
O dinheiro passou a ser o lugar que a religião ocupava nos destinos das sociedades democráticas no planeta. Com o capitalismo triunfante destas primeiras décadas do século XXI, passou a ser o LSD dos bilionários, ocupando o lugar do ópio que era a religião para o povo trabalhador, segundo a máxima marxista, na realidade do século XIX. Em meio a uma explosão de eventos bélicos no Oriente Médio e uma guerra que não acaba no Leste Europeu, pergunta-se: para que servem bilionários?
O alerta sobre o quão perigoso é para o planeta este processo está em um relatório divulgado no início do ano, em meio à abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos. A riqueza dos bilionários atingiu o maior nível já registrado, em 2025, crescendo em ritmo acelerado, chegando a US$ 18,3 trilhões, prolongando uma alta de 81% desde 2020. De acordo com a Oxfam (Oxford Committe for Famine Relief, comitê que se preocupa com a fome) tal situação aprofunda divisões econômicas e políticas, o que está ameaçando, cada vez mais, a estabilidade democrática.
Ainda segundo a Oxfam, o crescimento do patrimônio dos ultrarricos aconteceu enquanto “uma em cada quatro pessoas no mundo tem dificuldade para se alimentar regularmente” e “quase metade da população global vive na pobreza”. Desse modo, podemos perguntar para que serve tal concentração? Se não é para acabar com as guerras, se não é para acabar com a fome, por que o planeta precisaria de um bilionário? A leitura da entidade é que a desigualdade não é apenas um fenômeno financeiro, causador de assimetrias sociais que condenam bilhões de seres humanos à morte por inanição.
Trata-se, na verdade, de um vetor de instabilidade política, com efeitos diretos sobre instituições, representação e direitos. Para a Oxfam, os bilionários são muitas vezes mais propensos do que cidadãos comuns a ocupar cargos políticos. Disso decorre uma deformação estrutural na representação e na capacidade de decisão dos Estados. O acúmulo de riqueza no topo do sistema econômico converte-se em capacidade de influenciar regras, impostos, fiscalização e políticas públicas.
Nem precisaríamos do relatório da Oxfam para associar essa escalada da riqueza com as políticas implementadas nos EUA, sob o comando de Donald Trump. Em seu segundo mandato, reduziu impostos, protege multinacionais da pressão internacional e diminuiu a fiscalização sobre os monopólios.
Não à toa, segundo informações da Agência Reuters, no ano passado, a população mundial de bilionários ultrapassou 3 mil pessoas pela primeira vez. Nesse mesmo período, Elon Musk, o chefe da Tesla e da SpaceX, tornou-se o primeiro indivíduo a superar US$ 500 bilhões em patrimônio líquido. Não é pouca coisa, o relatório o apresenta como um marco simbólico do patamar inédito de concentração: em breve Musk pode se tornar o primeiro trilionário do planeta.
Para termos uma ideia, tomando o estudo divulgado em julho pela Oxfam Brasil como referência, os 10% de brasileiros mais pobres pagam, em proporção da sua renda, três vezes mais tributos do que 0,1% mais rico da população. A pesquisa aponta que os mais pobres comprometem 32% da sua renda com tributos, contra 10% dos mais ricos. Como não é uma realidade unicamente brasileira, neste ritmo, as dificuldades para resolver os graves problemas sociais só aumentam, em proporção geométrica.
A regulamentação passa pelo imposto sobre grandes fortunas (o que acontece na França, Espanha e Noruega); passa também por uma reforma na mídia, que está sob o controle dos milionários, quase sem freios. Caso contrário, vai continuar a erosão democrática que temos visto nas grandes nações. É uma platitude, mas não custa reafirmar: manter grandes fortunas exige que o Estado mantenha a sua superestrutura como garantia, o que demanda muitos, muitos recursos. Como o Estado não produz receita própria, sobrevive da contribuição de todos. O que não se pode imaginar é que só os assalariados deveriam ser taxados na proporção de suas possibilidades para garanti-lo.
