Sociologia conservadora – por Giorgio Forgiarini
Sociólogos conhecidos desmentem esquerdismo. E FHC é capítulo a parte

Max Weber, Emily Durkheim e Karl Marx são os maiores expoentes da sociologia moderna. À exceção de Marx, ícone do pensamento de esquerda, jamais os dois primeiros poderiam ser tidos como “esquerdistas” (seja lá o que isso significa).
Max Weber foca seus estudos no desenvolvimento do liberalismo e de Estados capitalistas, aliás, a essência de suas análises é justamente a criação e o bom funcionamento do capitalismo moderno. Durkheim, por outro lado, não é entusiasta do liberalismo, mas parte invariavelmente de um ponto de vista conservador. Crítico do individualismo, Durkheim entendia que a sociedade é quem dá sentido ao cidadão, razão pela qual, para Durkheim, as liberdades individuais não podem se sobrepor ao senso coletivo.
Gaetano Mosca e Vilfredo Pareto também eram sociólogos. Na Itália, elaboraram a chamada Teoria da Circulação das Elites, que influenciou boa parte do pensamento de direita na Europa do Século 20 e até mesmo economistas da escola neoliberal austríaca, como Hayek e Schumpeter. Pareto chegou a ser nomeado senador por Benito Mussolini, com quem mantinha fraterna amizade.
Na sociologia brasileira, Gilberto Freyre (não confundir com Paulo Freire) é dos nomes de maior vulto. Ufanista, emprestou apoio especial ao Golpe de 1964 e manteve fraterna amizade com Golbery do Couto e Silva, figura de relevância no Regime Militar. Aliás, o próprio Golbery, gaúcho de Rio Grande, também um notório estudioso das humanidades.
Raymundo Faoro, advogado e sociólogo nascido em Vacaria, não era um entusiasta do Regime Militar como Freyre, mas muito menos um marxista. Como weberiano que era, se propôs a estudar o capitalismo brasileiro sob uma perspectiva liberal. Em suas obras, uma ode ao liberalismo, além de fortes críticas à burocracia brasileira. Para Faoro, o Estado, ao invés de impulsionador, é um intransponível obstáculo ao desenvolvimento de uma economia capitalista no Brasil.
Todos estes são estudados à exaustão nas faculdades de sociologia do Brasil. Aliás, Oliveira Vianna, Hélio Jaguaribe e Sérgio Buarque de Holanda são outros sociólogos brasileiros muito estudados nas universidades que derrubam a tese largamente difundida de que a sociologia é terreno aparelhado pela esquerda. Não é. Nunca foi. Pelo contrário.
Não é novidade que alguns setores mais radicais da política, aliás, de ambos os espectros, nutrem pouco apreço pelas ciências, em especial pelas humanas. A sociologia, inclusive aquela feita por pensadores de direita, busca, ao seu modo, explicar e resolver as complexidades da sociedade, o que, convenhamos, não é bem aceito por quem prefere acreditar em verdades próprias, em mitos e outras bobagens do tipo.
Por fim, uma breve remição a Fernando Henrique Cardoso. Vítima de Alzheimer, teve sua interdição decretada na semana que passou. Sociólogo e Ex-Presidente, foi e ainda é alvo da desconfiança de direitistas e esquerdistas, mas deixou um legado incontroverso para a sociologia e para a República. Mesmo tendo sugerido esquecer tudo o que ele próprio escreveu, merece, sim, ser lido, estudado e interpretado, como cientista e como chefe de Estado.
(*) Giorgio Forgiarini é advogado militante, com curso de Direito pela Universidade Franciscana, é Mestre em Ciências Sociais e Doutor em História pela Universidade Federal de Santa Maria. Ele escreve nas madrugadas de sábado.





Resumo da opera. Tudo isto é um problema que se resolve sozinho. Quando a maré baixar e tiverem que cortar bolsas e recursos notarão que tem gente nadando pelada. Algo indefensavel.
Resumo da opera. Outro problema, que não é a pesquisa, é a eugenia. Programas que so admitem docentes plenamente comprometidos com certas ideologias.
Resumo da opera. Nenhum problema em estudar os pensadores vermelhos. Problema é que a pluralidade já terminou faz tempo nas humanas, em certas linhas de pesquisa no direito, na economia (vide Unicamp), alguns programas ‘interdisciplinares’, etc. Escandalos de alunos(as) expurgados de programas de pos-graduação só não são mais comuns porque a maioria baixa a cabeça, se conforma.
Resumo da opera. Infantil. No tempo que a informação era escassa possivelmente funcionaria. Fato: teses e disciplinas dos programas de sociologia estão disponiveis para quem quiser ver. Truquezinho a la Ricupero (‘”Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”). Fingem que são pluralistas, mas nas internas é o samba de uma nota só. Simples assim. Os pensadores que de alguma forma tentam explicar o que se ve na conjuntura atual simplesmente ‘não existem’. Porque não interessa, interessa é o ‘objetivo final’. A questão é uma só.
Roberto DaMatta não entra porque é antropologo. Que é de Manuel Castells e a sociedade em rede? E Jean Baudrillard que escreveu ‘Esquecer Foucault’. Que afirmou que a sociedade trocou a realidade por simbolos e signos, a hiperrealidade. Jean-François Lyotard não entra porque era filosofo. Esgotamento das grandes narrativas. Fragmentação. As bolhas e os ‘jogos de linguagem’ especificos para cada grupo (chupinhou Wittgenstein’). Criatura navega entre os grupos e adapta-se ao ‘jogo local’.
‘Por fim, uma breve remição a Fernando Henrique Cardoso.’ Era marxista, um dos fundadores do “Seminário Marx”.
Disciplina. Sociologia da UFSC. Teoria Social Contemporanea. ‘[…] cada
programa deverá selecionar, para aprofundamento, pensadores como: Rosa Luxemburgo, Vladimir I. Lenin, Karl
Kautsky, Talcott Parsons, Robert Merton, Leo Strauss, Georg Lukacs, Antonio Gramsci, Carl Schmitt, Hannah
Arendt, Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Jean-Paul Sartre, Ernst Bloch, F.A. Hayek, Georges
Sorel, Joseph Schumpeter, Raymond Aron, Daniel Bell, David Easton, Ivan Illich, Michel Foucault, Pierre Bourdieu,
Elias Canetti, Robert Dahl, Cornelius Castoriadis, Claude Lefort, Alain Touraine, Edgar Morin, Anthony Giddens,
Noberto Bobbio, Agnes Heller, Jürgen Habermas, Margaret Archer, Roy Bhaskar e outros(as).’ Enfase no ‘selecionar’.
Exemplos de defesa na sociologia da UFRJ. ‘Maternidades lésbicas: Enfrentamentos burocráticos no registro de nascimento’. ‘As experiencias vividas de pessoas trans no ambiente de trabalho formal’. ‘Interdição de voz feminina e violencia de genero, a construção soial de novos imperativos de conduta no ambiente universitario’.
‘Todos estes são estudados à exaustão nas faculdades de sociologia do Brasil. Aliás, Oliveira Vianna, Hélio Jaguaribe e Sérgio Buarque de Holanda são outros sociólogos brasileiros muito estudados nas universidades que derrubam a tese largamente difundida de que a sociologia é terreno aparelhado pela esquerda.’ Argumento é que as faculdades de sociologia estudam a hitoria da disciplina e os ‘classicos’, logo não é aparelhada.
‘Emily Durkheim’ é ‘Emile’.
Problema sério, sistemas fechados autorreferentes. Atraso.