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Brasileiros ainda sonham com o Hexa na Copa do Mundo Fifa – por Carlos Wagner

Pois “ter o melhor time e o técnico mais qualificado não é garantia de vitória”

Na noite de sexta-feira (19), os gols da Seleção no jogo contra o Haiti foram o grito dos brasileiros para o mundo de que ainda estamos caminhando na “longa estrada rumo ao Hexacampeonato”. Depois do empate de 1 a 1 com Marrocos, no sábado (13), um novo empate ou uma derrota contra um time mais fraco transformaria o sonho do Hexa em pesadelo.

Claro que sem a mesma dimensão do “Maracanaço”, como ficou conhecida a histórica derrota do Brasil na final da Copa do Mundo de 1950, por 2 a 1, para o Uruguai, em pleno Maracanã, lotado com 200 mil pessoas. O episódio provocou um trauma nacional e rendeu muitas reportagens, filmes, documentários, teses e livros. Ainda hoje, vez ou outra aquela fatídica partida é ressuscitada nas mesas dos botecos.

O jogo contra o Haiti não virou um pesadelo, deu a lógica, o Brasil ganhou por 3 a 0, com dois gols de Matheus Cunha, 27 anos, e um de Vinícius Jr., 25 anos, todos no primeiro tempo. E ainda teve dois gols anulados por impedimento, o primeiro de Raphinha, 29 anos, quando o jogo estava empatado, o outro de Endrick, 19 anos, já no final da partida. No primeiro tempo, a Seleção ficou praticamente dentro do campo do Haiti, marcando a saída de bola e fechando todos os espaços para impedir o avanço do adversário. Achei que no segundo tempo os brasileiros fariam um “saco de gols”.

Estava engando. No segundo tempo, o Brasil deixou os haitianos jogarem. Eles chutaram várias bolas, algumas perigosas, que exigiram arrojo do goleiro brasileiro Alisson Becker, 33 anos. Liguei para um amigo e colega jornalista que faz cobertura de futebol há muitos e muitos anos para saber o que estava acontecendo. A minha tese era de que os brasileiros tinham “perdido o fôlego”, cansaram. Ele respondeu: “Wagner, não é nada disso. O Brasil tem muitas partidas pela frente e ninguém está a fim de se machucar. Olha o Raphinha, que saiu de campo reclamando de dores. Ninguém quer ser o próximo a se machucar. O jogo estava ganho e era só empurrar com a barriga até o final”.

Argumentei que os brasileiros estavam brincando de “roleta-russa”, porque até o juiz apitar o final da partida tudo pode acontecer, é o que nos ensina a vida. Ele retrucou: “Confia no nosso técnico, ele sabe o está fazendo”. O técnico do Brasil é o italiano Carlo Ancelotti (foto no alto), 67 anos, um cara experiente e muito antenado às reivindicações da torcida, que há dias vinha reclamando a presença de Endrick no time. Para a alegria dos torcedores, o treinador colocou o jovem atacante em campo no segundo tempo. E ele até fez um dos gols anulados.

Ganhar a Copa com o Brasil seria a cereja do bolo da vitoriosa carreira de Ancelotti como jogador e capitão do Roma, do Milan e da Seleção da Itália (jogou duas Copas) e depois como o treinador com mais títulos (cinco) da Champions League, a competição que reúne os melhores times da Europa. Ele poderia escolher qualquer lugar do mundo para trabalhar, inclusive seria uma opção natural para treinar a Itália, que é tetracampeã, mas está há três edições fora do torneio da Fifa. Mas Ancelotti já decidiu o seu destino para os próximos quatro anos. Renovou contrato com a CBF até a Copa de 2030.

Ficou uma ponta solta na derrota do Haiti para o Brasil que eu não entendi direito. A imprensa noticiou que o técnico da Seleção, o francês Sébastien Migné, 53 anos, disse que foi “ingenuidade” dos seus atletas tentarem jogar de igual para igual com os brasileiros. Mas ele é o técnico. Por que não mandou os jogadores fecharem os espaços? A derrota para o Brasil praticamente eliminou o Haiti do torneio porque na estreia já havia perdido por 1 a 0 para a Escócia.

