Pontes ou abismos – por João Luiz Vargas
Fato com Trump “não é apenas um episódio isolado de violência política”

Há dias em que o mundo parece prender a respiração. Não por silêncio, mas pelo excesso de ruído que fere, divide e assusta. A cada manchete, somos lembrados de que a humanidade ainda caminha sobre terrenos frágeis, onde a intolerância insiste em brotar.
O fato ocorrido com o presidente dos Estados Unidos, não é apenas um episódio isolado de violência política. É um sintoma, um eco de tempos em que o diálogo cede espaço ao confronto e a divergência deixa de ser ponte para se tornar abismo. Não foi apenas um ataque a um homem, mas uma ferida no próprio conceito de convivência democrática.
Basta um acontecimento assim para que a dúvida se instale, a confiança vacile e o medo encontre espaço onde antes havia esperança.
Enquanto isso, em outros cantos do mundo, guerras seguem seu curso. Famílias vivem sob medo constante, crianças aprendem cedo o significado da perda, e povos inteiros resistem às decisões de líderes que, por vezes, parecem mais apaixonados pelo poder do que pela vida. Há governantes que, tomados por uma ilusão de grandeza, avançam sobre territórios alheios como se fossem donos da história, esquecendo que toda opressão deixa marcas e encontra seu limite.
Há governantes que, tomados por uma espécie de ilusão de grandeza, avançam sobre territórios e destinos alheios como se fossem donos do tempo e da história. Esquecem que cada passo dado sobre o outro deixa marcas que nenhuma vitória apaga. Esquecem que a força que oprime é a mesma que, um dia, encontra seu limite.
Mas há também aqueles que insistem. Que acreditam. Que trabalham, muitas vezes longe dos holofotes, para reconstruir pontes, restaurar diálogos e devolver ao mundo algum equilíbrio. São vozes que não gritam, mas persistem. São gestos que não aparecem, mas sustentam.
(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.





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