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KISS. Emoção de familiares, na audiência da ação em que dois pais são processados por Promotor de Justiça

Vários pais de vítimas da tragédia foram ao Fórum para prestar  sua solidaridade aos que estão sendo alvo de processo por calúnia
Vários pais de vítimas da tragédia foram ao Fórum para prestar sua solidaridade aos que estão sendo alvo de processo por calúnia

Definitivamente, essa é uma das incongruências, para ser singelo, da tragédia da Kiss. Afinal, não bastaram as mortes de 242 meninos e meninas, e centenas de feridos, muitos deles com sequelas graves. É preciso também não entender a dor dos pais e familiares. Igualmente para ser brando.

Do que se trata? Da ação, por calúnia e difamação, de que são réus dois pais de vítimas. No caso, o presidente da Associação dos Familiares, Sérgio da Silva, e seu vice, Flávio José da Silva – que também é um dos coordenadores do “Movimento do Luto à Luta”.

Eles são objeto de… Bem, confira você mesmo mais informações sobre a audiência ocorrida na tarde desta terça, no Forum de Santa Maria. O material foi originalmente publicado na versão online do Diário de Santa Maria. A reportagem é de Naiôn Curcino. A foto é do Feicebuqui. A seguir:

Audiência em que pais de vítimas da Kiss respondem por calúnia é marcada por comoção de familiares

Foi realizada na tarde desta terça-feira, a primeira audiência do processo pelo qual o presidente do movimento Santa Maria do Luto à Luta, Flávio José da Silva, em um procedimento chamado de exceção da verdade, tenta provar que não caluniou o promotor Ricardo Lozza. O promotor acusa Flávio e Sérgio da Silva, presidente da AVTSM, de terem ofendido a sua honra ao fixarem cartazes que o acusavam de saber que a Kiss funcionava de forma irregular e não ter tomado providências. Já o MP e a defesa de Lozza argumentam que um eventual fechamento da boate não era atribuição dele.

Já no início da sessão, o advogado de Flávio, Pedro Barcellos, fez um pedido para que não fossem ouvidas todas as testemunhas arroladas pelo MP. No pedido, Barcellos afirma que, neste tipo de procedimento, o máximo de testemunhas permitidas são cinco, e o MP arrolou seis. O juiz Leandro Sassi, titular da 4ª Vara Criminal, onde tramitam os processos, não acatou.

Além das seis testemunhas convocadas pelo MP, três foram arroladas pela defesa de Lozza e cinco, pela defesa de Flávio. Ontem, foram ouvidas sete testemunhas, três da defesa Flávio e quatro, do MP. Uma outra testemunha desistiu de depor e as demais prestarão depoimento por carta precatória.

A primeira testemunha a ser ouvida foi o delegado Marcelo Arigony, um dos que conduziu o inquérito sobre a tragédia. Ele foi convocado pelo advogado de Flávio. Após uma discussão entre Barcellos e o promotor Alexandre Salim, em que este pediu que o advogado o deixasse trabalhar, uma frase do defensor de Flávio arrancou aplausos dos cerca de 60 familiares que acompanhavam a audiência. Protestos também foram ouvidos.

– Hoje vocês querem trabalhar, mas na hora de fiscalizar a boate, não fizeram – disse Barcellos.

– Vocês não sabem o que é perder um filho. Vocês também são culpados – disse, aos gritos, uma mãe.

O juiz Leandro Sassi precisou intervir e ameaçou cancelar a audiência e remarcar para outra data sem a presença de público, caso houvesse alguma outra manifestação.

Ao todo, 14 testemunhas foram arroladas e sete foram ouvidas. O dono da boate, Elissandro Spohr, e o seu defensor, Jader Marques, como era esperado, não compareceram e serão ouvidos por cartas precatórias, assim como outras quatro testemunhas.

Ao final da audiência, Lozza puxou Flávio pelo braço e eles conversaram por cerca de três minutos. Após o encerramento da sessão, pouco depois das 17h, houve mais manifestações dos familiares das vítimas, que se incomodaram com uma declaração do advogado de Lozza, José Antônio Boschi, que havia dito que “ele, a torcida do Flamengo e todo o mundo havia se comovido com a tragédia”. Ele pediu desculpas aos pais.”

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3 Comentários

  1. Estamos vivendo o tempo da inversão das coisas, das verdades, da lógica. A dor de perder um filho parece irrelevante.

  2. … Depois do tempo passado…. ainda falta muito

    O sofrimento ainda é visível

    A luta ainda é um traço característico

    Uma parte (grande-imensa) do amor que havia nos corações dos pais amigos parentes conhecidos… ainda pulsa e pulsará pela eternidade….

    E a força desta emoção/razão pode e deve mover forças construtivas

    E assim remover obstáculos que somente não são intransponíveis, porque nada pode sê-lo frente a determinação de pessoas com vontade firme e objetivos puros…

    Olho as novas leis… leio atentamente…

    E não vejo … a inserção do poder público….

