A imprensa e o “batismo de fogo” de Galípolo no caso do Banco Master – por Carlos Wagner

A autonomia do Banco Central do Brasil (BC) vai muito além de garantir que a sua direção não seja demitida pelo presidente da República. Ela também garante segurança jurídica para os dirigentes do BC enfrentarem as armadilhas espalhadas no sistema bancário. A liquidação extrajudicial do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, 42 anos, é uma demonstração da importância da autonomia do BC. Ela pode contribuir para deter o avanço, revelado pela Operação Carbono Oculto, das facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e outras tantas que nos últimos anos surgiram, cresceram, se sofisticaram e se entranharam no cotidiano do brasileiro, e que estão se infiltrando no mercado financeiro para lavar bilhões em dinheiro sujo.
Começamos a nossa conversa falando sobre a autonomia do BC, uma luta que durou três décadas. Finalmente, em 24 de fevereiro de 2021, o então presidente Jair Bolsonaro (PL), 70 anos, sancionou a Lei Complementar 179/2021, dando autonomia ao BC. Ficou instituído que o mandato do presidente do banco seria de quatro anos. E não coincidiria com o mandato do presidente da República. O primeiro presidente do Banco Central com autonomia para decidir sobre a política monetária do país foi o economista Roberto Campos Neto, 56 anos, que ocupou o cargo até 1º de janeiro de 2025, já na metade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos. Campos Neto foi substituído pelo seu colega Gabriel Galípolo, 43 anos. Acrescento que os conflitos entre os presidentes do BC e da República referentes às taxas de juros fazem parte da cultura política. Advirto que esse conflito não acontece só no Brasil. Seguimos a nossa conversa. Vamos falar sobre a infiltração das organizações criminosas no sistema financeiro. Ela é real e preocupante, como foi revelado pela Operação Carbono Oculto, uma ação conjunta da Polícia Federal (PF), do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Receita Federal, realizada em agosto de 2025. Os investigadores flagraram a infiltração do PCC na Faria Lima, uma referência à Avenida Brigadeiro Faria Lima, na cidade de São Paulo, o endereço do maior centro financeiro da América do Sul. A operação revelou um esquema de lavagem de dinheiro por meio da importação, distribuição e comercialização de combustíveis e a camuflagem do patrimônio usando fintechs (plataformas online que realizam pagamentos) e fundos de pensão. Na época, foi grande a surpresa da imprensa ao ver a chegada do PCC à Faria Lima. Na verdade, a facção criminosa não estava chegando, ela já estava lá instalada há um bom tempo. Como havia sido revelado em março de 2024, na delação premiada de Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, 38 anos, ao Gaeco de São Paulo. Empresário do setor imobiliário, Gritzbach usava imóveis para lavar dinheiro do PCC e do CV. Ele revelou todo o esquema de lavagem de dinheiro e a prestação de serviços de policiais para as organizações criminosas. Em novembro de 2024, foi executado no Aeroporto Internacional de Guarulhos – na época, publiquei o post Delator do PCC foi executado no estilo dos acertos de contas dos cartéis mexicanos. Nos meses seguintes, usado a trilha de pistas descobertas na Carbono Oculto, aconteceram várias outras operações buscando os infiltrados nos mercados financeiros a serviço das organizações criminosas.
Ocaso do Banco Master é uma outra história e as investigações ainda não estão concluídas. Mas o que já foi revelado nos permite dizer que foi o “batismo de fogo” do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Esse novo capítulo da história das fraudes contra o sistema financeiro começou a ser escrito no final de novembro passado, quando a PF prendeu o presidente Daniel Vorcaro e quatro dos seus sócios no Master. Ao mesmo tempo, o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco. Usando o linguajar técnico, a liquidação aconteceu porque foi descoberto que o Master estava usando nos seus negócios métodos que violavam as leis e, portanto, colocavam em risco os seus clientes. Doze dias depois de ser preso, Vorcaro saiu da cadeia com tornozeleira eletrônica e foi para prisão domiciliar. Nesse ponto do enredo começa o enfrentamento entre Vorcaro e Galípolo e a direção do BC. Antes, uma explicação que julgo necessária. A história do Master é curta e interessante. Em 1990, surgiu o Banco Máxima, em São Paulo. Em 2018, o controle do banco foi assumido por Vorcaro. Em 2021, ele trocou o nome para Banco Master, que cresceu no mercado oferecendo para os seus clientes rendimentos muito acima dos concorrentes. O que todas as reportagens sobre o caso têm mostrado é que foi montado um sistema para proteger as operações arriscadas do banco. Uma rede de proteção que lembra o escudo de defesa de Israel, o Domo de Ferro, que detecta e destrói os mísseis lançados contra o país. Vou citar um exemplo. Na primeira semana de janeiro, o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), que tem 1,7 milhão de seguidores no Instagram, denunciou que foi procurado por uma agência de publicidade que estava contratando influenciadores sociais para trabalhar em uma campanha contra o BC e em favor de Vorcaro. No caso aqui, o míssil inimigo era Galípolo e a direção do BC – matérias na internet. O vereador recusou a oferta. Vorcaro disse que não tinha nada a ver com o caso. O próximo passo de Galípolo foi dado na última quinta-feira (15): decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos de Valores Mobiliários S.A., o novo nome da Reag Trust. A PF encontrou as digitais da empresa nos negócios do Master.
