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Brasil é um dos 13 primeiros classificados para o mata-mata. O que Zagallo diria?-por Carlos Wagner

“Cada vitória da Canarinho é oportunidade para conversar sobre soberania”

Parafraseando o astronauta americano Neil Armstrong (1930 – 2012), comandante da Apollo 11, quando se tornou o primeiro ser humano a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969. Foi um pequeno passo na caminhada rumo ao Hexa. Assim descrevo a vitória da Seleção Brasileira, por 3 a 0, sobre a Escócia, na quarta-feira (24), Dia de São João, importante santo da Igreja Católica, comemorado nas festas juninas. A vitória classificou a Seleção em primeiro lugar no seu grupo e garantiu uma vaga na fase do mata-mata da Copa do Mundo da Fifa.

Não vou especular sobre o que vem pela frente para a Seleção porque a imprensa diária está fazendo uma bela e completa cobertura online dos acontecimentos, que mudam a todo o instante. Não é exagero afirmar que as tecnologias usadas no atual torneio estão proporcionando aos torcedores imagens nunca vistas em partidas de futebol. Falei isso porque tenho 75 anos, 50 na lida de repórter especializado em conflitos agrários, migrações internas e crime organizado na fronteira. Portanto, não entendo “patavina” de futebol. Mas entendo de jornalismo. Vamos conversar sobre o “pequeno passo”.

Mas antes de seguir em frente gostaria de comentar o seguinte: como haviam perdido na estreia para a Escócia, por 1 a 0, e foram eliminados do torneio com o 3 a 0 que sofreram do Brasil na sexta-feira (19), jornalistas brasileiros envolvidos na cobertura da Copa afirmaram que os haitianos iam se desinteressar do jogo contra o Marrocos, nesta quarta-feira (24). E que os marroquinos aproveitariam esse desinteresse para fazer saldo de gols, o que poderia ser decisivo para lhes dar o primeiro lugar no grupo, já que Brasil e Marrocos haviam empatado em 1 a 1.

Em vista desses comentários, publiquei no meio desta semana o post Brasileiros ainda sonham com o Hexa na Copa do Mundo Fifa. Sobre a questão do desinteresse dos haitianos escrevi o seguinte: “Duvido. O Haiti, um país de 11 milhões de habitantes, vive uma crise humanitária, dominado por gangues armadas até os dentes. Ter a sua Seleção participando da maior competição esportiva do mundo é um motivo de orgulho para os haitianos. E os jogadores terão a oportunidade de entrar para a história se conquistarem a primeira vitória do seu país numa Copa. A Seleção de Marrocos é um bom time, empatou em 1 a 1 com o Brasil. Vai ser um bom jogo”.

A Seleção do Haiti perdeu por 4 a 2. Mas por duas vezes chegou a ficar à frente dos marroquinos, que só conseguiram a vitória nos minutos finais. Ou seja, os haitianos lutaram. Há várias matérias nos jornais de quinta-feira (25) falando bem da partida. Se há uma coisa que entendi na cobertura de conflitos sociais é que nada motiva mais uma pessoa do que lutar pelo seus. Dito isso, vamos voltar a nossa conversa sobre o “pequeno passo”.

Assisti à partida sentando ao lado do fogão aquecido pelo calor da lenha queimando. O técnico da Brasil, Carlo Ancelotti, 67 anos, acertou a mão na estratégia de jogo. Como já disse, sou um velho repórter e nunca tinha visto o Brasil com tamanho empenho em campo. Os brasileiros foram para cima dos escoceses como um faminto ataca um prato de comida. Não deixaram espaço para a Escócia jogar. Brotavam em todos os centímetros do campo. Vini Jr., 25 anos, fez três gols, um foi anulado. Matheus Cunha, 27 anos, marcou o terceiro. Indignado com a ação do seu time, o técnico da Escócia, Steve Larke, 62 anos, disse o seguinte, segundo os jornais: “Dificultamos as coisas para nós mesmos. É isso. Demos os gols a eles, demos o jogo que eles queriam…”.

Por que comparei com um “pequeno passo” a vitória do Brasil no Grupo C? Simples. Torcer a favor ou contra a Seleção sempre uniu os brasileiros. Essa união cresce à medida em que a Canarinho avança no torneio. Foi assim nas cinco Copas conquistadas pelo Brasil. Atualmente, no cenário internacional, o país vive um momento muito esquisito. Um aliado está colocando em risco a soberania do território brasileiro. Quem diria?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), 80 anos, primeiro taxou o país com a maior tarifa aplicada sobre as exportações de produtos para o mercado americano (50%). E colocou como condição para negociar a redução das taxas o perdão aos envolvidos na tentativa de golpe de estado que aconteceu no final de 2022 e nas primeiras semanas de 2023. Exigiu a anistia do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), 70 anos. Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, acabaram negociando a situação.

No último mês, o governo americano voltou ao ataque, impondo uma taxa de 25% sobre as exportações brasileiras. E também classificou como terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC), nascido em São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro. Essa classificação de terroristas para as duas organizações criminosas significa que os americanos podem fazer intervenções militares clandestinas no Brasil. Lembro que Trump já ameaçou anexar o México, o Canadá e a Groenlândia, ilha que pertence à Dinamarca.

A linha onde acaba a bravata e começa a realidade nas ameaças de Trump foi mostrada ao mundo no início de janeiro (2026). Um comando das Forças Armadas dos Estados Unidos invadiu o território da Venezuela e prendeu o então presidente do país, o ditador Nicolás Maduro, 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, 69 anos. Os dois foram levados para Nova York, onde estão presos e serão julgados por tráfico de drogas. Analistas políticos acreditam que Trump tentará influenciar na disputa presidencial brasileira, que está polarizada entre Lula, que concorre à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 44 anos, filho do ex-presidente Bolsonaro.

Para arrematar a nossa conversa. Cada vitória da Canarinho é uma oportunidade que os brasileiros têm de conversar sobre a soberania do território nacional, um assunto que interessa a todos nós. Lá no início da nossa conversa mencionei que a quarta-feira, dia 24, foi Dia de São João. Lembrei de São João porque o lendário Mário Jorge Zagallo (1931-2024), técnico do Tri no México em 1970, ficou famoso pela sua superstição em torno do número 13. No total, 32 seleções passarão para a próxima fase da Copa. O fato de o Brasil estar entre as primeiras 13 a se classificar pode ser um bom sinal?

Em tempo: já há mais classificados que 13, mas esse era o número no momento em que o texto acima era redigido.

PARA LER NO ORIGINAL, CLIQUE AQUI.

(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.

SOBRE O AUTOR:  Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 75 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.

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4 Comentários

  1. Resumo da opera. Um monte de encheção de linguiça sobre a seleção para servir de mote para falar mal do Agente Laranja e fazer campanha para o Molusco com L., honesto, abstemio e famigerado dirigente petista. Não tem como ensinar truque novo para cachorro velho.

  2. “Cada vitória da Canarinho é oportunidade para conversar sobre soberania”. Um mote para fazer campanha para o Rato Rouco.

  3. ‘[,,,] significa que os americanos podem fazer intervenções militares clandestinas no Brasil.’ Significa uma ‘justificativa’, podem fazer a qualquer tempo.

  4. ‘No último mês, o governo americano voltou ao ataque, impondo uma taxa de 25% sobre as exportações brasileiras. ‘ Mentira, as não aconteceu ainda.

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