A liberdade que ainda precisa acontecer – por Marionaldo Ferreira
“A formal pode existir, mas a mental ainda não foi plenamente alcançada”

Todos os dias, e talvez agora com ainda mais intensidade, me pego refletindo sobre o significado real da liberdade. Não aquela liberdade formal, decretada em leis ou proclamada em discursos, mas a liberdade concreta, vivida, sentida e compreendida pelas pessoas em seu cotidiano.
A história nos oferece um marco simbólico poderoso: a Lei Áurea. Ao abolir a escravidão, ela libertou oficialmente milhares de homens e mulheres que, por gerações, foram tratados como propriedade. No entanto, ao deixarem as fazendas, muitos desses libertos não sabiam para onde ir, como sobreviver ou como reconstruir suas vidas. A liberdade lhes foi entregue sem estrutura, sem oportunidade e, sobretudo, sem preparação. O resultado foi cruel: muitos continuaram submetidos à exploração, ainda que sob novas formas.
Essa realidade histórica nos provoca uma pergunta incômoda, mas necessária: o que é, de fato, ser livre?
Hoje, ao observar debates contemporâneos sobre o mundo do trabalho – como a discussão em torno da jornada 6×1 – percebo um fenômeno que ecoa aquele passado. Há trabalhadores que, mesmo diante de propostas que ampliam direitos, descanso e qualidade de vida, posicionam-se contra mudanças que poderiam favorecer sua própria condição.
Isso não pode ser analisado de forma superficial. Não se trata de falta de inteligência ou de consciência individual. Trata-se de algo mais profundo: a forma como, ao longo do tempo, estruturas sociais moldam a maneira como as pessoas pensam, sentem e enxergam suas possibilidades.
Quando alguém naturaliza jornadas exaustivas, abre mão do direito ao descanso ou vê com desconfiança qualquer avanço nas relações de trabalho, estamos diante de um sinal claro: a liberdade formal pode existir, mas a liberdade mental ainda não foi plenamente alcançada.
A verdadeira liberdade não se limita à ausência de correntes físicas. Ela exige consciência, informação, senso crítico e, principalmente, a capacidade de se reconhecer como sujeito de direitos. Sem isso, a exploração apenas muda de forma – deixa de ser explícita e passa a ser internalizada.
Por isso, a reflexão que faço – e que compartilho – é simples, mas urgente: não basta sermos livres na lei, precisamos ser livres na mente. Precisamos compreender nosso valor, nossos direitos e o impacto das escolhas que fazemos enquanto sociedade.
A luta pela liberdade não terminou com a abolição. Ela continua, todos os dias, nas decisões que tomamos, nas ideias que defendemos e na forma como entendemos o trabalho, a dignidade e o papel de cada pessoa na construção de um futuro mais justo.
Porque, no fim, a maior prisão não é aquela que nos impede de sair – é aquela que nos impede de enxergar que podemos ir além.
(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.





Resumo da opera. Baboseira de sempre. Governo tira da cartola uma medida obviamente eleitoreira. Um canetaço para corrigir algo que não entende e não estudou. Quem discorda ‘tem um defeito mental’. Para quem vai atras desta conversinha estou vendendo um viaduto na BR158. Vista é boa e tem uma curva no meio.
‘A verdadeira liberdade não se limita à ausência de correntes físicas. Ela exige consciência, informação, senso crítico […]’. A emancipação marxista.
‘[…] a liberdade formal pode existir, mas a liberdade mental ainda não foi plenamente alcançada.’ ‘Partiu’ plano etéreo.
‘Há trabalhadores que, mesmo diante de propostas que ampliam direitos, descanso e qualidade de vida, posicionam-se contra mudanças que poderiam favorecer sua própria condição.’ Porque sabem onde lhes aperta o sapato, vivem no mundo real, não são servidores publicos na Academia.
‘No entanto, ao deixarem as fazendas, muitos desses libertos não sabiam para onde ir, como sobreviver ou como reconstruir suas vidas.’ Lenda urbana. Na epoca da promulgação da lei muitos já estavam (ou tinham) fugido. Diante da chiadeira tentaram apelar para o incipiente exército. Duque de Caxias peitou, ‘exercito não vai servir de capitão do mato para defender interesses particulares’. Faoro em ‘Os donos do poder’. Alas, a grande maioria dos libertos continuou trabalhando onde estava, nas mesmas condições e com salarios, estes sim, simbolicos.
‘A história nos oferece um marco simbólico poderoso: a Lei Áurea.’ Tudo que é ‘simbolico’ não passa de uma asneira.