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Entre o aprendizado e a vida – por João Luiz Vargas

“Reflito, com frequência, sobre como minha existência foi generosa comigo”

Nunca cultivei a ilusão de ser um rábula capaz de revolucionar os tribunais ou de sustentar teses modernas que mudam o rumo de grandes causas. Venho de um tempo diferente, moldado por outras referências, quando Lombroso ainda nos ensinava a enxergar nos traços humanos possíveis caminhos da conduta, e nomes como Basileu Garcia e Franco Montoro eram mais do que autores: eram faróis.

O Direito, como a vida, avançou. E avançou bem. Hoje, a advocacia se revela em uma impressionante capacidade de produzir conhecimento, distribuir saber e defender, com técnica e consciência, aquilo que sustenta a democracia: o Estado Democrático de Direito. É admirável observar como as petições e ações se tornaram verdadeiros espaços de construção intelectual, onde o exercício da profissão ultrapassa o formalismo e assume compromisso com a sociedade.

As experiências não se perdem. Elas nos acompanham. Moldam nossa forma de olhar o mundo, de exercer a profissão e de entender o nosso lugar nele.

Reflito, com frequência, sobre como minha existência foi generosa comigo. E espero, sinceramente, ter retribuído essa generosidade ao longo do caminho, ainda que de forma simples, ainda que silenciosa. Continuo acreditando que a vida se constrói na soma dos pequenos gestos, na partilha do que sabemos e na gratidão pelo que vivemos.

Sigo, portanto, semeando reflexos de felicidade, reconhecimento e agradecimento pela vida que Deus me concedeu. E deixo, a quem lê, uma pergunta que talvez valha mais do que qualquer resposta: o que temos semeado, com o que aprendemos, ao longo do nosso próprio caminho?

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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