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E o Ensino Médio? – por Jorge Luiz da Cunha

Na edição da Folha de São Paulo, de 29 de junho, a doutora em educação Wanda Aduan publicou um interessante comentário sobre a situação do ensino médio no Brasil. No texto, aproveitou para provocar os candidatos às eleições majoritárias nos estados da federação a oferecer propostas para a questão que a autora considera uma “bomba relógio”.

A autora afirma que há problemas seríssimos no ensino médio. Menos da metade dos jovens brasileiros que estão na idade de frequentar esta etapa da educação básica está neste nível. Há problemas de cobertura regional de oferta de vagas, modalidade de currículos e formas de atendimento inadequadas para as realidades locais e regionais. O maior problema, contudo, é o de fluxo e desempenho dos estudantes. O ensino médio profissionalizante é cursado por menos de 10% dos matriculados. O que significa que mais de 90% realizam esta etapa de sua educação básica “sendo preparados para uma universidade na qual a maioria não pisará”.

Ofertado predominantemente no turno noturno, mesmo nos estados brasileiros mais desenvolvidos, o ensino médio atende à noite 40 % dos alunos matriculados, quando apenas 17% deles estudam e trabalham. A pesquisadora Wanda Aduan acredita que estes fatores provocam a perda da metade dos alunos: – “… entram 3,6 milhões e concluem 1,8 milhões”. A autora afirma que “estamos perdendo esses jovens para o desemprego, para a reprodução da pobreza (22% dos mais pobres já têm filhos) e para a violência. Dos que concluem apenas 9% (em matemática) e 24% (em português) apresentam um desempenho considerado adequado”.

O artigo de Wanda Aduan me fez lembrar de um excelente professor e pesquisador que conheci, Mario Osorio Marques. Um franciscano de São Francisco de Paula que ajudou a construir a Unijuí, em Ijuí, instituição da qual nunca se afastou até sua morte, em 14 de dezembro de 2002. O pedagogo gaúcho, em um artigo que publicou em 2001, afirmava: – “No atual estágio de desenvolvimento sociocultural o ensino médio deixa de ser meramente propedêutico e assume funções de formação da cidadania, o que significa a preparação para a participação nos movimentos sociais, no âmbito da ética do entendimento multilateral. Ao ensino médio cabe também a formação para o trabalho, por isso a escola precisa adaptar-se constantemente às transformações do mundo do trabalho, determinadas pelas novas tecnologias e relações produtivas, que implicam criatividade, trabalho em equipe e flexibilidade funcional. A escola brasileira precisa elaborar o currículo médio nessa direção e transformar o ensino médio no eixo da educação.”

Considerando que apenas 14% das matrículas no ensino médio estão sob responsabilidade do sistema federal e municipal (principalmente educação profissional e colégios militares), significa que a responsabilidade quase absoluta recaí sobre os sistemas estaduais que detém, portanto, 86% das matriculas. Um boa razão, creio, para colocarmos esta questão na pauta de nossas expectativas quanto à próxima eleição.
Nossos jovens não podem esperar por formação adequada. A vida urge! O ensino médio é o lugar por excelência desta formação. A atenção dos governos estaduais para o incremento da educação profissional, articulação efetiva entre educação e trabalho e a oferta de vagas preferencialmente no turno diurno, são medidas fundamentais para dar conta das necessidades de educação desta importante parcela da população de brasileiros.

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Um Comentário

  1. Prezado Sr. Márcio,
    Agradeço muito seu comentário sobre o artigo sobre o Ensino Médio. Por favor, sinta-se a vontade para utiliza-lo. Coloco-me, igualmente, a disposição para mais informações sobre o assunto.
    Um abraço,
    Jorge Luiz da Cunha

  2. Este seu artigo, Prof. Jorge Cunha, me despertou para o tema. Acredito não estar errado quando afirmo que o Governo Federal aumentou consideravelmente as vagas para ensino profissionalizante nos últimos anos, mas com os números apresentados, fica claro que os governos estaduais tem que agir no mesmo sentido. Se não tiver a sua contrariedade, buscarei a opinião de meu candidato ao governo gaúcho sobre este tema fazendo uso do seu texto.

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