Relatório OEA e boas novas – por Orlando Fonseca
“As sequelas são grandes e vão demorar para que a recuperação seja plena”

O ano de 2025 vai-se encerrando com péssimas notícias para os que tentaram dar um golpe antidemocrático em 2022. Por um lado, o Relatório da OEA, publicado semana passada, confirma que houve uma tentativa de desestabilização do estado democrático e de direito no país. O que significa um revés no discurso bolsonarista de que não houve articulações e inconfidências contra a república, o 8 de janeiro teria sido um bando de baderneiros e umas velhinhas com bíblias na mão.
Pois, sim! Como se o restante da população brasileira fosse um bando de patetas apreciando a paisagem depredada em Brasília. Por outro lado, a tentativa de fuga de Silvinei Vasques deixa muito claro que as ações desse grupo não deram certo por absoluta incompetência e falta de inteligência.
A mim, ao menos, causa espécie que a grande mídia não tenha dado a devida atenção ao relatório. Está claro, me apresso em dizer, que elas dão mais importância ao que lhes interessa: o caso do Banco Master e as bizarrices que a turma golpista (já condenada, diga-se) tem cometido: o filho do chefe do bando nos EUA, a prisão de Zambelli e a fuga de Ramagem.
No dia 26 de dezembro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à OEA, divulgou as conclusões de sua investigação, deixando claro que o Brasil passou por tentativas deliberadas de deslegitimar os resultados eleitorais de 2022. Ou seja, houve planejamento e tentativa de execução de um golpe de Estado. Aponta ainda que existe de fato clara separação funcional dos poderes, autonomia judicial e um sistema de freios e contrapesos em pleno funcionamento.
A Relatoria enfatiza que o Brasil dispõe de amplos meios para continuar defendendo o exercício da liberdade de expressão. O relatório enterra de vez a esperança de aval internacional às “denúncias” de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a prisão de Vasques mostra que o Xerife acorda cedo e as consequências continuam a alcançar os envolvidos.
Para Bolsonaro, já condenado a pena superior a 27 anos, esses eventos acumulam derrotas. Longe de validar as queixas bolsonaristas de “censura” e “perseguição” pelo Judiciário, a CIDH elogia as instituições democráticas brasileiras como “fortes e eficazes”, destacando o “papel fundamental” do Supremo Tribunal Federal (STF) nas investigações e na defesa da ordem democrática.
É tudo muito patético (reitero que isso não tem nada a ver com os “patetas”, embora pareça). O patético do caso se refere ao estado de comoção emocional que nos ataca pelo que vivenciamos ao longo de quatro anos, e agora, com os desdobramentos das investigações e das prisões.
A manifestação do advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay), é certeira: “tudo deixa claro o porquê os bolsonaristas ficavam horas na porta dos quartéis, fazendo orações para pneus, fazendo sinais de WhatsApp para seres extraterrestres. Porque afirmam que o Lula morreu há anos e tem um sósia no Palácio. É assustador. Este é o grupo que assaltou o país. Que tinha um ministro da saúde, em plena pandemia, que não sabia o que era SUS.”
E acrescento o Bolsonaro metendo um ferro de solda na tornozeleira; general Heleno com diagnóstico de Alzheimer desde 2018, ou seja, desde antes de exercer função no governo. E agora o Silvinei Vasques. Condenado a 24 anos e seis meses de prisão, rompeu a tornozeleira eletrônica na madrugada de Natal, fugiu para o Paraguai e foi detido no aeroporto de Assunção ao tentar embarcar para El Salvador com documentos falsos. Acusado de usar a PRF para interferir nas eleições, sua tentativa de evasão reforça o desmonte das engrenagens operacionais da trama golpista.
E as notícias ruins deste fim de ano não param por aí, porque a normalização das relações entre Brasília e Washington, após negociações diretas entre Lula e Donald Trump – incluindo conversas telefônicas e encontros -, a Casa Branca retirou as tarifas adicionais sobre produtos brasileiros como café, carnes bovinas e frutas, além de revogar sanções Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. A química e o diálogo diplomático, com base nos interesses econômicos mútuos, enterra qualquer esperança de pressão externa em favor das teses bolsonaristas.
Para os demais mortais não significa haver calmaria neste território criado por Deus e bonito por natureza. As sequelas são grandes e vão demorar para que a recuperação seja plena. Temos um 2026 para tentar manter o país no rumo certo: as eleições são o melhor meio para fazer a democracia se fortalecer. Para isso, lembrando dos memes em torno das sandálias havaianas, é só não meter os pés pelas mãos na hora do voto. Feliz e próspero ano novo a todos.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera III. Cortina de fumaça já puída pelo uso. Qual o proximo escandalo de corrupção?
Resumo da opera II. ‘A manifestação do advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay), […]’. Lobista juridico. E ex-restaurateur. Conhecido por ter tirado foto de bermuda no Supremo Tribunal Cumpanhero. Onde aparantemente c@g@ de porta aberta.
Resumo da opera. Burocratas gostam de relatorios escritos esfregando a barriga na mesa numa sala com ar condicionado. Caso do Banco Master não interessa ao governo de plantão em coalizão com o Supremo Cumpanhero Tribunal.