Márcia Barbosa, um antídoto à estupidez – por Leonardo da Rocha Botega
“A reitora da UFRGS rompe paradigmas. Por isso é atacada nas redes sociais”

Márcia Cristina Bernardes Barbosa, física, professora universitária com destacada carreira, pesquisadora premiada internacionalmente, titular da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Mundial de Ciências, reitora de uma das mais prestigiadas universidades do mundo, a UFRGS. Por que uma mulher com um currículo de encher de orgulho o Brasil é atacada nas Redes Sociais?
A resposta a esta pergunta não é simples, tampouco se revela apenas com a observação do que acontece no interior das universidades. A resposta pode ser revelada no teor dos próprios ataques. Feia, louca, ridícula, exótica, velha e histérica são alguns dos xingamentos utilizados contra a professora que, segundo a Revista Forbes, é uma das vinte mulheres mais influentes do Brasil.
Tais xingamentos de cunho misógino e etarista não são uma novidade na recente conjuntura brasileira e mundial, são comumente utilizados para descredibilizar as mulheres quando ocupam os espaços de poder. Não podemos esquecer o verdadeiro festival de misoginia que assistimos uma década atrás nas manifestações que culminaram no golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff em 2016.
As mulheres que ocupam os espaços de poder são julgadas e xingadas cotidianamente, ainda mais quando assumem pautas que propõe modificações no status quo de uma sociedade profundamente patriarcal e desigual como a brasileira. Suas formas de falar, seus gestos, suas vestimentas, seus relacionamentos estão sempre na mira dos ressentidos com as brechas abertas no sistema pelas próprias mulheres.
No caso da professora Márcia Barbosa as brechas foram abertas em locais profundamente difíceis para as mulheres. Foi a única mulher formanda no curso de Física da UFRGS, em 1981. Os estudos que a levaram ser considerada uma das dez brasileiras que transformam a Ciência no Brasil e no mundo, também conforme a revista Forbes, se realizam em uma área onde apenas 9% de mulheres participam de grupos de pesquisa.
Mas não é apenas a louvável trajetória acadêmica da professora Márcia que desperta os ódios dos ressentidos, é sua posição perante os problemas sociais do Brasil. Por ter vivenciado a dura realidade de poucas meninas e mulheres cientistas, a reitora da UFRGS é uma entusiasta da defesa do aumento da presença feminina nas Ciências e nos espaços de poder.
Márcia Barbosa também é uma grande democrata. Foi a primeira reitora eleita na UFRGS em processo paritário, onde os três segmentos que compõem a universidade tiveram o mesmo peso na votação. Sua eleição ocorreu após uma gestão universitária marcada pela ilegitimidade da intervenção do governo Bolsonaro na UFRGS, que impôs à comunidade acadêmica o último colocado no processo de escolha como reitor.
Após quatro anos de um desastre que só não foi maior devido a resistência da comunidade acadêmica da UFRGS, a professora Márcia Barbosa passou a conduzir um novo perfil de gestão universitária. Um dos primeiros atos foi a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, uma forma de afirmar que não basta cuidar apenas do acesso à universidade, o cuidado com a permanência dos estudantes também é importante.
Além dessa e de outras medidas coerentes com sua convicção de que o papel das universidades é fazer políticas públicas, Márcia Barbosa constituiu uma nova forma de fazer política. A reitora substitui o formalismo burocrático pela comunicação direta com a comunidade. As principais ações da universidade são didaticamente comunicadas pela própria reitora em suas Redes Sociais, sem as máscaras demagógicas do poder tradicional.
Em suma, em um espaço de poder tradicionalmente marcado pelo domínio do homem branco de terno e gravata, pelo uso do burocratismo e da “linguagem da moda” como forma de justificar o mais do mesmo, a reitora da UFRGS rompe paradigmas. Por isso é atacada! Em um contexto de crescimento da picaretagem coach, do anti-intelectualismo e das comunidades Red Pill, Márcia Barbosa é um antídoto à estupidez.
(*) Leonardo da Rocha Botega, que escreve regularmente no site, é formado em História e mestre em Integração Latino-Americana pela UFSM, Doutor em História pela UFRGS e Professor do Colégio Politécnico da UFSM. É também autor do livro “Quando a independência faz a união: Brasil, Argentina e a Questão Cubana (1959-1964).





“Sua eleição ocorreu após uma gestão universitária marcada pela ilegitimidade da intervenção do governo Bolsonaro na UFRGS, que impôs à comunidade acadêmica o último colocado no processo de escolha como reitor.”
Tendo a não concordar com esse comentário, uma vez que não houve qualquer tipo de intervenção, muito menos ilegalidade ou ilegitimidade. Todo o processo ocorreu em conformidade com o que estabelece a Constituição brasileira, conforme também reconhecido pelo STF: uma lista tríplice, definida pelo Conselho Universitário da UFRGS, é encaminhada ao MEC, cabendo ao Chefe do Poder Executivo a escolha de um dos três nomes, segundo seu critério. Ressalte-se que a elaboração dessa lista ocorre no âmbito do Conselho Universitário (Consun), cujos membros representam um recorte amplo e legítimo de toda a comunidade acadêmica, sendo amplamente democrático.
Outrossim, o presidente dos Estados Unidos também utiliza suas redes sociais para divulgar novidades relacionadas ao seu governo, frequentemente contornando os trâmites burocráticos convencionais. Essa prática, entretanto, é muito controversa e, não raro, é aquele presidente é alvo de críticas.
Em ambos os casos, seriam dois pesos e duas medidas?
Resumo da opera. Truquezinho antigo dos Vermelhos. Provocação. Gera alguma reação. Vem o papel de vitima. Alguma notoriedade. Nos tempos de hoje funciona uma semana. É só cruzar os braços e esperar. Vermelhos são anacronicos, problema que se resolve sozinho. Quem paga a conta? A reputação da instituição. Alas, depois dizem que servidor publico não trabalha e ficam brabos. Enquanto isto nada de sério acontece, só teatrinho ideológico.
Mais uma que faz uma força enorme para chamar atenção e continua uma desconhecida da grande massa. Problema? Usa a instituição como plataforma das suas estrepolias. Importante? Não. Existe muitas bonitas, racionais, elegantes, normais, jovens e serena nas redes sociais.