Da sala de aula ao mundo: como a COP UFSM aproxima a agenda climática global da realidade gaúcha – por Rosito Zepenfeld Borges
O fato é especialmente relevante diante das enchentes que atingiram o RS

Enquanto a atenção internacional se volta para Belém, sede da COP30, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realiza, nesta mesma semana, um evento que reforça a importância de transformar grandes debates globais em ações concretas no território.
A COP UFSM, com o tema “Transformando o global em local: iniciativas sustentáveis com impacto regional”, reúne pesquisadores, gestores públicos, estudantes e comunidade para discutir os desafios ambientais que afetam diretamente o Rio Grande do Sul – especialmente após as tragédias climáticas de 2024. Ao aproximar os conceitos debatidos na conferência mundial do clima das realidades locais, a universidade reafirma o papel fundamental das instituições de ensino na construção de uma sociedade mais resiliente.
A iniciativa dialoga diretamente com a agenda da COP30, que tem como foco central a redução das emissões de gases de efeito estufa, a proteção das florestas, o financiamento climático e estratégias de adaptação. Em Belém, esses temas ganham força especialmente pelo simbolismo da Amazônia como protagonista na luta contra o aquecimento global.
Na UFSM, eles são reinterpretados à luz dos desafios regionais: gestão de recursos hídricos, preservação dos biomas gaúchos, mobilidade sustentável, expansão urbana, educação ambiental e políticas públicas que possam ser aplicadas nos municípios do estado. A presença de especialistas locais, secretários municipais e docentes da universidade permite que a comunidade compreenda como essas questões internacionais chegam até o cotidiano das cidades.
Essa aproximação entre debates é especialmente relevante diante das enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Em poucos dias, o estado viveu volumes de chuva inéditos, transbordamento de rios, deslizamentos, destruição de infraestruturas e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.
Tragédias como essas escancaram a vulnerabilidade de muitas regiões a eventos extremos – fenômenos que já são amplamente discutidos nas conferências do clima como consequências diretas de um planeta mais quente. Ao mesmo tempo, revelam a necessidade urgente de investir em adaptação climática, planejamento urbano, sistemas de alerta, obras estruturantes e políticas públicas capazes de prevenir e mitigar impactos futuros.
Nesse sentido, a COP UFSM se coloca como mais que um evento acadêmico: funciona como um laboratório de soluções e um espaço de mobilização comunitária. Através de minicursos, mesas-redondas, oficinas, atividades culturais e simulações de conferências internacionais, estudantes e participantes têm contato direto com instrumentos práticos usados no enfrentamento da crise climática.
Debates sobre drenagem urbana, reconstrução sustentável, energias renováveis, agricultura resiliente e justiça social ganham força quando enriquecidos pelo olhar local e pela vivência da comunidade universitária. Trata-se de criar conhecimento, mas também de formar cidadãos preparados para atuar em cenários cada vez mais desafiadores.
Ao final, tanto a COP30 quanto a COP UFSM convergem para a mesma conclusão: o enfrentamento à crise climática só será possível quando o global e o local caminharem juntos. As enchentes de 2024 deixaram marcas profundas no estado, mas também impulsionaram a sociedade a discutir soluções e caminhos de adaptação que não podem mais ser adiados.
Ao trazer o debate climático para dentro da universidade e conectá-lo às realidades regionais, a UFSM fortalece o papel da educação na construção de um futuro mais seguro, sustentável e resiliente. É dessa combinação – ciência, participação social e políticas públicas – que surgirão as ferramentas capazes de evitar que tragédias como as vividas no Rio Grande do Sul se repitam.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





Concordo, mas o debate é válido.
COP UFSM é a COP do aquario. Vivem num mundo à parte.