Mentores de IA – por Guilherme Bicca
Pagar para “aprender” sobre IA e andar de bicicleta. Sim, tem a ver

A única coisa que cresce na mesma proporção do uso da inteligência artificial é o número de pessoas dispostas a te cobrar para explicar o que ela faz. É lei do mercado: onde há confusão, há oportunidade. E confusão sobre IA não falta, por esses dias.
A lógica do negócio é simples: primeiro, explora-se a sensação de que o mundo avançou enquanto você dormia. Depois, vende-se o despertador: “quem não se adaptar vai ficar pra trás”, “não há tempo para aprender sozinho”, “cada dia que passa é um dia perdido”.
Aí aparecem aqueles que decidiram por conta própria já saber o suficiente para cobrar de quem ainda não sabe nada, ou acha que sabe muito pouco.
O que não necessariamente configura desonestidade. É que “saber mais do que quem ainda não começou” virou, de alguma forma, credencial suficiente para ensinar. Um aluno do quinto semestre, tecnicamente, sabe mais do que um calouro… mas isso não o coloca em frente ao quadro negro.
E a coisa já começa torta quando o professor abre uma ferramenta específica e anuncia que vai te ensinar Inteligência Artificial. ChatGPT, Gemini e Claude, por exemplo, são ferramentas diferentes, com lógicas e resultados distintos entre si.
Prometer ensinar IA usando apenas uma delas é como querer ensinar música só tocando chocalho.
A verdade é que aprender a lidar com IA é como aprender a andar de bicicleta. Você pode precisar de um empurrão. Alguém pode te explicar onde fica o freio, e colocar a mão nas suas costas. Mas aprender mesmo… equilibrar, ganhar ritmo, entender com que tipo de bicicleta você se dá melhor, isso é sozinho. E inclui cair. Inclui obter resultados horrorosos, tentar de novo, errar diferente, tentar mais uma vez.
Então antes de pagar por mais um curso online que promete transformar 8 horas de trabalho em 15 minutos e te tornar um “ninja do prompt”, lembre-se de uma coisa: você não pagou para aprender a andar de bicicleta.
(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.





Resumo da opera. Jornalistas gostam de dar opinião sobre assuntos que conhecem apenas superficialmente. Fingem expertise. Geralmente com juizo de valor junto. Promts? Existem dicas mil na internet e o governo federal até tem uma cartilha para os servidores.
‘[…] lembre-se de uma coisa: você não pagou para aprender a andar de bicicleta.’ Quem disse que todos os leitores da coluna sabem andar de bicicleta?
‘Mas aprender mesmo… equilibrar, ganhar ritmo, entender com que tipo de bicicleta você se dá melhor, isso é sozinho.’ Experiencia é algo pessoal e intransferível?
‘A verdade é que aprender a lidar com IA é como aprender a andar de bicicleta.’ Alguém consegue aprender a andar de bicicleta lendo um livro? Ou usando um aplicativo? https://play.google.com/store/apps/details?id=com.wowwapps.bestaipromptslist&hl=en
‘A verdade é que aprender a lidar com IA é como aprender a andar de bicicleta.’ Ou seja, o autor é um “ninja do prompt” e do alto da sua incomensuravel experiencia dá dicas aos iniciantes.
‘[…] anuncia que vai te ensinar Inteligência Artificial.’ Pior são cursos que envolvem programação e que prometem a mesma coisa. Não passam de cursos antigos com uso de API das IA comerciais. Para virar ‘especialista’ no assunto para começo de conversa são uns 6 anos. Com muita matematica no meio. Por isto que na Ianquelandia as universidades estão ficando sem gente, as empresas estão ‘arrecadando’ pagando salarios maiores.
‘ChatGPT, Gemini e Claude, por exemplo, são ferramentas diferentes, […]’. E diferentes entre si mesmas dependendo do plano.
‘O que não necessariamente configura desonestidade.’ Todo dia sai de casa um malandro e um otário; quando eles se encontram, sai negócio.