Quando o jogo ensina mais do que o resultado – por João Luiz Vargas
Então, “antes de sermos adversários em qualquer discussão, somos pessoas”

A Copa do Mundo tem algo de mágico. Durante algumas semanas, milhões de pessoas se unem em torno de uma paixão comum. Ruas se enfeitam, famílias se reúnem, amigos se encontram e até desconhecidos compartilham emoções que parecem falar a mesma língua, independentemente de suas origens.
É curioso perceber como, nesse período, tantas diferenças ficam em segundo plano. Questões políticas, religiosas, ideológicas e até rivalidades pessoais cedem espaço para algo maior: o sentimento de pertencimento, de torcida e de esperança. Por alguns instantes, o que nos separa parece menos importante do que aquilo que nos une.
Dentro de campo, essa lição se repete. Jogadores que defendem cores diferentes, que disputam cada lance com intensidade, apertam as mãos antes do início da partida e se cumprimentam ao final dela. Competem com firmeza, mas reconhecem no adversário alguém digno de respeito. Entendem que é possível discordar sem odiar, disputar sem destruir e vencer sem humilhar.
Talvez a grande reflexão que a Copa nos oferece não esteja apenas nos gols, nos títulos ou nas comemorações. Talvez esteja justamente na demonstração de que a convivência é possível. Se conseguimos nos unir durante um campeonato, vibrar lado a lado e respeitar quem torce diferente, por que não agir da mesma forma nos outros dias do ano?
O mundo atravessa conflitos, divisões e intolerâncias. Muitas vezes, somos levados a acreditar que nossas diferenças são maiores do que nossa humanidade. Mas a Copa nos lembra exatamente o contrário: antes de sermos adversários em qualquer discussão, somos pessoas.
Quem sabe a verdadeira vitória não seja apenas a conquistada dentro das quatro linhas. Quem sabe ela esteja na capacidade de enxergar no outro alguém que merece respeito, mesmo quando pensa diferente de nós.
Se o esporte consegue nos ensinar isso por algumas semanas, talvez o desafio seja levar essa lição para a vida inteira.
(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.





‘Questões políticas, religiosas, ideológicas e até rivalidades pessoais cedem espaço para algo maior: o sentimento de pertencimento, de torcida e de esperança.’ São Sepé fica em Marte? Vermelhos vociferam contra a convocação de Neymarketing. Cavalistas defendem. Mais ainda porque demorou a ‘curar’.