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Sobre a violência contra as mulheres – por Elen Biguelini

“Mulheres novamente voltam a ter medo de serem vítimas de seu parceiros...”

É Carnaval em pleno momento em que as taxas de feminicídios assustam a todos.

Infelizmente, no Brasil, em 2025, quatro mulheres foram assassinadas por dia.

Este número é chocante. Quatro mães que não irão mais dar de comer a seus filhos, quatro filhas que não irão mais auxiliar seus pais a usar o telefone celular, quatro irmãs que não irão mais brigar pelo último pedaço de bolo, quatro amigas que não irão mais mandar mensagens animadoras em datas tristes.

Elas vão muito além dos números.

Mas o mais chocante esta semana, para além do feminicídio, foi o ódio voltado para as mulheres em todas as ocasiões. Um pai matou um filho e deixou o outro ainda em perigo de vida, mas é a mãe que é ostracizada em pleno funeral da criança.

O nível de maldade de uma pessoa que vai para um funeral para xingar a mãe de uma criança vítima do pai, porque ela supostamente “traiu”, é tão grande que nos leva a suspeitar das violências que esta pessoa comete em seu cotidiano.

Independente se foi traição ou não o motivo do assassinato, foi um ASSASSINATO. Por parte de um pai, para um filho.

O ódio e o ressentimento que homens demonstram para com as mulheres é presença constante na vida delas.

Temos medo de nos apaixonar. Temos medo de iniciar um relacionamento. Temos medo de sair de um relacionamento.

Existe uma frase que caminha nas mentes das mulheres neste momento. Pode parecer um cliché, mas é a mais pura realidade: homens têm medo de ser traídos por mulheres, Mulheres têm medo de serem assassinadas pelos homens.

As duas afirmações não têm o mesmo peso.

Traição é um erro. Sim. Mas assassinato é crime. Em alguns locais do mundo leva a pena de morte.

Olhamos com tristeza para as reações de pessoas que acham que uma traição merece o assassinato dos filhos de uma pessoa. É inacreditável que estejamos vendo tais reações.

A culpa do assassinato é inteiramente do assassino, não de sua esposa, não das crianças, não das vítimas.

Como seria bom se não fosse mais uma vez este o tema que nos vemos obrigadas a discutir! Em pleno carnaval: deveríamos estar felizes, celebrando, com roupas coloridas e brilhantes, com glitter e serpentina. Mas não, as mulheres novamente voltam a ter medo de serem vítimas de seu parceiros, de verem seus filhos assassinados pela mão paterna. Tudo isto porque nossa sociedade insiste em não ensinar que as meninas também têm direitos, desejos. Que “é coisa de garoto” não é justificativa pra violência.

Temos que ensinar nossos filhos a não serem violentos com suas namoradas, esposas e filhos!

(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.

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