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Black Friday – por Liliana de Oliveira

 

Sexta-Feira passada, no Brasil, mesmo quem sequer sabia o significado da palavra em inglês, sabia que Black Friday se referia a descontos consideráveis e que deveria aproveitar para correr e comprar. E sabia disso pois ligava a TV e só se falava nisso. Entrava na internet e só encontrava propagandas de lojas e seus descontos imperdíveis.

A sexta feira negra acontece nos Estados Unidos no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças e marca o período de compras para o natal. No dia do evento muitas lojas abrem bem cedo, para atrair o maior número de consumidores através de ofertas. Milhares de pessoas aguardam em filas enormes e, embora não seja um feriado, muitas pessoas ganham o dia de folga e se tornam consumidores com grande potencial.

Todo ano vejo as imagens das grandes filas nos EUA, da correria das pessoas ao entrar nas lojas e sempre penso que algo de errado está acontecendo conosco. Observo as imagens e o que consigo ver são pessoas desatinadas, correndo, gritando, correndo o risco de serem pisoteadas e mortas. E tudo isso para quê? Para comprar um microondas, uma tv, um celular ou qualquer outro bem de consumo que nos traga um prazer imediato. Observo tudo isso e me pergunto: para onde caminha a humanidade?

Por que queremos ter tantas coisas inúteis? Por que tanta necessidade de consumir? Por que aceitamos ser constantemente bombardeados com propagandas publicitárias que nos dizem que não podemos ficar fora dessas ofertas imperdíveis? As propagandas invadem nossas casas por meio de ligações telefônicas que oferecem ofertas sensacionais, as caixas de entrada dos e-mails lotadas de propagandas, os pop-ups que insistem em abrir quando simplesmente queremos navegar.

Tendo a achar que, mais do que consumidores, nós é que estamos sendo consumidos por uma lógica de mercado que coisifica tudo e todos. Abandonamos a condição de sujeitos livres e passamos a condição de sujeitos submetidos ou sujeitados pelo mercado em que cada um vale o quanto consome. Na contramão da correria por grandes liquidações, exercito minha liberdade e reivindico o meu direito de não comprar.

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