As mães são as maiores prevencionistas: porque prevenção é um ato de amor – por Rosito Zepenfeld Borges
“Poucas figuras representam o cuidado de maneira tão intensa quanto ela”

Como publico meus artigos nas segundas-feiras, algumas datas importantes acabam entrando com certo delay. Foi o caso do Dia das Mães, comemorado ontem. Ainda assim, não poderia deixar a data passar em branco. Aproveito então para deixar um abraço a todas as mães que acompanham nossos conteúdos e dedicam alguns minutos de seu tempo à leitura destes textos.
Talvez pela minha formação como Engenheiro de Segurança do Trabalho, costumo enxergar o mundo sob uma ótica bastante prevencionista. E falar de prevencionismo é, inevitavelmente, falar das mães. Em praticamente todos os treinamentos que realizo, faço uma pergunta aos participantes: “qual a maior especialista em prevenção que vocês conhecem?”. A resposta quase sempre surge de forma imediata e praticamente uníssona: a mãe.
E talvez não exista definição mais simples e mais perfeita para explicar o que é prevenção. Prevenção é a capacidade de antecipar consequências. É olhar para uma situação antes que ela aconteça e perceber os riscos envolvidos. Se fosse necessário resumir prevenção em apenas uma palavra, provavelmente seria antecipação. E as mães fazem isso como ninguém.
“Leva um guarda-chuva porque vai chover.”
“Pega um casaco porque mais tarde vai esfriar.”
“Não corre que tu vai cair.”
“Não sobe aí.”
Quem nunca ouviu frases assim?
A cena costuma se repetir em milhares de famílias. A mãe alerta. A criança ignora. O acidente acontece. E então vem a clássica frase:
“Eu te avisei.”
Mas existe algo muito interessante nisso tudo: o foco da mãe nunca está apenas no momento presente. Ela olha para frente. Ela pensa na consequência. Seu raciocínio já está projetado no futuro, avaliando aquilo que pode acontecer caso determinada atitude seja tomada sem cuidado. No fundo, é exatamente isso que faz um profissional prevencionista. Na segurança do trabalho, atuamos diariamente tentando evitar acidentes e doenças ocupacionais. Nosso trabalho consiste justamente em identificar perigos antes que eles causem danos. Avaliamos riscos, analisamos cenários, antecipamos consequências e implementamos medidas de controle para impedir que algo ruim aconteça. Sob a ótica de muitas pessoas, isso às vezes soa como exagero.
“Vocês enxergam perigo em tudo?”
A pergunta é comum para quem trabalha com prevenção. E talvez as mães sejam as pessoas que mais escutaram isso ao longo da vida. Porque o prevencionista, assim como uma mãe, possui um olhar treinado para perceber aquilo que normalmente passa despercebido pelos demais. Ele não observa apenas a atividade. Observa também o que pode dar errado durante ela.
Existe, evidentemente, um componente técnico na segurança do trabalho. Há normas, metodologias, avaliações, análises e conhecimento científico envolvidos. Mas existe também um elemento humano extremamente forte: o cuidado. E poucas figuras representam o cuidado de maneira tão intensa quanto uma mãe. Claro que a figura paterna também exerce seu papel protetivo. Muitos pais igualmente carregam esse instinto de antecipar riscos e proteger seus filhos. Mas há algo no amor materno que parece funcionar com uma consistência impressionante. Uma espécie de radar permanente ligado vinte e quatro horas por dia. Talvez seja justamente por isso que as mães sejam reconhecidas, ainda que informalmente, como grandes especialistas em prevenção.
No ambiente de trabalho, a lógica deveria ser semelhante. Quando um profissional de segurança orienta o uso correto de um equipamento de proteção, sinaliza um risco ou interrompe uma atividade insegura, ele não está dificultando o trabalho de ninguém. Está apenas tentando evitar que alguém descubra da pior maneira possível que o alerta fazia sentido. Assim como as mães fizeram durante toda a nossa vida. Porque prevenir, no fundo, é um ato de cuidado. E talvez tenha sido dentro de casa, ainda na infância, que muitos de nós tivemos o primeiro contato com a prevenção – mesmo sem perceber isso na época.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





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