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Com o alerta do El Niño, voltam as intervenções feitas às pressas – por Ana Luiza Arigony

“O problema é que muitas ... acabam acontecendo no impulso da urgência”

Com os novos alertas envolvendo o El Niño e o temor de novas enchentes no Rio Grande do Sul, muita gente voltou a olhar para rios, arroios e áreas de drenagem com preocupação.

E isso é compreensível.

Depois de tudo o que o Estado viveu, é natural que produtores, empresários e moradores não queiram esperar a próxima enchente para agir.

O problema é que muitas dessas intervenções acabam acontecendo no impulso da urgência.

Limpeza de arroios, retirada de sedimentos, abertura de canais e movimentação de terra começam a surgir como tentativa de evitar novos alagamentos e proteger propriedades e comunidades inteiras.

Em muitos casos, a intenção realmente é ajudar.

Mas existe um ponto que pouca gente percebe: mexer em cursos d’água também é uma intervenção ambiental.

E isso significa que, dependendo da forma como a atividade é realizada, ela pode gerar autuações e responsabilizações futuras, mesmo quando o objetivo era justamente evitar um problema maior.

Hoje, existem no Estado discussões milionárias envolvendo intervenções feitas para melhorar o escoamento da água e aumentar a segurança das áreas atingidas.

Isso porque, no Direito Ambiental, a intenção de ajudar nem sempre impede responsabilização futura.

A urgência existe. O medo também. Mas agir sem planejamento técnico e orientação adequada pode transformar uma tentativa de solução em um problema ainda maior.

Porque, muitas vezes, o prejuízo da forma como se age acaba sendo maior do que o problema que se tentou evitar.

(*) Ana Luiza Arigony é advogada ambiental e mestranda em Engenharia de Produção pela UFSM. Ela escreve no site às terças-feiras.

https://arigonyadvocacia.com/

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3 Comentários

  1. Resumo da opera. É Brasil. Dependendo de quem comete não se trata de crime ambiental. Ou alguém duvida?

  2. ‘Isso porque, no Direito Ambiental, a intenção de ajudar nem sempre impede responsabilização futura.’ Cacoete do pessoal do juridico. Todo mundo vê as coisas não funcionando e provocados mencionam a teoria, a legislação. ‘Responsabilização’ pode acabar em BSB. Por lá a politica manda mais do que o direito. Inventam uma ‘tese’ jurídica e dá em nada. Simples assim.

  3. Anos atrás, numa das secas grandes que ocorreram, foi comentado neste site que era uma boa oportunidade para fazer duas coisas. Inspecionar as pontes porque dispensava o uso de mergulhadores. E desassorear cursos d’agua porque também era mais fácil. Inumeras vezes também já foi comentado que ‘problema’ é uma coisa que só existe quando bate no bureau do politico na sala com ar condicionado. Vide Pessimo e Corsan por exemplo. O aspecto eleitoral também é importante.

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