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Governança humanizada: a diferença entre os iguais – por Marionaldo Ferreira

A política pública costuma ser tratada como um jogo de discursos, disputas partidárias e promessas eleitorais. Mas, fora dos gabinetes e das campanhas, existe uma realidade concreta: pessoas precisam comer, dormir em segurança, ter acesso à saúde, trabalhar e viver com dignidade. Entre essas necessidades mais urgentes estão as daqueles que vivem nas ruas, invisíveis para grande parte da sociedade e frequentemente lembrados apenas em períodos de crise ou debate eleitoral.

A população em situação de rua cresce nas grandes cidades brasileiras porque a desigualdade não é um conceito abstrato. Ela aparece no desemprego, no aluguel que não cabe no salário, na falta de atendimento em saúde mental, na dependência química sem tratamento adequado e no abandono familiar. Ninguém escolhe a rua como projeto de vida. A rua é, quase sempre, o resultado extremo de uma sucessão de falhas sociais.

Por isso, a política precisa voltar ao seu sentido original: organizar prioridades e responder às necessidades reais da população. Governar não é apenas administrar orçamento ou produzir discursos. É construir políticas públicas capazes de alcançar quem mais precisa, sem abandonar o restante da sociedade. Afinal, todos têm necessidades. O trabalhador que enfrenta horas no transporte precisa de mobilidade. A mãe que espera meses por consulta médica precisa de saúde pública eficiente. O jovem sem acesso à educação precisa de oportunidade. O morador de rua precisa, antes de tudo, ser tratado como ser humano.

O grande desafio do Estado é definir um plano de ação racional e humano. Isso significa entender quem precisa de atendimento imediato e quais problemas exigem respostas urgentes. Em qualquer sociedade organizada, quem vive em situação extrema deve ser prioridade. Não por privilégio, mas porque a ausência de condições mínimas ameaça a própria dignidade humana.

Atender primeiro quem está em situação mais grave não significa esquecer os demais. Significa estabelecer critérios de urgência. Assim como em um hospital o paciente mais grave recebe atenção imediata, a política pública também precisa funcionar com prioridades claras. Quem não tem moradia, alimentação ou acesso básico à saúde vive uma emergência diária.

Esse plano exige integração entre diferentes áreas do poder público. Não basta criar abrigos temporários sem oferecer oportunidades de reinserção social. É necessário combinar moradia popular, atendimento psicológico, qualificação profissional, combate à fome e acesso permanente à saúde. Sem continuidade, qualquer política se transforma apenas em ação paliativa.

Também é preciso romper com a ideia de que pobreza se resolve apenas com caridade. Solidariedade é importante, mas não substitui políticas públicas estruturadas. O enfrentamento da exclusão social depende de planejamento, investimento e responsabilidade do Estado. Uma sociedade democrática não pode aceitar que milhares de pessoas sobrevivam nas calçadas enquanto direitos básicos existem apenas no papel.

No fundo, a discussão sobre população de rua revela uma pergunta maior: que tipo de sociedade queremos construir? Uma sociedade que ignora os mais vulneráveis normaliza a desigualdade. Já uma sociedade que organiza suas prioridades para proteger quem mais precisa fortalece a cidadania para todos.

A política só faz sentido quando melhora a vida concreta das pessoas. E isso começa justamente por aqueles que hoje têm menos voz, menos recursos e menos proteção.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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6 Comentários

  1. Resumo da opera. Politica esta em transição. O antigo não sumiu ainda e o novo ainda não apareceu. Instituições quando entram em estado de disfunção só tem correção quando começam do zero. Porque o ‘errado’ entranha na cultura, vira o ‘normal’. No mais a leitura do texto foi uma tremenda perda de tempo. Apelo ao emocional dos Vermelhos mesozoicos, a religião do Estado, a conversinha mole do ‘cidadã’, do ‘humano’, o foco nas minorias quando a maioria está se lascando. Mimimi de quem esta com a vida ganha.

  2. ‘[…] que tipo de sociedade queremos construir?’ Nenhuma. Quem vive fantasiando a respeito disto são os Vermelhos. Os velhos porque já não tem como mudar a mentalidade e os jovens que nunca fizeram nada na vida.

  3. ‘A população em situação de rua cresce nas grandes cidades brasileiras porque a desigualdade não é um conceito abstrato.’ Los Angeles tem algo como 27 mil moradores de rua. O ‘county’ de Los Angeles mais de 47 mil. Berna na Suiça quase 100. Entre 4 e 5 mil em Paris. ‘Homeless’ segundo a ONU são algo como 300 milhões mundo afora. A mesma ONU diz que no ‘sul global’ existe uma migração para grandes cidades.

  4. ‘Ninguém escolhe a rua como projeto de vida.’ ‘Ninguém’ é muita gente. Verdade que o ser humano se adapta a quase tudo, mas há quem prefira a rua. Como se sabe isto? Porque foi oferecida uma alternativa e não foi aceita.

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