Madame Théroigne de Méricourt – por Elen Biguelini

Anne-Josephè Terwagne, nascida em 13 de agosto de1762 em Marcourt, na atual Bélgica, foi uma revolucionária francesa, mais conhecida como Madame Théroigne de Méricourt (a alcunha tem relação ao nome do local onde havia nascido). Foi filha de uma família rica do Principado de Liege, atual Bélgica. Seu pai era Pierre Terwagne (1731-?) e sua mãe Élisabeth Lahaye (1732-1767). Esta morreu quando ela era ainda pequena, razão pela qual foi educadas por tias, e posteriormente foi para o Convento de Robermont, onde foi criada com a formação religiosa simples e limitada. Mas com 12 anos retornou a casa paterna, após o segundo casamento de seu pai.
No entanto, a relação com sua nova madrasta foi tão ruim, que a jovem fugiu de casa e se tornou uma “demi-mondaine” em Paris, ou seja, uma senhora mantida por um rico parisiense. Antes disto, no entanto, passou cerca de quatro anos como dama de companhia de uma dama inglesa chamada madame Colbert. Foi nesta casa que aprendeu a ler, escrever, cantar e tocar.
Morou em diversas cidades da Europa, acompanhando diversos amantes, mas ficou marcada na história por ter participado ativamente da Revolução Francesa. Chegou a Paris justamente a tempo de participar dos maiores acontecimentos desta revolução, tendo se mudado para a cidade justamente devido aos rumores revolucionários que concordavam com suas opiniões sobre a sociedade. Esteve presente na Tomada da Bastilha e no cortejo que foi a Versailles procurar (pretendendo matar) a família real. Foi uma das poucas, se não a única, mulher a participar nas Assembleias da Revolução, morando em Versailles e participando ativamente dos encontros diários que formularam os preceitos republicanos.
Nos anos posteriores à sua marcada presença nos acontecimentos revolucionários, era vista em seu salão, vestida com o barrete revolucionários, vestida de amazona (em trajes masculinos) e usando armas. É durante este período que modifica seu nome, afrancesando Terwagne para Théroigne.
Seu salão na rue Bouloi era frequentado por grandes nomes da Revolução Francesa, como o jornalista e advogado Camille Desmoulins (1760-1794); Emmanuel-Joseph Sieyès, o abade Sieyès (1748-1836) revolucionário radical que posteriormente se tornou conservador e promoveu Napoleão Bonaparte; o advogado Jérôme Pétion (1756-1794) que foi prefeito de Paris entre 791-1792;o jornalista, político e escritor Jacques Pierre Brissot (Brissot de Warwille,1754-1793), o dramaturgo e ator Philippe-François-Nazaire Fabre (Fabre d’Églantine, 1750-1794); e aquele que recebeu a alcunha de “Arcanjo do terror” por sua participação na Revolução, Louis Antoine de Saint-Just, 1767-1794); e do médico e matemático Charles-Gilbert Romme (1750-1795) que veio fazer parte da criação do calendário republicano.
Ainda durante a Revolução, durante o ano de 1790, suas atitudes durante os primeiros acontecimentos desta a levam a ser vista negativamente. Ela foi, incluso, suspeita de tentar assassinar Maria Antonieta. Sua imagem de mulher política e revolucionária incomodou aos grupos menos radicais, que a criticavam como mulher livre.
Em 1792 declamou um discurso apaixonado sobre a igualdade de direitos para as mulheres. Ela pretendia a criação de um Batalhão de Amazonas.
Em 1793 foi suspeita de apoiar Girondinos. Devido a isto é despida e açoitada por outras mulheres em praça pública como punição.
Após o declínio da Revolução, sua saúde mental ficou alterada, e ela passou o resto de seus anos internada em um hospital parisiense, onde faleceu em 8 de junho de 1817. Nota-se que muitos de seus amigos haviam falecido durante as diversas fases da revolução francesa, que puniu seus próprios membros com a mesma fúria com que puniu as famílias nobres. Grande parte de seus amigos morreram guilhotinados. Ela sobreviveu, mas a tristeza ao observar o fracasso de um ideal que defendeu com tanto zelo, unido a perda de todos os seus conhecidos e amigos, a levou a uma vida triste e solitária. Provavelmente tenha sofrido de demência, não compreendendo bem o local em que estava.
Ela levou diversas alcunhas devido a sua posição fanática revolucionária. Entre elas, “Amazona da Liberdade”, “Bela de Liege” e “Fúria da Gironda”.
Deixou alguns textos publicados.
Obras
“Discours prononcé à la Société fraternelle des minimes, le 25 mars 1792, l’an quatrième de la liberté, par Mlle. Théroigne, en présentant un drapeau aux citoyennes du faubourg S. Antoine”, 1791. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k56679c?rk=21459;2
“Aux 48 sections” ,s.d. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k56680k?rk=42918;4
“Catéchisme libertin à l’usage des filles de joie et des jeunes demoiselles qui se décident à embrasser cette profession”, 1792. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bd6t5775895z?rk=64378;0
Uma carta manuscrita de 1790. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k1556057d?rk=107296;4
Referências
Uma imagem da autora, impressa, s.d. Acesso via Gallica_ https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b6944191c.r=Th%C3%A9roigne%20de%20M%C3%A9ricourt?rk=42918;4
Página da Wikipedia sobre Théroigne de Méricourt, em portugues. Acesso via: https://pt.wikipedia.org/wiki/Th%C3%A9roigne_de_M%C3%A9ricourt#cite_note-1
Página da Wikipedia francesa sobre Théroigne de Méricourt. Acesso via: https://en.wikipedia.org/wiki/Theroigne_de_Mericourt
McPhee, Peter. “Hidden Women of History: Théroigne de Méricourt, feminist revolutionary”. In. The conversation. Acesso via https://theconversation.com/hidden-women-of-history-theroigne-de-mericourt-feminist-revolutionary-107802
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 112-113.





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