Marquesa Du Deffand – por Elen Biguelini
Mulher letrada, conviveu com a elite cultural francesa, inclusive Voltaire

Marie de Vichy-Champrond foi filha de uma familia nobre, mas empobrecida. Nasceu em 25 de setembro de 1696 no Castelo de Champrond (ou Chamron), na Borgonha, e foi educada em um convento beneditino em Paris. Era filha de Gaspard de Vichy, conde de Champrond, e de sua esposa Anne Brûlart de La Borde.
Casou-se com Jean-Baptiste de La Lande, marquês de Deffand, em 1718. Ela tinha 20 anos e ele 30. Logo se separou do marido.
Foi amante de um homem do alto escalão da nobreza francesa, que foi também historiador, Charles-Jean-François Hénault d-Armorezan, o chamado “Presidente Hénault” (1685-1770)
Era amiga de Voltaire (1694-1778), com quem jogava jogos literários na corte duquesa de Maine, em Sceaux.
A partir de 1742 começa sua vida de mulher letrada, por meio de cartas trocadas com a elite cultural francesa, nomeadamente com seu amigo Voltaire, com o escritor britânico Horace Walpole (1717-1797), com o enciclopedista D’Alambert (1717-1783), com a também salonnière Julie de Lespinasse (1732-1776), e com sua tia, a duquesa de Lyuynes, Marie Brûlart de La Borde (1684-1763), entre outros.
Estabeleceu um salão em sua morada em 1747, após a morte de seu marido. O salão acontecia dentro do Convento das Filhas de São José, na rua Saint-Dominique em Paris.
Frequentavam seu salão o já mencionado amante “Presidente Hénault”, o escritor cientista e dramaturgo Fontenelle (1657-1757), o romancista e jornalista Marivaux (1688-1763), o filosofo Helvétius (1715-1771), o escultor Falconet (1716-1791), o arquiteto Soufflot (1713-1780), o pintor Vernet (1714-1789), o também pintor Charles André van Loo (1705-1765), o dramaturgo Antoine de Ferriol de Pont-de-Veyle. A reunião também tinha a presença de mulheres, como madame de Mirepoix, Anne-Marguerite-Gabrielle de Beauvau-Craon (1707-1792), que foi amiga e conselheira da Madame de Pompadour. De prestigio internacional, era visitado também por turistas de toda a Europa, incluso o filosofo e historiador escocês David Hume (1711-1776) e o historiador inglês Edward Gibbon (1737-1794). Segundo Lourdes Leitão-Bandeira seu salão “é identificado como o ‘SALÃO DO ENGENHO E DO BRILHANTISMO’” (2006, 96. Grifos no original)
No final da vida se tornou praticamente cega. Uma amiga se tornou sua leitora pessoal, mas a amizade não durou muito. Apesar da cegueira e da idade, continuou a participar da Corte francesa, em Versailles, bem como da vida cultural de Paris,
Morreu em Paris em 27 de outubro de 1780.
Sua correspondência completa, via Gallica. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k8202q
Referências
Imagem da marquesa du Duffand na National Gallery inglesa. Acesso via: https://www.npg.org.uk/collections/search/portrait/mw69273/Marie-Anne-de-Vichy-Chamrond-Vichy-Champrond-Marquise-du-Deffand
Página de Marie Vicky-Chamrond no Museu Britânico. Com três imagens dela. Acesso via: https://www.britishmuseum.org/collection/term/BIOG225597
Página sobre a marquesa de Duffand na Digitens. Acesso via: https://www.digitens.org/fr/notices/marie-du-deffand.html
Página sobre a autora na Encyclopedia Britannica. Acesso via: https://www-britannica-com.translate.goog/biography/Marie-de-Vichy-Chamrond-marquise-du-Deffand
Página da marquesa na wikipedia francesa. Acesso via: https://fr.wikipedia.org/wiki/Madame_du_Deffand
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 96.
(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.





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