Quando a política brasileira supera qualquer obra de ficção – por Giuseppe Riesgo
Problema é que não se trata de ficção. Não há trilha sonora nem créditos finais

Há momentos em que o noticiário político brasileiro deixa de parecer realidade institucional e passa a soar como roteiro descartado por excesso de exagero. O recente episódio envolvendo o chamado “sicário” ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso na operação da Polícia Federal e que teria tentado contra a própria vida dentro da sede da corporação em Minas Gerais, é um desses capítulos que desafiam a lógica.
Temos codinomes cinematográficos, investigações sobre supostos esquemas complexos, disputas de poder, pressões, bastidores nebulosos e agora um episódio dramático dentro da própria estrutura do Estado. Se um roteirista apresentasse essa trama para uma plataforma de streaming, talvez ouvisse que é “forçado demais”. No Brasil, virou manchete.
O problema é que aqui não se trata de ficção. Não há trilha sonora nem créditos finais. Há instituições envolvidas, reputações, empregos, estabilidade econômica e sobretudo dinheiro real. Dinheiro que pode ter origem em fundos, investidores, aposentados e no sistema financeiro que impacta diretamente a vida das pessoas comuns. Quando escândalos dessa magnitude vêm à tona, não são apenas personagens poderosos que entram em cena; é o cidadão que paga a conta.
E esse é o ponto mais delicado: a normalização do absurdo. A cada novo episódio, a sociedade reage com surpresa momentânea e, logo depois, com resignação. Como se o extraordinário tivesse se tornado rotina. Como se a crise permanente fosse parte do cenário institucional brasileiro.
A política, e tudo que orbita ao redor dela parece disputar com séries de suspense quem consegue produzir o enredo mais improvável. A diferença é que, na vida real, as consequências são concretas. São juros mais altos, desconfiança internacional, insegurança jurídica e desgaste institucional.
O Brasil não precisa de capítulos cada vez mais dramáticos. Precisa de previsibilidade, transparência e responsabilidade. Precisa que as instituições funcionem com firmeza e que o cidadão volte a confiar que o sistema trabalha para proteger, e não para encenar. Porque quando a realidade supera a ficção, geralmente não é sinal de criatividade é sinal de crise.
(*) Giuseppe Riesgo é secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.





Resumo da opera. Midia tranformou a coisa, para variar, num circo. Nesta hora as pessoas começam a fugir do assunto. Do resto do texto nada que já não tenha sido escrito antes.
Isto daí é uma opera bufa. Sapo Dino e Geneticamente Modificado, paladinos dos penduricalhos, em plena operação abafa. Sem falar no Abafador Geral da Republica.