Para arrematar a conversa. A história do Master começou com a PF e o BC. Atualmente, já trabalham no caso o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Congresso. Ainda existem muitas pontas soltas na investigação. Aqui é o seguinte. No final da história é a Justiça que decidirá quem são os inocentes e os culpados. E quem vai cavar fundo nesta história na busca dos fatos e seus bastidores é a imprensa. É assim que as coisas funcionam. Estou há mais de 40 anos envolvido com a investigação jornalística. Acompanho atentamente a cobertura do caso Master. Aprendi na lida que as coberturas mais complexas são também as que oferecem as melhores oportunidades de garimpar boas informações. Como em toda grande cobertura jornalística, a do caso Master tem lá os seus problemas. A maioria é causada pela acirrada concorrência entre os jornais, que mantém o sangue dos jornalistas circulando a mil por hora. A carga de trabalho do repórter nos dias atuais é enorme. Porque houve uma diminuição dos efetivos nas redações e um aumento de demanda de notícias trazidas pelas novas tecnologias da comunicação. Trabalhei em redação de 1979 a 2014, hoje ando pelas estradas procurando boas histórias para contar. Nas confusões, se sai melhor o repórter que tem as melhores fontes. A respeito das fontes, vou lembrar aos jovens repórteres um conselho que recebi logo que pisei na redação. Fui alertado por um colega calejado na lida da reportagem que, durante a cobertura de grandes confusões, proliferam em torno da imprensa as “pessoas que têm segredos para contar”, desde que seu nome não seja revelado. Fui advertido pelo colega do seguinte: “Não existe almoço grátis”. Antes de fazer um acordo com uma fonte, devemos lembrar que ela tem os seus interesses. Ainda mais em situações de conflito, quando ninguém se aproxima da imprensa “pelos nossos belos olhos”. Faz parte do jogo. Se aprende fazer jornalismo, fazendo. Os professores das faculdades de comunicação têm a oportunidade de unir todos os pontos soltos da cobertura e discuti-los com os seus alunos. Nossos futuros colegas na tal “trincheira da imprensa”.
PARA LER NO ORIGINAL, CLIQUE AQUI.
(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.
SOBRE O AUTOR: Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 75 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.





Resumo da opera III. Fundos de aposentadoria publicos estão envolvidos. Outra dor de cabeça para politicos em ano eleitoral. Alas, fundos de aposentadoria aplicados ‘onde não se produz nem um parafuso’ (o que é a ignorância!).
Resumo da opera II. No caso do Banestado era evasão de divisas, sonegação, lavagem de dinheiro. Jogaram para baixo do tapete. CPI virou pizza. Jogaram para primeira instancia. Na epoca 30 bilhões de dolares, 150 bilhões de reais. Foi vendido para o Itau em 2000. Se aplicarmos correção monetaria daria mais de trilhão.
Resumo da opera. Tem muita agua para passar debaixo desta ponte. Deve ter muita gente graúda envolvida nesta confusão. Boatos sobre ‘queda da Republica’ (que só existe no papel). Muito dinheiro. Fundo Garantidor de Credito balança mas não cai. Terá que ser recomposto. Quem vai pagar? Os mesmos trouxas de sempre.
Boatos de naturza sexual pipocam aqui e ali. Tentaram colar na direita o problema do Banco Master. Se os Vermelhos não tivessem alguém envolvido a historia estaria em todos os outdoors de todas as cidades. Dai saiu um boato sobre a Bahia.
‘ Uma rede de proteção que lembra o escudo de defesa de Israel, […]’. Inclui adjudicação pelo Supremo Tribunal Cumpanhero. Toffoli, que alguns acusam de ser o ‘amigo do amigo do meu pai’, decretou sigilo absoluto. Banco de Brasilia, que é estatal, queria comprar a encrenca. Agora dizem que esta com insuficiencia patrimonial e Taxad cobrou aporte de 4 bilhões do governo do DF para evitar intervenção. Quatro bilhões do nosso bolso, porque Brasilia é que nem Aideti, não produz um parafuso.
‘Na primeira semana de janeiro, o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), que tem 1,7 milhão de seguidores no Instagram, […]’. Tinha que ser do PL. Queriam influnciar a opinião publica em Erechim. Tem gente muito mais famosa e com muito mais seguidores no centro do pais que foi procurada. Só não é possivel citar o nome porque dá processo. É possivel conjecturar que alguém usou o vereador para ‘vazar a informação’.
‘Vamos falar sobre a infiltração das organizações criminosas no sistema financeiro.’ Que não tem absolutamente nada a ver com independencia e muito menos com Banco Master.
‘A história do Master é curta e interessante.’ E completamente irrelevante.
“Sou contra a independência do Banco Central. Não faz sentido um presidente eleito não ter influência sobre uma instituição que decide o nível de juros do país” Molusco com L., abstemio, honesto e famigerado dirigente petista.
‘Acrescento que os conflitos entre os presidentes do BC e da República referentes às taxas de juros fazem parte da cultura política.’ Dilma, a humilde e capaz, fez Alexandre Tombini levar os juros tupiniquins para ‘padrões internacionais’. Deu no que deu.