E o algoritmo, feito por seres humanos, segue a mesma lógica. 

Isso explica, inclusive, porque alguns influenciadores deliberadamente falam de assuntos polêmicos e delicados que nem são do seu escopo: necessidade de engajamento… quando os números de suas redes caem, muitos se obrigam a usar o desfibrilador do ódio para ressuscitá-la.

Então, todo influenciador queria ser o Silveira porque ele precisou de apenas um hater. Um hater foi o suficiente para ele ser alçado da categoria de influencer local à fenômeno nacional em poucos dias. 

Silveira estava na UFSM, cumprindo com suas atividades acadêmicas de sempre, quando uma aluna da instituição postou em sua rede social:

semana passada vi o silveira (cachorro gordo da ufsm) pela primeira vez, e fiquei apavorada com o tamanho daquele animal, meu deus q cachorro feio” 

Pois sua legião de fãs fervorosos, de forma elegante e sincera, passou a respondê-la, marcando o perfil de Silveira. O que fez com que o algoritmo do playground de Elon Musk explodisse. 

Em poucas horas, Silveira tornou-se trending topics, chamando a atenção de uma das maiores agências de publicidade do mundo, a África, que o convidou para estrelar uma campanha do Banco Itaú. E de quebra, o reitor ainda o nomeou pró-reitor de Assuntos Caninos da UFSM. 

Isso diz muito sobre a lógica das redes sociais. Depois de anos sendo amado por muitos em seu canto, foi o ódio a faísca que disparou o foguete do seu perfil.

E repito: bastou apenas um. Um hater só. Foi quase indolor. Silveira nem sofreu. Não precisou gravar vídeos em lágrimas, clamando por mobilização em sua defesa. 

E, diga-se de passagem, foi o “amor” de quem o defendeu que o levou de sub-celebridade local a macro-influenciador nacional, lembrado por grandes marcas. 

E é por isso que todo influenciador queria ser o Silveira.

(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.

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11 Comentários

  1. Resumo da opera. Influencers só influenciam gente com capacidade cognitiva reduzida. A ilusão vendida é que a opinião de todos é super-importante. A unanimidade é obrigatoria. O mundo tem que ser balizada pelos super-sensiveis. A opinião é formatada na base do ‘qualitativo’ com ‘exemplos’ escolhidos a dedo. Nenhum susto, nada das utopias de alguns acontecerá. Muita gente vai se lascar, mas isto é da lei. O principal é secundario, o mais importante é a imagem.

  2. ‘Isso diz muito sobre a lógica das redes sociais.’ Duas brigas. Primeira é que os vermelhos não sabem navegar nestes mares. Não se adaptam a era digital. Rigidez ideologica (vide defesa da CLT) e intelectual (se é que é possivel usar esta palavra referindo-se a vermelhos) não deixa. São anacronicos. Especialmente no Brasil. Mais ainda em SM. Segunda. Regular (que vai ser o pano de fundo com a rusga com os ianques) permite tributar. Taxad bota espuma pela boca. Há quem diga que a carga tributaria saiu dos trinta e poucos e passou dos 40%. Sem retorno para a sociedade, obvio, que serve para sustentar e enriquecer vagabundos.

  3. ‘Em poucas horas, Silveira tornou-se trending topics, chamando a atenção de uma das maiores agências de publicidade do mundo, a África, que o convidou para estrelar uma campanha do Banco Itaú.’ Acabou de anunciar pagamento de dividendos para os acionistas.

  4. ‘E nada engaja mais do que o ódio.’ Esta é só mais uma asneira disseminada pelos vermelhos. Odio perdura. Irritação é passageira. Maioria não lembra quais foram as manchetes da semana passada. Ainda: cancelamento não tem a ver só com emoções. Cancelamento que foi inventado pelos vermelhos e depois copiada. Agencias dando ‘selos de aprovação’ a troco de dinheiro, chantageando empresas que não estavam interessadas. Ou seja, dinheiro e manipulação. Empresas que não colaboram são narcisistas, taxistas, frentistas, etc.

  5. ‘[…] jovens que inventaram a fobia à CLT […]’. Que já não cabe na economia do pais. Flexibilidade no mercado de trabalho ianque acabou chegando aqui.

  6. ‘Em um oceano de inutilidades; cursos ministrados por gente que nunca fez mas quer ensinar;[…]’. UFSM e similares estão cheias de gente assim.

  7. Influenciadores(as) de certa forma ganham dinheiro da mesma maneira que o pessoal do juridico. Desgraça alheia. Acusação de crime, divorcio, falecimentos, etc. Sofreram uma campanha de ‘esmerilhamento’. Logica do trabalho é simples, se todo tupiniquim me der um real ganho mais de 200 milhões. Senado correu aprovar uma lei proibindo atuação deles e de ex-atletas na publicidade de bets. Dinheiro tem lugar melhor para ir, Rede Globo et caterva, bolso de politicos (muitos tem concessoes), etc.

  8. Reitor não surpreende. Alem de conseguir dinheiro para construir uns predios, ‘eternizar’ o nome em bronze e ‘deixar sua marca na insituição’ quis fazer uma graça marketeira. Não se pode exigir dos submediocres mais do que podem entregar.

  9. A ‘informalidade’, as ‘turminhas’ falsificadas na midia, coisas utilizadas para gerar engajamento, para os desavisados e desavisados quererem ‘fazer parte’ (parente do ‘pertecimento’ acefalo que falam na aldeia) esta deixando de virar acessorio e virando o fim de muita coisa.

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