A disputa global e o papel estratégico das terras raras – por Marionaldo Ferreira
“Apesar do vasto potencial, o país ainda carece de estratégia para a exploração”

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades únicas, indispensáveis na fabricação de smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e diversas outras tecnologias avançadas. A China detém uma posição dominante nesse mercado, controlando cerca de 90% do processamento e da tecnologia de separação desses elementos. Essa hegemonia chinesa tem levado os Estados Unidos a buscar ativamente novas fontes e parcerias para reduzir sua dependência, especialmente para fins de defesa e tecnologia.
Nesse cenário, o Brasil emerge como um ator crucial, possuindo aproximadamente 25% das reservas mundiais conhecidas de terras raras. No entanto, a forma como o país tem lidado com esse potencial tem gerado preocupações. A venda da mineradora Serra Verde, a única produtora em larga escala de terras raras pesadas críticas fora da Ásia, para a USA Rare Earth, com um aporte de US$ 565 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC), exemplifica a crescente influência estrangeira no setor. O valor total do negócio, conforme mencionado, foi de R$ 14 bilhões, levantando questionamentos sobre a perda de controle sobre um recurso estratégico.
Apesar do vasto potencial, o Brasil ainda carece de uma estratégia robusta para a exploração e o beneficiamento das terras raras. O Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e algumas universidades têm desenvolvido pesquisas na área, e um comitê foi criado para acompanhar os investimentos. Contudo, a dúvida persiste: o investimento atual é suficiente para garantir que o Brasil não seja apenas um exportador de matéria-prima bruta?
Especialistas alertam que, sem uma política industrial coerente, o país corre o risco de reproduzir o padrão histórico de fornecimento de matérias-primas estratégicas, enquanto os segmentos de maior valor agregado permanecem no exterior. A aprovação de projetos como o PL 2780/2024, que trata da Política Nacional de Minerais Críticos, tem sido criticada por, supostamente, aprofundar a dependência externa e favorecer interesses estrangeiros, sem garantir o controle nacional, a transferência de tecnologia ou a agregação de valor.
O Partido Democrático Trabalhista (PDT), historicamente alinhado à defesa da soberania nacional e do desenvolvimento autônomo, propõe uma abordagem distinta para as terras raras. Fundamentado nos princípios do trabalhismo e no legado de Leonel Brizola, o partido defende que os recursos do subsolo brasileiro devem servir prioritariamente ao povo e ao desenvolvimento do país, e não à exploração por capital estrangeiro sem contrapartidas significativas.
Na visão trabalhista, a venda de minas estratégicas para empresas estrangeiras, como a Serra Verde, representa uma ameaça à soberania e à capacidade do país de construir um futuro tecnológico e industrial próprio.
A bandeira do PDT preconiza a reindustrialização do Brasil a partir de suas vantagens comparativas naturais, incluindo os minerais estratégicos. Isso implica em investimentos massivos em pesquisa e desenvolvimento, na criação de uma cadeia produtiva nacional que inclua o beneficiamento e a agregação de valor às terras raras, e na garantia de que a tecnologia de processamento seja dominada internamente. A ideia é romper com a lógica de dependência e assegurar que a riqueza gerada pela mineração se traduza em educação, infraestrutura e bem-estar para a população brasileira.
A visão trabalhista oferece um caminho para essa transformação, propondo um modelo que priorize o interesse nacional e a construção de um futuro onde as terras raras brasileiras impulsionem o desenvolvimento do próprio Brasil, e não apenas o lucro de empresas estrangeiras.
(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.





Resumo da opera. Sem a minima noção sobre o que escreve. Terras raras são assunto porque a midia tupiniquim colocou um farol em cima. Educação, discurso facil em todo periodo eleitoral, é tratado como assunto resolvido. Mesmo com ‘investimento’ tendo sido aumentado e o resultado nos exames internacionais ter caido. Porque uma reforma seria dificil e, se desse tudo certo, o resultado viria em duas ou tres gerações. Não cabe no calendario das urnas. Os velhos morrem para que a vida continue. BrIZoLA já foi há 22 anos.
‘A ideia é romper com a lógica de dependência […]’ com ‘transferencia de tecnologia’ e ‘educação’ só no discurso.
‘O Partido Democrático Trabalhista (PDT), historicamente […]’. Atrasado.
‘[…] favorecer interesses estrangeiros, sem garantir o controle nacional, a transferência de tecnologia ou a agregação de valor.’ Transferencia de tecnologia. Solução ‘bala de prata’. Porque a educação é na base do que tem para hoje. Então para comprarem commodities os outros paises tem que ‘transferir’ tecnologia que nunca é a de ponta.
‘O Partido Democrático Trabalhista (PDT), historicamente alinhado à defesa da soberania nacional e do desenvolvimento autônomo, […]’. Desenvolvimentismo que não deu certo no pais só quatro vezes. Mecanica pesada, por exemplo. Polo Naval. Setor dominado por tres paises: Coreia do Sul, Japão e China. Nem os ianques se metem. Mais barato? Não, qualidade é maior e o preço também. PDT é um partido de idéias velhas, simples assim.
‘Especialistas alertam que, […]’. Quais? Truquezinho velho dos ‘especialistas’ inominados. Para afirmar o obvio ainda por cima.
‘[…] o investimento atual é suficiente para garantir que o Brasil não seja apenas um exportador de matéria-prima bruta?’ Dinheiro jogado fora. Não importa quanto dinheiro se jogue no problema o atraso não desaparece ‘instantaneamente’.
‘[…] controlando cerca de 90% do processamento e da tecnologia de separação desses elementos.’ E a Suiça produz o melhor chocolate do mundo. Não produz um grão de cacau, é só processo. Usa os melhores produzidos no Equador, Venezuela, Madagascar e Peru. Não, nem os melhores cafés são tupiniquins. Marketagem interna.
‘[…] indispensáveis na fabricação de smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e diversas outras tecnologias avançadas.’ Brasil não vai fabricar smartphones. Alas, o pais esta 60 anos (em alguns casos 80) anos atrasado em relação as grandes potencias. Querem resolver via marketing. ‘Inovação’ em todo beco. ‘Start-ups’ em toda esquina. Tudo com muito subsidio publico e horarios de trabalho compativeis com o funcionalismo publico.
Elon Musk cursou economia e fisica em Stanford. Depois começou o doutorado em ciencia dos materiais. Quando foi trancar o curso, apos poucos dias do inicio, falou com o orientador que largou de cara ‘deve ser a ultima vez que conversamos’. Experiencia. Segundo o bilionario a grande maioria das teses não tem valor empresarial. Ou seja, não tem aplicação pratica. Somente acrescentam ‘folhas’ na ‘arvore do conhecimento’.