Na quarta-feira (24), os haitianos jogam contra Marrocos. Um jogo que, segundo os comentaristas esportivos, servirá para os marroquinos fazerem saldo de gols contra um adversário já eliminado e desinteressado. Duvido. O Haiti, um país de 11 milhões de habitantes, vive uma crise humanitária, dominado por gangues armadas até os dentes. Ter a sua Seleção participando da maior competição esportiva do mundo é motivo de orgulho para os haitianos. E os jogadores terão a oportunidade de entrar para a história se conquistarem a primeira vitória do seu país numa Copa.

A Seleção de Marrocos é um bom time, empatou em 1 a 1 com o Brasil. Vai ser um bom jogo. Recordo que no final do mês passado publiquei o post Seleção Brasileira e a disputa eleitoral vão brigar pelas manchetes dos jornais. Essa disputa está a todo vapor. Por exemplo, já nesta quarta-feira (24) o Brasil entra em campo contra a Escócia. Os colegas especialistas em futebol descrevem os escoceses como “um osso duro de roer”. Não vou especular sobre o resultado porque não entendo de futebol, sou apenas um torcedor. Entendo de conflito de terra, migrações internas e crime organizado na fronteira. Mas sei ler muito bem as entrelinhas do que publicamos.

O Brasil tem time e organização para competir com qualquer adversário nesta Copa. A experiência nos ensina que ter o melhor time e o técnico mais qualificado não é garantia de vitória. Porque o resultado de um jogo de futebol depende de uma série de fatores, entre eles a sorte, o imponderável. Portanto, o vencedor só será conhecido quando o juiz der o apito final.

Até lá, tudo que publicamos é “conversa de jornal”, como dizem os torcedores que assistem aos jogos tomando cerveja nos botecos. Tenho 75 anos, trabalhei quase 50 anos em redação de jornal e atualmente ando pelas estradas em busca de boas histórias para escrever. E aprendi que uma coisa é o fato, outra é a previsão do que pode acontecer ou não.

Para arrematar a nossa conversa. No final de semana, o técnico da Seleção disse que Raphinha, que saiu da partida contra o Haiti com problemas físicos, ficará fora por um tempo ainda não determinado e em seu lugar, contra a Escócia, deverá entrar Neymar Jr., 34 anos, que se recupera de uma lesão. Essa história será confirmada, ou não, só na hora que Ancelotti ler a lista dos jogadores que enfrentarão os escoceses. E quando o juiz apitar o final da partida, a torcida brasileira saberá se continuará caminhando na estrada do Hexa.

PARA LER NO ORIGINAL, CLIQUE AQUI.

(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.

SOBRE O AUTOR:  Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 75 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.

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5 Comentários

  1. ‘O Brasil tem time e organização para competir com qualquer adversário nesta Copa.’ O Interzinho também, para competir basta entrar em campo. Não vai ser parelho, mas é outra historia.

  2. ‘O Haiti, um país de 11 milhões de habitantes, vive uma crise humanitária, dominado por gangues armadas até os dentes.’ Haiti ficou independente mais ou menos na epoca da Revolução Francesa. Sempre foi utilizado pelos Vermelhos como exemplo da ‘luta contra a opressão’. ‘Luta contra o colonialismo’ e ‘luta contra o escravizador’. Em 1804 mataram entre 3 e 5 mil pessoas utilizando facas e baionetas, grande maioria branca, incluindo mulheres e crianças. Karma ruim.

  3. ‘Ganhar a Copa com o Brasil seria a cereja do bolo da vitoriosa carreira de Ancelotti […}’. Obvio que não. Sem problema, daqui 20 anos maioria não vai lembrar quem ele foi.

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