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Enquanto a bola rola, a vida segue – por Luís Henrique Kittel

“A vida real não entra em intervalo”. E desafios continuam, após o apito final

A cada quatro anos, o Brasil entra em dois grandes estados de expectativa coletiva. Um deles acontece nas eleições gerais, quando muitos depositam nas urnas a esperança de que um novo governo resolva, quase por mágica, problemas históricos do país. O outro acontece na Copa do Mundo, quando acreditamos que noventa minutos podem mudar o humor de uma nação inteira. Mas nem presidentes, nem craques, substituem aquilo que realmente constrói uma sociedade forte, que é o trabalho, a liberdade e o compromisso diário com o bem comum.

E nesse sentido, há uma verdade que insiste em se impor. Enquanto a bola rola, a vida segue.

Na semana em que a expectativa tomou conta do país pela abertura da Copa, o Senado brasileiro discutia e votava pautas importantes para o futuro das finanças públicas, como a securitização. No mesmo dia em que o Brasil fez sua estreia na Copa, o país acompanhou estarrecido a tragédia ocorrida em São Paulo, em uma atividade de esporte radical que levantou questionamentos sobre fiscalização, responsabilidade e prevenção. Da mesma forma, nesse mesmo período em que os jogos seguem ocupando manchetes e rodas de conversa, o mundo acompanha com apreensão os desdobramentos da tensão envolvendo Estados Unidos e Irã.

Isso tudo mostra que a vida real não entra em intervalo.

Os agricultores continuam preparando a próxima safra. Os empreendedores seguem abrindo suas portas, assumindo riscos e gerando empregos. Pais e mães continuam educando seus filhos e fazendo escolhas difíceis. Professores seguem formando cidadãos. Profissionais da saúde mantêm seus plantões. Servidores públicos seguem garantindo que os serviços essenciais não parem.

Depois do apito final, permanecem os mesmos desafios. Nenhum salvador da pátria fará isso sozinho. Não há herói vestindo terno ou “camisa 10” capaz de substituir a força de uma sociedade formada por cidadãos livres, responsáveis e comprometidos com o futuro. E o Brasil continuará precisando de menos ilusões e mais trabalho, menos dependência e mais autonomia, menos promessas milagrosas e mais responsabilidade.

Porque o jogo mais importante não é decidido em noventa minutos nem a cada quatro anos. Ele é disputado todos os dias, por cada brasileiro que acorda cedo, produz, empreende, serve e acredita que o nosso país pode ser melhor do que é hoje.

(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN. É prefeito de Agudo (o único do PL na região), e é o atual presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro) e já foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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