São 65 anos de serviços prestados a Santa Maria, ao RS e ao Brasil – por Valdeci Oliveira
Pois “a UFSM é um exemplo de política pública pensada para a sociedade”

Uma política pública das mais importantes para qualquer sociedade completou 65 anos nesta semana. Falo de uma política pública amparada sobre um pilar fundamental para o desenvolvimento e crescimento humanos – a educação -, e bem no coração do Rio Grande. Falo dos 65 anos da Universidade Federal de Santa Maria, nossa UFSM, criada a partir da Lei 3.834-C, de dezembro de 1960, motivo de orgulho para cada homem e mulher que lá trabalhou ou trabalha, para cada homem e mulher que lá passou um período de suas vidas aprendendo, se aperfeiçoando, saciando sua fome de saber. Motivo de orgulho para cada homem e mulher que continua frequentando seu campus, num dos seus mais de 130 cursos oferecidos. São também 65 anos de muita luta para sobreviver diante de cortes drásticos em seu orçamento que vivenciou nesses anos todos.
Faltaria espaço aqui para citar todos os nomes envolvidos desde o seu nascedouro e nas décadas que vieram depois, mas um tem condição de representar tamanha lista, e este é o do professor José Mariano da Rocha Filho, seu idealizador e fundador. E em nome dele, e por seu empenho, agradeço pela chance oferecida à Santa Maria, que a abraçou e a transformou numa das principais universidades públicas brasileiras, premiada e reconhecida nacionalmente. Somente em 2025, foram várias as distinções, que vão do campo da saúde e inovação à arquitetura, do esporte a práticas pedagógicas e reconhecimento docente, incluindo premiações conquistadas por seus estudantes em diferentes áreas.
E ao falar do tema, não há como fugir de uma distinção que dialoga muito com a minha prática parlamentar, cuja atuação ao longo dos anos tem buscado fortalecer a saúde pública: a recente conquista de duas professoras, Marli Matiko Anraku de Campos e Vanessa Ramos Kirsten, na 17ª edição do Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Sistema Único de Saúde (SUS), que trouxeram para o RS o reconhecimento pelo trabalho de ambas na pesquisa e desenvolvimento de um teste molecular rápido para tuberculose, cuja agilidade na detecção pode ser a diferença entre a vida e morte.
Ao completar 65 anos, a UFSM é um exemplo de política pública pensada para a sociedade. E tanto uma quanto a outra em seus sentidos mais amplos dos termos. A UFSM foi a semente plantada que deu frutos na figura de formação de jovens que viriam a ser profissionais reconhecidos e respeitados em suas áreas. Jovens esses que não nasceram, em sua esmagadora maioria, em “berços de ouro” e que no futuro seriam professores de outros jovens, compartilhando saberes, auxiliando estes a escreverem um dos capítulos mais importantes das suas vidas, em folhas ainda em branco do que seriam suas trajetórias na fase adulta. Frutos que mostraram que a interiorização do ensino superior no RS era, mais que necessário, possível em suas diferentes formas, como a pesquisa, a inovação, a ciência e a tecnologia.
Por essas e por outras mais que costumo dizer que qualquer cidade do RS, do Brasil e do mundo gostaria de ter uma UFSM. Mas ela é santa-mariense, é do coração do Rio Grande.
Pelas incontinências da vida, das quais não reclamo, não cheguei a sentar em seus “bancos escolares” quando, já homem feito, iniciei meu curso de História – ainda inconcluso. Mas desejo muito que meu neto e netas tenham essa oportunidade, pois saberei que lá estarão bem acolhidos, serão bem preparados, terão acesso ao que de melhor se pode desejar em termos de formação.
Quando falamos em ensino superior no país, cenário em que a UFSM está incluída, é importante termos em mente que este tipo de educação no Brasil por muitos anos foi visto – e não sem razão – como algo voltado às elites. E que a primeira universidade brasileira nasceu pouco mais de 50 anos antes. E que em termos de RS, a UFRGS somente foi federalizada na década anterior. Ou seja, a palavra “restrição” foi uma constante tanto na vida universitária nacional quanto aqui. Daí podemos medir o grau de importância que foi a criação da Universidade Federal de Santa Maria, a primeira instituição federal de ensino superior erguida no interior do país, que com o passar dos anos transformou o município de cidade ferroviária a polo universitário no estado.
Para além dos significados de inclusão e saberes, a UFSM tem outro que mostra seu tamanho na vida real de Santa Maria: seu orçamento para investimentos, custeio e pagamento de salários e aposentadorias dos seus servidores ultrapassa a casa do R$ 1,4 bi por ano, recursos que, na prática, vão diretamente para a economia local.
E ao completar 65 anos, a UFSM, pela primeira em sua História, terá uma reitora mulher, a professora Martha Adaime, à frente dos seus desafios, demonstrando avanço na promoção da equidade de gênero.
Difícil imaginar Santa Maria sem a UFSM. E que venham mais 65 anos a demonstrar que o professor José Mariano da Rocha Filho tinha toda razão.
(*) Valdeci Oliveira, que escreve sempre as sextas-feiras, é deputado estadual pelo PT e foi vereador, deputado federal e prefeito de Santa Maria.





Resumo da opera. Todo Vermelho é centro-avante de segunda-feira, olha o compacto dos jogos e da sabedoria de sua poltrona declara ‘aquele gol eu não teria errado’.
A primeira universidade ianque é Harvard. Fundada em 1636. Primeiros cursos superiores do Brasil não teriam surgido se não existisse Napoleão, são de 1808. Primeira universidade da America Latina veio atraves da Igreja, Republica Dominicana em 1538. Na America do Sul no Peru em 1551.
‘[…] é importante termos em mente que este tipo de educação no Brasil por muitos anos foi visto – e não sem razão – como algo voltado às elites.’ Doutor Mariano era da elite.
Aideti é um mesozoico, nenhuma duvida a respeito. Discurso laudatório é só mais um sintoma.