Sou um romântico tóxico – por João Luiz Vargas
“Estamos nos conectando mais ou apenas multiplicando números e vazios?”

Já me disseram muitas vezes que sou um romântico tóxico. Talvez seja verdade. Consigo sentir um profundo sentimento de poesia no amanhecer de cada dia, nos raios de sol que afastam a escuridão da noite e também nos dias nublados e de chuva.
Nessa vibração, construí uma vida repleta de romantismo positivo, mesmo em meio a momentos negativos.
Reconheço que venho de longe, de um tempo em que o sentimento era o que mais aproximava as pessoas. Com o passar dos anos, fomos perdendo essa essência. Tenho visto que estamos deixando de ser solidários, tolerantes e, ao contrário, caminhamos por trilhas marcadas pelo egoísmo e pelo radicalismo.
A sociedade moderna constrói e reforça suas conexões com base no avanço tecnológico que temos à disposição. As relações humanas agora se formam e se mantêm nas redes sociais, sem limites de horário, distância ou presença. Mas isso me faz refletir: estamos, de fato, nos conectando mais ou apenas multiplicando números e vazios?
Ainda assim, continuo acreditando no romantismo de uma vida feliz. Encontro inspiração nas manifestações da natureza, nos seres vivos e, principalmente, nos humanos, onde deposito o maior dos sentimentos: o amor.
E então, me pergunto:
estamos lembrando de amar?
Ainda sabemos amar?
Ou estamos deixando o amor para “quando der tempo e estivermos online”?
(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.





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