Caminho Livre

Sobre o primeiro lugar – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia

biancaEstou há 3 semanas aqui e só agora consegui começar a me organizar. Na primeira semana já comecei a procurar apartamentos, na segunda semana me mudei com mais três meninas, e agora estamos fazendo compras para a casa, lavando roupas, dividindo contas e nos sentindo superadultas.

Sabia muito bem antes de chegar aqui que a primeira acomodação não seria a ideal, que geralmente o pessoal se muda para lugares melhores entre os dois primeiros meses e que teria que ter paciência. Mas claro que a pessoa aqui teve que colocar mais uma coisa na lista de coisas para fazer durante a primeira semana: achar um lugar melhor.

A acomodação que a AIESEC achou para mim não é ruim! Para uma pessoa, talvez duas, é bom, com organização e algumas comprinhas tudo se encaixaria, porém seremos em três em um lugar com um quarto, um guarda-roupa, uma estante, uma cama (e outra para ser colocada), um projeto de cozinha e um banheiro sem chuveiro! Sim, temos torneiras não mais altas que nossos joelhos e nada de chuveiro. Banhos têm sido uma experiência interessante. Pelo que li e vi por aqui é normal em lugares para alugar para estudantes ter apenas torneiras nos banheiros.

O lugar é como uma casinha de hospedes nos fundos de uma casa de família. É uma casa de dois andares onde, como é comum aqui, moram dois irmãos e suas famílias. Geralmente os homens moram com os pais e as mulheres vão morar com a família dos maridos. A maior parte dos imóveis são casas grandes para comportar um grande número de pessoas, irei explicar isso melhor em outro texto.

Fiquei dois dias com o lugar só para mim já que cheguei aqui numa quarta-feira e minha colega de quarto chegou na sexta-feira. Apesar de não haver uma cozinha e chuveiro foi tranquilo, comida sempre fora e banhos “de gato” marcaram meus primeiros dias. Com a chegada da italiana ficou meio apertado. Falar com a família e amigos pelo Skype (que consigo fazer quando chego do trabalho entre meia noite e 4h da manhã – sim, meu trabalho é à noite e vem texto por aí!) só do lado de fora da casa, para não acordá-la. O pequeno guarda-roupa dividido em duas partes e as duas tomadas no quarto sempre ocupadas.

Deixávamos as portas e janelas abertas o máximo que podíamos, mas é difícil se sentir confortável quando se tem tanta gente em volta e pouca privacidade. A opção era se trancar no quarto com o ar condicionado ligado e se sentir presa numa caixinha. Além de nós, eles acomodam mais um casal no andar de cima da casinha de hóspedes, que estavam viajando durante o tempo que estávamos lá e que estão grávidos! Teríamos um neném recém-nascido como vizinho!

Há também o fato das trancas. Eles não possuem fechaduras normais, as portas são fechadas por fora ou por dentro com trancas fáceis de abrir e para mais segurança com cadeados. Porém, temos horários diferentes, o que deixa difícil o fato de não termos chaves para entrar e sair do quarto sem problemas.  Como tínhamos duas portas, cada uma ficou com a chave de um cadeado e entrava e saia por essa porta. Para duas isso funciona. Para três? Acho que não!

Além disso, o portão da casa funcionava da mesma forma. Uma vez trancado com o cadeado por dentro a única forma de entrar era pulando o muro. Possível de fazer, mas não é a melhor opção quando se está de vestido e sapatilhas. Nas duas semanas que fiquei lá precisei pular o portão duas vezes, nas outras ou acordava o indiano que ficou responsável por nós e que morava na casa ou eles deixavam a porta aberta e eu trancava com o cadeado quando chegava. Fazer isso por um ano definitivamente não estava nos meus planos.

Concordamos que com mais uma menina chegando, precisaríamos de mais espaço e não só de mais uma cama. Conversamos as três (eu, a italiana e uma romena que chegaria no início de setembro) sobre o que fazer e decidimos buscar apartamentos juntas e talvez dividir com mais uma pessoa.

A busca pelo apartamento e a nossa mudança foi confusa e cansativa e ainda não estamos com a casa 100%. Lidar com indianos não é fácil e não é só pela barreira linguística. Esperem só mais um pouquinho e vocês entenderão!

EM VÍDEO, AS ACOMODAÇÕES DA PRIMEIRA CASA:

 

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