
Reproduzido do jornal eletrônico SUL21 / Texto assinado por Felipe Prestes, com foto de Lauro Alves (ALRS)
O presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PT), entrega o cargo em fevereiro, após gestão de um ano. O deputado estadual Sergio Peres (Republicanos) assumirá a presidência do Legislativo gaúcho. Nesta terça-feira (27), Vargas apresentou um balanço no qual destacou as ações voltadas para o crescimento sustentável do Estado, tema escolhido como marca de seu mandato, e também comentou o cenário para as eleições deste ano.
Questionado sobre a possibilidade de o PT abrir mão da pré-candidatura de Edegar Pretto ao Governo do Estado e apoiar Juliana Brizola, do PDT, o petista afirmou que o partido deve estar aberto a discutir o assunto, mas afirmou que o PT tem legitimidade para liderar a chapa. “Gostaríamos de ter o PDT junto conosco e esse debate vai ser exercitado pela nossa direção. Agora, temos a maior bancada na Assembleia, um senador e a maior bancada federal do RS. Sem sombra de dúvidas, o PT é um partido que pelo seu peso político tem legitimidade de postular a cabeça de chapa, em uma chapa de composição entre várias forças políticas. É isso que o PT vem debatendo e discutindo com os partidos com quem ele procura fazer alianças”.
Sobre seu mandato à frente da AL, o petista destacou a realização, pelo Fórum Democrático da Assembleia, de nove seminários sobre o tema do crescimento sustentável nas diversas regiões do Estado, trabalho que culminou com a apresentação de uma série de propostas para o crescimento sustentável do Rio Grande do Sul, em um relatório coordenado pelo professor de Economia da UFRGS Carlos Henrique Horn. Segundo o presidente da Assembleia, participaram deste processo mais de 50 mil pessoas, presencial ou virtualmente, incluindo a participação pela plataforma Decidim, iniciativa que foi trazida de Barcelona, na Espanha.
Vargas relatou o diagnóstico de que o Rio Grande do Sul passa por três grandes problemas: uma crise econômica, com crescimento abaixo da média nacional há várias décadas; uma crise ambiental; e uma crise demográfica. “O Rio Grande do Sul vivencia um processo migratório negativo, sai mais gente do que chega. Isso pode ter sérios problemas para a nossa produtividade. E quem migra é a população mais jovem. Não temos tido capacidade de atrair talentos, estamos perdendo talentos”, alertou.
O presidente da Assembleia destacou também que a participação de amplos atores, como empresas e sindicatos, mostra que é possível haver temas de consenso no debate do crescimento sustentável. “Universidades participaram do processo, a Emater, a Embrapa, institutos federais, empresas, sindicatos. Vários temas podem ser pactuados independentemente da polarização”, disse.
Ainda sobre a polarização política, Vargas destacou que a Assembleia Legislativa tem sido um ambiente livre de intolerância política. “A polarização não é problema, o problema é a intolerância, o ódio, e isso não acontece na Assembleia. Você não vai encontrar deputado xingando, impedindo o colega de falar, como se encontra no Congresso, em câmaras municipais e outras assembleias”.
Pepe Vargas relatou também as medidas tomadas para que a Assembleia tenha uma gestão mais sustentável internamente. A principal iniciativa foi no fornecimento de energia, em que o Legislativo gaúcho deixou de contratar a concessionária do mercado regulado e contratou uma empresa do chamado “mercado livre”, que garantiu fornecimento de energia 100% vinda de fontes eólicas, solares, biomassa ou pequenas centrais hidrelétricas. A medida também gerou uma economia de 37% nos gastos com energia da Casa, segundo o presidente. Outra medida que vem sendo adotada é a substituição gradual da frota de veículos movidos a combustão por veículos híbridos, que combinam motor a combustão e motor elétrico.
Quanto ao trabalho legislativo, Pepe Vargas destacou a aprovação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), em 2025. “Eu destaco o Propag pelo caráter estrutural que tem. Ele prevê que, em vez de pagar 4% de juros para a União, a gente aplique metade disso em educação e infraestrutura. Isso vai dar uma condição fiscal um pouco melhor a partir de 2027, mas ainda é um grande desafio pagar essa dívida toda”.





‘‘PT tem legitimidade para liderar a chapa’, fala presidente da AL sobre aliança com PDT’. E o PDT não tem? Leia-se ‘lugar de puxadinho é vice’. Kuakuakuakuakuakua!