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O Brics como solução – por Leonardo da Rocha Botega

Dados do quanto o grupo (do qual Brasil é parte) é relevante na política global

Desde o anúncio do aumento das tarifas sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, feito pelo presidente Donald Trump e articulado pela cúpula do bolsonarismo, uma série de propostas ganharam evidência no debate político brasileiro. Uma destas propostas é a ruptura do Brasil com o Brics, o grupo econômico que tem sido alvo de críticas pelo governo estadunidense.

Um dos principais defensores desta proposta é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo. A ideia exposta pelo principal representante do “novo puxadinho” de Bolsonaro (assim chamado por João Amoedo, fundador do partido e ex-candidato presidencial) foi classificada pelo jornalista Otávio Guedes como “a vencedora do concurso de ideia mais burra” para sair da crise do tarifaço bolsonarista-trumpista.

O Brics foi fundado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Em 2024 e 2025, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia, Irã e a Indonésia passaram a fazer parte do grupo. Além destes países, Argélia, Bahrein, Bangladesh, Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Honduras, Kuwait, Palestina, Senegal, Tailândia, Venezuela e Vietnã manifestaram interesses em aderir ao grupo.

No que tange ao seu tamanho, o Brics compõe 46% da população mundial (cerca de 3,6 bilhões de pessoas), 25% do PIB mundial (US$ 28,4 trilhões), 21% do comércio global (26% e 22% das exportações e importações mundiais de bens e 14% e 17% das exportações e importações mundiais de serviços). Os países do Brics também são responsáveis por mais de um terço da produção global de petróleo.

Todos estes dados revelam o quanto o grupo tem sido relevante na política global. Uma relevância que não para de crescer e propor novas pautas para o comércio internacional. Entre estas propostas está a substituição do dólar como moeda de referência, medida que vem sendo discutida em vários fóruns internacionais e tem sido o principal alvo das criticas de Trump ao grupo.

Em relação ao Brasil, o Brics representa 30,8% do comércio internacional do país. Dos US$ 599,9 bilhões alcançados pela corrente comercial (exportações + importações) do Brasil em 2024, US$ 184,6 bilhões foram com países que integram o Brics. A corrente comercial do Brasil com o Brics, em 2024, superou a soma da relação com os Estados Unidos (US$ 81 bilhões) e a União Europeia (US$ 95,5 bilhões).

A relevância do Brasil dentro do grupo é destacada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) que, em estudo publicado em março de 2025, chamou atenção para a participação brasileira na corrente de comércio do Brics. Em 2024, o comércio brasileiro totalizou 30,4% das exportações do grupo e 31,5% das importações. As commodities concentram a principal pauta de exportação do Brasil no grupo, 84,7%.

Com relação a Minas Gerais, estado do governador que propõe a saída do Brasil do grupo, 42% das exportações tem como destino os países do Brics. Em 2024, dos US$ 42 bilhões exportados pelo estado, US$17,6 bilhões foram para países que faziam parte do grupo. A maior parte das exportações mineiras para o Brics é para a China, principal país comprador do estado, 36,6% (US$ 15,4 bilhões).

Tal tendência tem se repetido este ano. No primeiro semestre de 2025, Minas Gerais teve um superávit comercial de R$ 27 bilhões com os países que compõe o Brics. Até o mês de junho, os 11 países-membros dos Brics representaram 40% de todo o lucro de R$ 70,8 bilhões da balança comercial de Minas Gerais. Ao longo deste período, o estado de Minas Gerais exportou para 191 países.

O superávit comercial de Minas Gerais com o Brics não é exceção. Outros estados como Rio de Janeiro e Paraná também possuem um superávit comercial significativo com o grupo. Além disso, o Banco dos Brics (NDR) aprovou (até hoje) um total de R$ 5,7 bilhões em financiamento para a reconstrução do Rio Grande do Sul. O financiamento é destinado principalmente para obras de infraestrutura e proteção ambiental.

Como se pode ver, os dados (retirados de diferentes fontes como a OMC, o Banco Mundial, o FMI, o MDIC e o NDR) demonstram as vantagens práticas de o Brasil ser parte do Brics. São esses dados que demonstram a irrealidade da proposta do governador Romeu Zema. O Brics é solução para a crise. Qualquer proposta subserviente ao trumpismo, de fato, não passa de estupidez. Guedes tem razão! Zema merece o troféu!

(*) Leonardo da Rocha Botega, que escreve regularmente no site, é formado em História e mestre em Integração Latino-Americana pela UFSM, Doutor em História pela UFRGS e Professor do Colégio Politécnico da UFSM. É também autor do livro “Quando a independência faz a união: Brasil, Argentina e a Questão Cubana (1959-1964).

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12 Comentários

  1. Resumo da opera iV. Pessoal de humanas tentando engrupir os outros com numeros é sempre engraçado! Kuakuakuakuakuakua!

  2. Resumo da opera III. Não existe nada que este governicho de incomPeTentes gastadores esteja fazendo que não possa ser desfeito depois. Exceção das pessoas que irão morrer por conta da aterrissagem do voo de galinha.

  3. Resumo da opera II. Cavalão tentou incluir o Brasil na OCDE. Parado agora que os comunas estão no poder.

  4. Resumo da opera. Felca divulgou um video. De um problema conhecido que era ignorado. Virou mote para cortina de fumaça e tentativa de controle das redes via jabutis.

  5. ‘O Brics é solução para a crise. Qualquer proposta subserviente ao trumpismo, de fato, não passa de estupidez.’ Brics não fede e não cheira no assunto. Unico pais relevante do bloco que não negocia com os ianques é o Brasil. Detalhe: Agente Laranja ligou para o Putin para marcar um encontro no Alasca para discutir a Ucrania.

  6. O comercio exterior do Brasil não dependem da participação no bloco. China tem que comprar produtos de alguém. Tem demanda. Ianques tentam forçar a mão no caso da soja, por exemplo. Noticias que vem da Asia dão conta que os chineses querem diminuir a dependencia do Brasil neste produto. Decisão já teria sido tomada antes do Agente Laranja assumir. Apesar disto ainda trabalham e financiam a Ferrovia Transoceanica.

  7. Em 2024 a China importou 116 bilhões de dolares do Brasil. Petroleo, soja, minerio de ferro, cobre. India importou 6 bilhões, um pouco menos. Mesmos produtos e mais alguns industrializados. Ou seja, quando se fala em ‘Brics’ trata-se da China.

  8. ‘Com relação a Minas Gerais, […] 42% das exportações tem como destino os países do Brics’. Pois então, 58% não são. E dos 42% a maior parte é minerio de ferro para a China.

  9. ‘A relevância do Brasil dentro do grupo é destacada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) que,[…]’. A relevancia do Brasil é destacada pelo proprio Brasil.

  10. ‘Todos estes dados revelam o quanto o grupo tem sido relevante na política global.’ É um jênio. Agente Laranja negocia com um unico bloco, a União Europeia. China negocia isoladamente, India negocia isoladamente. Africa do Sul esta seguindo a mesma receita que o Zimbabwe implementou na decada de 80 e que resultou em muita m.

  11. Agente Laranja acredita que o Brics tem politicas anti-americanas. Governo Rato Rouco é claramente anti-americano. Russia e China sem comentarios. Irã idem. Colocou uma recompensa de 40 milhões pela cabeça do presidente ianque.

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