A discussão sobre riqueza extrema deixou de ser apenas um tema econômico e passou a ser também um tema de sobrevivência institucional. A Oxfam insiste que, sem medidas efetivas para reduzir desigualdades, conter a influência política do dinheiro e reforçar mecanismos de fiscalização, a distância entre os ultrarricos e o restante da sociedade tende a se traduzir em mudanças drásticas nos regimes políticos, acentuando os conflitos sociais.
Enquanto as ruas pelo mundo vão-se enchendo de sem-teto, não é possível aceitar que a fortuna de bilionários tenham o céu por limite. Que o inferno é aqui mesmo já temos muitas evidências, mas esse não deve ser o custo a ser pago para a construção do paraíso de 0,01 de humanos bilionários.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera IV. Cortina de fumaça eleitoreira. Emergencias lotadas em POA. Faltam leitos na rede. Alas, como esta a aldeia?
Resumo da opera III. Quem lê fica com a ideia de que bilionarios não contribuem com nada. Que ser bilionario é moralmente errado (talvez por isto alguns não tenham virado; sim, porque se alguem o fez aqui no Brasil então é possivel).
Resuma da opera II. Alguém acha que a fome ira acabar, todos terão um teto? Ou o dinheiro virará sitios, triplexes, etc?
Resumo da opera. Da IA. ‘A administração é a ciência social aplicada que planeja, organiza, dirige e controla recursos (humanos, financeiros, materiais e tecnológicos) para alcançar metas organizacionais com eficiência.’ Querem punir a alta capacidade e a competencia. Po que? Porque o Estado não consegue ‘alcançar metas organizacionais com eficiência.’.
‘[…] a distância entre os ultrarricos e o restante da sociedade tende a se traduzir em mudanças drásticas nos regimes políticos, acentuando os conflitos sociais.’ A culpa é sempre dos outros. Estado arrecada mais de 30% do que é gerado, entrega muito mal, classe politica e boa parte do funcionalismo publico com altos salarios e/ou nababescos e a culpa é dos bilionarios.
‘O que não se pode imaginar é que só os assalariados deveriam ser taxados na proporção de suas possibilidades para garanti-lo.’ São os que não conseguem fugir e nem transferir.
‘[…] passa também por uma reforma na mídia, […]’. Vermelhos sao autoritarios querem controlar tudo e todos.
‘A regulamentação passa pelo imposto sobre grandes fortunas […]’. Republica Socialista da California propos uma aliquota de 5% (uma unica vez), o pé na porta, obvio que seria majorada depois. Muita gente ja tinha saido. Com a proposta sairam Peter Thiel, os fundadores do Google, um dos fundadores do Uber, David Sacks, Don Hankey e mais uma galera do Vale do Silicio.
‘Nesse mesmo período, Elon Musk, o chefe da Tesla e da SpaceX, tornou-se o primeiro indivíduo a superar US$ 500 bilhões em patrimônio líquido.’ Falácia e meia verdade. Musk tem pouco menos de 7 bilhões segundo a Forbes. O outro valor, na realidade mais de 800 bilhões, são ‘quotas de partipação’ na Tesla e da SpaceX. Que dependem dos sucessos das empresas, se quebrarem amanha valem zero.
‘[…] os bilionários são muitas vezes mais propensos do que cidadãos comuns a ocupar cargos políticos.’ Cite o nome de 5. Alas, Maduro teve 877 milhões bloqueados na Suiça. Mandatários arabes ocupam cargos politicos. Existe ainda uma diferença basica. Os bilionarios que entram na politica e os que viram bilionarios depois de ocupar cargos publicos.
‘Se não é para acabar com as guerras, se não é para acabar com a fome, por que o planeta precisaria de um bilionário?’ E para que precisaria de Estados hipertrofiados, incompetentes e ineficientes? Sem falar na corrupção. Alás, truquezinho antigo, não existe fdp#tice no Brasil que não comece com uma ‘boa causa’.
‘A riqueza dos bilionários atingiu o maior nível já registrado, em 2025, […]’. Só virou problema quando os governos ficaram sem dinheiro e superendividados.
‘[…] pergunta-se: para que servem bilionários?’. Teleologia e hipocrisia. Bilionarios não são humanos são ferramentas a serem utilizadas por alguém.
Não sabe das coisas, inventa e dá pitaco em tudo. Eis o Vermelho tupiniquim.