    A responsabilidade…parece que não lhes cabe nas novas leis, como não lhes está sendo exigida na interpretação das antigas…

    Cabível a chamada destes órgãos a agir…e a responsabilidade por eventuais omissões….

    O Ministério Público fez um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)… pelo barulho… em relação aos habitantes externos e …resolvido este… não lembrou devidamente dos milhares de frequentadores internos da boate…e disso resultou … centenas de vítimas.. mas nada de causa ou consequencia, ainda que fortuitas… constou no atual inquérito…nem no processo…

    E nada consta nas novas leis…

    O Ministério Público do Trabalho e os fiscais do trabalho…. sabiam da precariedade do labor prestado nestes locais.. garçons, porteiros, seguranças, atendentes…

    E nenhuma portaria… nenhuma determinação neste sentido foi exarada….

    A empresa que fabrica a espuma utilizada para vedação acústica e que se mostrou letal…vende este material extremamente tóxico e.. até hoje, a ANVISA nada fez para que em letras garrafais seja feita a advertência de que este material quando incinerado emite fumaça tóxica potencialmente letal….

    Não foi feita ..ainda, uma campanha de esclarecimento para os servidores públicos – principalmente para os destes órgãos – de que de suas atitudes omissivas ou comissivas podem resultar tragédias…e alertar para suas responsabilidades profissionais éticas e morais por tais fatos….

    Nada disso está nas leis…

    E esta é a minha angústia… a nossa ansiedade… a nossa luta e esperança…

    Falta muito…

    O que aconteceu não foi uma tragédia… porque estas costumam ser fortuitas e esta foi resultado de nossa falhas humanas…

    O que aconteceu não foi uma tragédia…porque estas marcam somente pela dor e a fatalidade…e esta será um marco de pessoas construindo de suas vidas (todas que possam estar juntas num só indivíduo) um mundo mais humano…

    O que aconteceu não foi uma tragédia… porque estas costumam ir para os livros de história e esta ficará lavrada em nosso corações e mentes…

    O que aconteceu não foi uma tragédia…porque tragédias não mudam o mundo …mas o riso, a juventude, e a vontade de viver de todos que lá pereceram…e que permanece conosco…fará manter, em todos os dias, para sempre.. um brilho em nosso olhos…uma luz diferente ..de uma luta titânica… de vozes que não se calam e não esmorecem nunca.. porque são feitas de material indestrutível…do legado que nos deixaram…desse imenso amor que lhes movia e que carregaremos junto ao nosso peito pela eternidade…

    Prossigamos…com amor.

    Em 27 de janeiro de 2013….

    Há tempo de emoção e tempo de razão…. mas talvez isso sirva a todos…. em todos os lugares…

    É tempo de chorar

    É tempo de abraçar os amigos

    De rezar com força, engolindo as lágrimas…

    ….. A indignação nesta hora, ainda cede ao lamento, a solidariedade, ao abraço..

    Amanhã (que também é hoje)

    …curadas as feridas (como se fosse possível)…

    De cada um de nós vem a pergunta… a cobrança…

    Não somente da falta de segurança …da ambição desenfreada… da imprudência…

    É tempo de tragédia…

    É tempo de responsabilidades…

    Eu quero saber do Poder Público…e de suas responsabilidades..

    Da responsabilidade do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público, dos Procuradores do Trabalho, do Comandante dos Bombeiros, do Prefeito e seus fiscais… e .. de todos os que trabalham nestes órgãos..

    Em cada edifício …exigem escadas interligadas …para evitar acidentes …extintores …luzes de emergência.. e para isso são cobradas taxas e responsabilidades.. de cada um dos cidadãos… de todos nós.. e isso cria em nós a ilusão de que os lugares em que há grande afluência de público, também serão rigorosamente fiscalizados… os funcionários serão treinados para emergências …haverá portas de saída de emergência …devidamente sinalizadas …luzes de emergência.. com funcionamento certificado… e autoridades públicas ciosas de suas responsabilidades…

    E, é destas pessoas que dependem vidas… e é destas pessoas que se exige algo mais, um pouco de humanidade (não apenas responsabilidade)… mas, isso, não somente dos que fazem mal seu trabalho e de cujo resultado resultam vítimas… mas de todos que, tendo condições de ver.. de influir.. calam… e nessa hora…

    Choro mais uma vez também pela minha responsabilidade…

    Eu passei por ali e disse… que absurdo… onde estarão as portas de emergência.. como será a segurança… e mais não pensei… nem disse….

    Agora me disseram…

    Se alguma responsabilidade me cabe nesta hora.(e também cabe).. além de chorar, de rezar, de abraçar…

    É trazer à luz… todos os verdadeiros responsáveis… e dessa vez não vou me omitir.. nem mesmo em verificar uma simples intuição… que para muitos deveria ser uma certeza..

    Em mim… tem uma parte que chora …e vai chorar por muito tempo… mas, a outra parte vai buscar algo mais…

    Nós devemos isso a todas as vítimas…

  3. O Senhor José Antônio Boschi NÃO PEDIU DESCULPAS a nenhum dos pais, o que fez foi tentar se explicar do porque do uso da frase que gerou revolta.

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