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O pequeno Tim – por Bianca Zasso

biancaSemana passada, os fãs brasileiros do cineasta Tim Burton tiveram uma notícia e tanto. O Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, anunciou que prepara para 2016 uma exposição sobre o diretor, com direito a presença do próprio. Pode parecer mais uma exposição sobre um homem do cinema, mas mesmo os não-cinéfilos devem reservar um tempo na agenda para uma singela visita.

Tim Burton não cria apenas filmes. Há um universo Burton, com cores, formas interpretações específicas. Um estilo tão bem definido que quem costuma assistir seus filmes reconhece em poucos quadros a assinatura do diretor. Há quem diga que isso é um atestado de falta de imaginação, o popular “faz sempre o mesmo filme”.

Ledo engano. Burton já dirigiu um Batman, criou animações inesquecíveis como O estranho mundo de Jack e A noiva cadáver, criou dramas intensos como Peixe grande e ainda se aventurou a fazer uma releitura de um clássico dos anos 70, A fantástica fábrica de chocolate.

Mesmo quando é contratado por uma produtora e não pode colocar a mão no roteiro, Burton imprime sua marca. Seu remake de O planeta dos macacos não deu certo justamente por isso. O traço de Burton não combina com símios e um planeta em destruição.

Tim Burton está em cada uma das produções que assina, mas de um modo diferente de Hitchcock, por exemplo, que adorava dar uma passeada diante das câmeras. O nosso amigo americano prefere trazer sua vida para as telas não de uma forma literal, mas com a embalagem do fantástico que permeia sua mente.

Burton teve uma infância complicada, passou boa parte peregrinando em instituições para que tentavam domar sua imaginação fértil. Para muitos, ele era um menino esquisito. Daquelas coisas que ninguém explica. A “esquisitice” virou o motor de seu trabalho e Burton passou de problema à ídolo.

Edward Mãos de tesoura virou uma fábula dos nossos tempos e Ed Wood fez com que muita gente fosse atrás da obra do dito pior cineasta do mundo. Burton plantou o diferente em nossos corações. Ou será que só ajudou a florescer esse gosto excêntrico que todos nós, lá no fundo, temos e não assumimos? Burton gosta do escuro. Mais ainda, consegue fazer um tema temido como a morte se tornar solar, até encantador.

Os monstros são sempre um alento em seus filmes. Bela Lugosi, o eterno Drácula, é um senhor simpatia cansado de assustar. Vincent Price é um cientista maluco que cria com carinho um menino com mãos de tesoura. O pai de Peixe Grande é uma fábrica de sonhos. Os personagens de Burton ganham nossa simpatia porque são imperfeitos. Ele sabe que a perfeição é uma moça boa de se ver, mas chata de se conviver.

A exposição é só em 2016, mas esta humilde colunista convida todos os seus leitores a descobrir ou rever o que Tim Burton já aprontou por aí. Caso não agrade, me rendo: sou a última das estranhas. Ao lado de Burton.

 

 

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