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Enquanto a 287 esvazia, nossa paciência se esgota – por Luís Henrique Kittel

“Um verdadeiro retrato da negligência com a infraestrutura da nossa região”

Costumo usar este espaço para refletir sobre os desafios que enfrentamos enquanto região. E, por mais que pareça repetitivo, infelizmente os temas voltam a aparecer porque os problemas continuam – e, pior, se agravam.

Nas últimas semanas, o centro do Rio Grande do Sul voltou a ser atingido por chuvas extremas. Foram cerca de 500 milímetros em apenas quatro dias. E nossas equipes, especialmente as de Defesa Civi, já operam no automático – tamanha é a frequência com que essas tragédias se repetem.

Porém, enquanto buscamos reconstruir cidades atingidas e prestar o apoio necessário à população, enfrentamos outro problema crônico: a RSC-287. Um verdadeiro retrato da negligência com a infraestrutura da nossa região.

Estive em Santa Maria nesta semana para uma reunião da AMCentro, da qual sou vice-presidente. No trajeto entre Agudo e Santa Maria, me deparei com o mesmo cenário que muitos já conhecem: uma rodovia que cobra pedágio, mas entrega buracos e insegurança. E o que é ainda mais grave: não há qualquer obra de duplicação no trecho entre Novo Cabrais e Santa Maria. Um compromisso assumido, mas até agora ignorado.

A consequência está à vista de todos. E é doloroso ver a movimentação econômica da rodovia definhando. Postos de gasolina sem movimento. Comércios à beira da rodovia esvaziados. Tráfego reduzido drasticamente. Quem pode, desvia. Vai pela BR-290. Vai por Cruz Alta. E a 287, que sempre foi um dos grandes eixos de ligação da região central com o restante do estado, vai se tornando uma estrada esquecida. E com ela, vai se deixando de lado também uma parte importante da economia.

Quando não estamos parados por horas em um “pare-e-siga”, estamos enfrentando o medo de acidentes ou a frustração de ver que o dinheiro pago em pedágio não se traduz em melhorias. E o que já vínhamos alertando ao Governo do Estado, que tem a obrigação de fiscalizar essa concessão, está se confirmando dia após dia: a população está sendo lesada.

Estamos cobrando a empresa responsável e exigindo do Governo do Estado uma resposta imediata e concreta. A 287 é vital para o escoamento da produção, para a mobilidade do trabalhador, para o acesso à saúde, à educação e ao comércio. É um eixo de integração regional – e tratá-la com esse descaso é um “tiro no pé” do desenvolvimento.

E isso tudo é apenas uma parte do problema. Poderíamos falar também da RS-348, entre Agudo e Dona Francisca, ou dos inúmeros trechos críticos na Quarta Colônia. Mas isso envolve o Daer. E, sinceramente, nesse momento, prefiro me calar. Porque o Daer, infelizmente, não tem “bala na agulha” para resolver na velocidade que gostaríamos.

A realidade climática mudou. Os desafios cresceram. E a infraestrutura, que já era deficiente, agora escancara sua fragilidade. Ou enfrentamos esse problema com coragem e ação conjunta – ou vamos continuar girando em círculos, semana após semana, falando das mesmas dores sem nunca chegar à cura.

(*) Luís Henrique Kittel, 39 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.

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5 Comentários

  1. Ainda bem que as estradas municipais e as pontes levadas no ano passado estão em ótimas condições no nosso lindo e explendido torrão Agudo!! Semanas sem aulas nas escolas a cada chuva caída do céu, um descaso profundo, eu sinceramente nunca vi uma estrada principal, geral, ligadora de municípios não ser considerada a estrada principal, aplausos para o brilhante secretário de obras, que adora colocar bueiros em arroios e é tudo que é feito, em um ano.

  2. Resumo da opera. Quem achar ruim a situação tem o direito. Só não tem direito de abusar da paciencia e vender terrenos no céu. Politização não resolve. Que utilizem a 290m, dizem que não tem pedagio e esta melhor. Ainda por cima é estatal.

  3. ‘[…] está se confirmando dia após dia: a população está sendo lesada.’ Se o contrato diz que a duplicação iria começar pela Tabaí esta sendo cumprido. O resto é enganação.

  4. ‘[…] frustração de ver que o dinheiro pago em pedágio não se traduz em melhorias.’ Imediatismo. Vermelhos porque vendem a mentira de que se fosse estatal estaria melhor. Vide Governo Tarso, o intelectual. Outros fingem ‘estar ao lado do pôvú’. Por incompetencia ou ignorancia não acompanharam o processo licitatorio e deu no que deu.

  5. Assunto que já deu o que tinha o que dar. Governo do Estado fez a modelagem financeira, estruturou a licitação com os postos de pedagio, elaborou a minuta do contrato a ser assinado. Empresa ganhou a licitação assinou a papelada. Controversias poderao ser discutidas no judiciario.

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